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The Walking Dead (AMC) se tornou uma série pedante. Chata. Conceitual às avessas. Onde nada acontece.

Mas antes que você me xingue, vou primeiro apresentar o termo para os menos incultos. Segundo a Wikipedia:

“Um pedante é um formalista ou detalhista em pedagogia ou erudição. A palavra provém do italiano pedante (1535), significando “mestre-escola”, “professor”. (…) A palavra é geralmente empregada numa conotação negativa, indicando alguém extremamente preocupado com minúcias e detalhes, e cujo tom é percebido como condescendente.”

Dito isso, quero deixar bem claro que, apesar de esse ser um post que pode irritar aos fãs mais inflamados da série da AMC, nosso principal objetivo é tentar responder a seguinte questão: “por que The Walking Dead se tornou isso aí que estamos vendo?”. Não vamos criticar o fato de você gostar da série. Logo, não critique o fato da gente não gostar mais. Até porque vamos apresentar argumentos para a nossa escolha de desgostar. Apenas isso.

Já faz algum tempo que estamos falando no SpinOff Podcast que The Walking Dead se transformou na grande série que “corre atrás do do próprio rabo”, onde os acontecimentos se repetem, apenas com algumas variações de personagens e subplots. Não há nada de novo nos movimentos centrais desde a quarta temporada (pelo menos), e depois de episódios horrorosos (onde Rick e O Governador ficaram se jurando de morte e dizendo como a vida do outro era mais f*d*d* durante longos 50 minutos) que não serviam absolutamente nada para o desenvolvimento da trama, chegamos em uma sexta temporada onde Robert Kirkman propõe algo “novo”: começar tudo de novo.

Como se eles já não tivessem feito isso antes. Umas três ou quatro vezes.

Ou vai me dizer que chegar na fazenda do Herschel (e acabar com tudo) não foi recomeçar?

Ou vai me dizer que chegar na prisão (encontrar Woodbury e ferrar com tudo antes, para depois ferrar com a prisão também) não foi recomeçar?

Ou vai me dizer que chegar em Alexandria não é recomeçar?

De novo: se vocês estão curtindo esses vários reboots dentro de uma mesma série, parabéns. Mas muita gente não teve mais saco para isso. E o que é pior: quem olhou para The Walking Dead com mais atenção já sacou há tempos que o maior problema da série não é o apocalipse zumbi, nem a horda de mortos-vivos que podem atacar a qualquer momento, mas sim os humanos. Que são violentos, burros e inconsequentes.

Mais especificamente um humano: Rick Grimes.

Em um mundo perfeito, o Rick Grimes de The Walking Dead já teria sido abatido a tiros pelo seu grupo há muito tempo. O cara foi surtando temporada após temporada, ficou um déspota chato, quase um ditador… e ainda assim é LÍDER DO GRUPO DE SOBREVIVENTES? Ok, eu entendo ele. A essa altura do campeonato, ele não confia em mais nada e em mais ninguém. Nem no próprio filho, se bobear. Mentiu para ele é o mesmo que pedir para tomar uma bala na cabeça. Simples assim.

Mesmo assim. Rick claramente não é a melhor opção de líder nem para síndico do prédio. Foi a paranoia dele que fez com que comunidades minimamente organizadas caíssem uma após a outra. Os caras em Woodbury estavam lá, felizes, prosperando, cuidando da vida deles. Aí, vem o insuportável do Rick, querendo impor as suas leis e regras, e ferra com tudo. O mesmo aconteceu na fazenda do Herschel. E o mesmo ocorre em Alexandria.

Ou seja, a essa altura do campeonato, The Walking Dead já é a série que recicla os próprios erros, não avança na sua proposta narrativa, com eventos simplesmente absurdos (Glenn virando jantar de zumbi no final da quinta temporada está aí, vivinho e vendendo saúde) e episódios que se arrastam no modo “nada acontece, feijoada”.

Pra completar tudo isso, vem o senhor Robert Kirkman e oferece uma premiere de sexta temporada onde o nada se repete, cheio de flashbacks para explicar algo que ele poderia ter apresentado ao longo do episódio, na ordem cronológica, e aí sim criar um impacto maior no final do episódio (mesmo assim, não iria salvar do sentimento de “vontade de morrer ao ver esse negócio” que o episódio transmitiu). Pra quê flashback em preto e branco, meu Deus? Não é melhor investir em desenvolvimento de trama, roteiro, plot twists não?

Ficar pagando de série inteligente pra quê?

Muita gente já sacou que The Walking Dead já está no modo “vamos fingir que fazemos uma temporada para arrancar o dinheiro da AMC”, algo que Shonda Rhimes fez tão bem durante anos em Grey’s Anatomy (e, ainda assim, não aprovamos tal tática). Agora, a série chega em um novo patamar: do pedantismo. De chamar de “arte” a enrolação de uma trama que não se desenvolve. Para que no final da temporada, muita gente acabe reclamando do que viu, por se sentir enganada pelo arrastar do tempo.

Para quem vai continuar, boa sorte. De coração.