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Quando uma celebridade perde a vida, tendemos a ser mais sentimentais. Ou vamos na internet “baixar a discografia” da pessoa em questão. Todo mundo fala que é fã, que sempre gostou do trabalho, mesmo sem acompanhar nada do que a pessoa fez.

Eu confesso que não estava assistindo a novela Velho Chico (Rede Globo), e pouca coisa assisti com atenção do trabalho do ator Domingos Montagner. De fato, o que mais acompanhei de perto foram as séries Divã e O Brado Retumbante.

Porém, esta foi uma perda sentida. Todos com quem conversei estavam sentindo.

 

A arte que não imita a vida

Cobramos tanto das séries, filmes e novelas porque, diferente da vida, a ficção precisa ter sentido e coerência. Porque é roteirizada e planejada.

Já a vida… essa não tem roteiros.

Talvez por isso a vida seja uma das coisas mais interessantes que existem. Talvez por isso os realitys são tão populares. Porque deles podemos esperar de tudo.

Inclusive as perdas.

Infelizmente, Domingos Montagner teve sua trajetória de vida interrompida por uma fatalidade. O que deixa essa perda ainda mais sentida é o cruzamento da ficção com a realidade.

Seu personagem em Velho Chico passa por situação semelhante, no mesmo rio São Francisco.

Podemos chamar isso de destino. De fatalidade. Do que quiser.

Mas o fato é que é chocante. É triste.

De tudo o que pesquisei sobre o ator, pude detectar sua alma de artista. A forma simples de encarar a sua própria carreira e o sucesso. Sem ostentar. Com os pés no chão.

Hoje, está difícil encontrar celebridades com esse perfil. Com jeito de gente comum.

Domingos Montagner vai fazer falta para os colegas de trabalho e para o público que acompanhava o seu trabalho.

E esse cruzamento entre ficção e realidade reforça a lição do “viver intensamente”. Já que nunca sabemos quando o plot twist vem, nem se ele será ao nosso favor.