Aproveitei a noite de ontem (19) para adiantar algumas séries que estavam entulhando na minha grade particular de programação, e decidi fazer uma minimaratona de Nashville (ABC), e ao final, me perguntei “por que eu não vi isso antes?’. Calma: a série não é espetacular, e nem vai mudar a sua vida. Mas ao menos está bem diferente das demais séries musicais que vemos em outros canais. Na verdade, vemos uma “série com musical”, e não um “musical em série”. No texto a seguir, explico meus pontos.

Antes de começar, é bom registrar que parte de Nashville existir é por conta de Connie Britton, que além de atuar na série, é produtora executiva da mesma. Talvez o grande problema da série seja o mesmo problema que cancelou Last Resort, que era uma série boa, mas não contava com grande audiência. A produção musical da ABC se esforça para manter uma média de 6 milhões de espectadores, e sua demo 18-49 anos é de apenas 2.0 (em média). Já a sua audiência nos DVRs (gravadores digitais, comuns hoje entre as operadoras de TV paga nos EUA – um pouco menos no Brasil) é boa, com aproximadamente 3 milhões de espectadores, e uma demo de 3.0 (na média). Mesmo assim, garantiu temporada completa de 22 episódios. Vamos ver se ela sobrevive na batalha da renovação.

Por que Nashville é diferente das outras séries musicais?

– é uma série, e não um musical em forma de série: Nashville tem mais tramas envolvendo a música como plano de ligação entre os personagens, e não um musical gigante com diálogos esporádicos. A trama da série da ABC vai além de colocar músicas aleatórias que lustram os sentimentos e situações que os personagens se envolvem. Elas entram na série quando precisam entrar. E só nesses momentos.

– só canta na série quem precisa cantar: não vamos ver o pai da Rayna James cantando sobre como é bom ser o vilão de Nashville, e como ele quer manipular o marido dela para continuar no poder da cidade. Só canta na série quem é ou cantor ou compositor. É ótimo ver cenas musicais dentro de propostas onde realmente elas são necessárias, e feitas pelos “cantores” da série, e não por qualquer pessoa que apareça em cena, como por exemplo um professor de espanhol, ou uma treinadora de cheerleaders.

– existem subtramas, mesmo que desinteressantes: nem tudo se centra no duelo da cantora veterana contra a cantora novata. Nashville também explora os tais “plots paralelos”, que em algum momento vão interferir na disputa das duas. A própria intriga política do marido de Rayna com o pai dela, que é desnecessária em algumas vezes, acaba interferindo na história principal. O casal novato de músicos que foram descobertos pelo lendário produtor musical é outro exemplo que certamente vai entrar na trama principal no futuro.

– as protagonistas não são perfeitas: não existe a “heroína” em Nashville. Ok, Juliette Barnes (Hayden Panettiere) é mais “bitch” do que Rayna Jaymes (Connie Britton), e não mede esforços para conseguir o que quer, sendo manipuladora e manipulada quando preciso. Mas já se irrita em ser apenas uma “cantora country teen”, e quer mostrar o algo mais. Por outro lado, Rayna é claramente mais talentosa que Juliette, mas é claramente mais teimosa e impulsiva, não ouvindo ninguém e achando que só ela está certa, mesmo quando não está. Isso mostra que os dois personagens são mais próximos da realidade de artistas (ou de seres humanos), e não tão caricatas como em outras séries.

– tem mais canções originais do que covers: Nashville quer fazer dinheiro com as canções executadas nos episódios. É um dos objetivos principais da série da ABC. Mas a série não quer simplesmente jogar de forma fácil com isso, enchendo a série de covers. Nashville conta com mais músicas originais na sua trilha sonora, que conta com a colaboração de gente de peso, como John Paul White, The Civil Wars. Hillary Lindsey e Elvis Costello.

– fala diretamente com a maioria dos norte-americanos: poucas séries são tão bem ambientadas nessa proposta de “mundo country” como Nashville. E poucas entregam de forma tão clara aquilo que o “interiorzão” dos Estados Unidos quer ver e ouvir. A música country é um dos estilos musicais que sempre venderam muito bem por lá. E nos tempos atuais, é a que mais vende. Mais que o pop, o rock e o hip-hop. Logo, se comunicar com esse público é sinônimo de sucesso.

Por enquanto, eu estou gostando do que estou vendo. Eu sei, é o tipo de série “novelão” que está tomando conta dos Estados Unidos. Mas… se não se pode vencê-los… bom, pelo menos é o que me permito a assistir. Até porque não me arrisco a ver Revenge, por mais que me digam que está incrível (certo, @fabiano_sjc e @edu_sacer ?).