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Eu não era fã da família Bluth. Não era, mas decidi acompanhar a primeira temporada de Arrested Development na Fox, lá em 2003, quando ainda via tudo pela TV a cabo. Não me arrependi. Vi uma das melhores experiências televisivas da minha vida. E ter a série de volta foi praticamente encontrar um oásis no meio de um grande deserto. Salvo poucas exceções, a temporada 2012-2013 é marcada pelo “como isso é sem graça”. E AD chega para comprovar que precisamos mesmo nos reciclar. De  novo.

No SpinOff Podcast, eu e os demais participantes questionamos por diversas vezes o momento das comédias na televisão. Por diversas vezes na temporada, eu mesmo questionei a existência de mockumentarys na NBC, afirmando que o telespectador estava mais pendente para o lado das sitcoms. De fato, não mudo essa última afirmação, uma vez que as comédias mais vistas pelos norte-americanos hoje são justamente aquelas que são as comédias com claque (The Big Bang Theory, Two and a Half Men, 2 Broke Girls, Mike and Molly e How I Met Your Mother, todas da CBS).

Por outro lado, isso não invalida por completo as comédias no formato de documentário, como é o caso de Arrested Development. Não via temporada toda ainda, disponível na Neflix. Diferente de outras pessoas que já devoraram todos os episódios em poucas horas, eu quero degustar lentamente toda essa experiência da quarta temporada. Porém, é rápido detectar uma sutil, mas essencial diferença entre a série da família Bluth e as demais: ela faz rir, mesmo apresentando uma proposta inteligente.

Arrested Development não consegue cair no chato ou tedioso justamente porque combina de forma exemplar como uma série de TV pode apresentar momentos non sense, com atitudes ridículas, mas mesmo assim, apresentando uma estrutura de episódio de faz com que o telespectador preste atenção nos detalhes, montando a atmosfera geral do episódio, para que no final, tudo isso venha a se convergir em um cenário bem construído e, ao mesmo tempo, absurdo (em alguns casos).

Tal característica eu já tinha detectado nas três primeiras temporadas, e fico feliz que Mitchell Hurwitz (criador da série) manteve essa característica vital na produção. Acho que não precisamos apenas de séries PNC (entendedores entenderão), mas também não precisamos ser feitos de idiotas o tempo todo. O equilíbrio entre as duas coisas é possível, e Arrested Development é uma prova clara disso.

Sem falar que a lista de convidados especiais foi praticamente um “dream team” do mundo da TV, com astros que não fizeram cerimônia em participar dessa temporada exibida pela Netflix.

É… talvez Arrested Development não tivesse mesmo espaço na TV tradicional, porque muitos norte-americanos “não entenderam a piada”. Passados dez anos, fico feliz por ter entendido todas as piadas. De novo. Sabemos que, pela Netflix, não haverá uma quinta temporada, pela dificuldade em reunir o elenco novamente. E quer saber? É melhor assim. Fica assim o gosto de serviço bem feio, de missão cumprida. A satisfação de entregar um serviço único para o telespectador.