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Infelizmente, o Brasil é destaque negativo nessa notícia. E você, coleguinha da imprensa, saiba que da próxima vez que for entrevistar alguém do elenco de Orang Is the New Black (Netflix), pense 500 vezes antes de fazer perguntas estúpidas, principalmente se elas tiverem alguma conotação sexista.

Na última segunda-feira (15), o programa CQC (Band) exibiu a matéria onde o comediante Rafael Cortez, na sua infeliz tentativa de ser engraçado, fez uma pergunta infeliz para as integrantes do elenco de Orange Is the New Black, Uzo Aduba, Samira Wiley e Natasha Lyonne.

Cortez perguntou para Lyonne e Wiley se elas sendo bonitas do jeito que são, se era fácil trabalhar em conjunto, ou se ‘naqueles dias’ elas ficavam ‘bravas’ ou ‘furiosas’, brigando umas com as outras. Wiley chegou a rir da pergunta imbecil do ‘jornalista’, e disse que existe uma lenda ou mito sobre atrizes que ficam brigando nos sets de filmagens, enquanto que Lyonne não perdeu muito tempo com a burrice proferida pelo brasileiro, afirmando que sente que ‘talvez, de forma acidental, existe um pouco de misoginia’ em questões como essa.

Não satisfeito com tamanho constrangimento, Cortez perguntou para Aduba se ela queria ver os músculos dele. A atriz, de forma seca, disse ‘Não’.

Casos assim acontecem de forma frequente na imprensa brasileira. Sim, o SpinOff é um blog pequeno, e não foi convidado pela Netflix para as últimas coletivas e ações promocionais envolvendo suas séries. Compreendemos isso. Afinal de contas, não temos o mesmo alcance que outros veículos de maior prestígio, e o que importa mesmo são os números.

Porém, posso me certificar que, em todas as coletivas que participei (por séries dos grupos Sony, Warner e HBO, principalmente), eu jamais proferi tamanhas imbecilidades. Talvez tenha faltado ao CQC e ao próprio Rafael Cortez a capacidade de pesquisar um pouco mais sobre a série e suas atrizes, até mesmo para saber sobre o que não perguntar.

Um exemplo simples: eu estive na coletiva com o elenco de The Big Bang Theory a alguns anos, e antes de qualquer coisa, fiz um estudo sobre o estágio atual da série, e sobre o que não perguntar para os atores. Uma das perguntas que eu sabia que eles já estavam de saco cheio em responder era: ‘vocês são ou se consideram nerds?’.

E adivinha… essa foi a primeira pergunta da coletiva. Feita por um coleguinha de blog grande!

Sabe, gafes que alcançam uma proporção internacional podem ser evitadas. Tanto pelas assessorias de imprensa quanto pelos jornalistas envolvidos. Acho que Orange Is the New Black é muito maior do que qualquer tema sexista que possa ser abordado. É uma série consolidada, com uma proposta muito diferente, é ousada em vários temas, e com uma estrutura narrativa muito atraente e interessante.

É desnecessário ficar batendo sempre na mesma tecla de ‘é uma série sobre mulheres bonitas, muitas lésbicas, e uma prisão’. A série é muito mais que isso. Faz uma excelente crítica sobre a superficialidade e a futilidade dos esteriótipos femininos, além de levantar questões sociais e morais importantes da sociedade como um todo. Sem falar que é uma série que quebra barreiras importantes, derrubando preconceitos.

Logo, da próxima vez, Netflix… chama a gente. Sabemos ser engraçadalhos sem ofender ninguém.

E coleguinhas blogueiros e jornalistas (ou o Rafael Cortez mesmo, que fracassou na sua tentativa de ser engraçado)… pensem antes de abrir a boca. Faz um bem danado. E evita que o Brasil seja sinônimo de mau jornalismo lá fora.