Orange Is the New Black alcançou a sua quinta temporada, e essa é uma vitória para a série. Muitos acusam que a terceira e a quarta temporadas não estavam à altura das duas primeiras. Mas mesmo com episódios mais fracos e uma protagonista que virou uma secundária, o nível do roteiro e as fantásticas interpretações estavam lá.

Mas nada como uma mudança de regras no final da temporada. Um motim em Litchfield é um cenário completamente diferente para a narrativa da série, mas que se amolda ao estilo de histórias paralelas, flashbacks e pequenos arcos pessoais. Algo que os roteiristas exploram muito bem.

Piper deixou de ser o núcleo central, passando para segundo ou terceiro plano, e todas as demais histórias dominaram a temporada por completo, que mostrou como floresceu, se desenvolveu e foi resolvido o motim em três dias. Com alguns cliffhangers, é claro.

 

 

O novo cenário é surpreendente e refrescante, mas facilmente assimilável. Ver os personagens em versões mais desmembradas é algo bem acessível. Caos, diversão, estratégias paralelas das diferentes facções… tudo são recompensas para quem acompanhou esse grupo durante cinco anos. Mas cada explosão de reações inesperadas renderam doses de exasperação.

Ter uma temporada em um tempo tão limitado limita certos recursos narrativos da ação, que são compensadas com cenas de diálogos ou sub-arcos de personagens tediosos, pouco interessantes ou fora do tom com o cenário de caos. Mas temos que reconhecer que os momentos mais íntimos ajudam a encontrar a humanidade dentro da espiral autodestrutiva que está se disseminando.

O jogo com as esperanças, expectativas e destinos de cada uma das internas é um macabro vai e vem de lutas pela busca de um sonho. Tudo vem acompanhado de uma sensação de irrealidade que toma a forma de pequenas conquistas, até a liberdade que só funciona nos pequenos núcleos da prisão. No fundo, os movimentos pelas negociações e os protestos que não são bem sucedidos.

Orange Is the New Black é, desde um começo, uma série que, mesmo sendo uma comédia, tem suas raízes muito claras no plausível, e jamais se esqueceu a sua amarga realidade que relata. Logo, quando vemos um pequeno período de criatividade e alegria nas vidas dos personagens, ela vem acompanhada de uma visão escura, decadente, da natureza humana em condições sub-humanas.

 

 

O crescimento dos abusos carcerários como consequência do lucro sem escrúpulos expõem a desumanização das detentas em todos os níveis. Explora com raiva a alegria quando humilham os seus algozes, em um inquietante reflexo de uma cultura muito atual, onde a ira domina o discurso.

Em resumo, temos aqui um comovente coquetel niilista, onde até sabemos como tudo vai acabar. Nada mal para uma quinta temporada de uma série limitada pelos muros.