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James Gandolfini nos deixou. O ator faleceu ontem (19), na Itália, aos 51 anos de idade, vítima de ataque cardíaco. Apesar de achar que ele não morreu, mas sim “foi pego pela máfia italiana” (calma, estou brincando), vamos sentir falta de um dos melhores atores de sua geração, e um dos melhores de todos os tempos. A prova de sua competência não se confirma pelos três prêmios Emmy que ganhou, mas sim, por eternizar um personagem único: Tony Soprano.

Para começar, a própria série The Sopranos venceu o seu maior desafio: sair da estigma de ser uma série que iria na esteira do sucesso de O Poderoso Chefão, como muitos afirmaram quando ela estrou na HBO. Depois de seis temporadas, a série criou uma identidade tão forte, e um estilo de narrativa tão marcante e profunda, que se tornou uma obra única dentro do segmento de entretenimento. E um dos elementos principais desse sucesso da série foi justamente o seu protagonista.

Tony Soprano poderia parecer um personagem simples de ser feito: um mafioso frio, calculista, machista e rabugento. Porém, Gandolfini tinha que ir além disso. Até porque o seu personagem não se limitava a ser simplesmente o “bad guy”. Tony lidava com a dualidade de sua realidade profissional e familiar, e procurava lidar com os seus monstros pessoais de diferentes formas (seja espancando um traidor, ou chorando com a terapeuta).

E só Gandolfini poderia transmitir, de forma tão dinâmica e única, como essa dualidade era terrena. O ator tornou Tony Soprano mais próximo de uma realidade “palpável”, tirando o personagem de um universo fictício para se posicionar lado a lado com o telespectador. Pelas suas reações, pelas falas, e principalmente, pela personalidade composta. Nenhum personagem da TV até aquele momento conseguiu isso de forma tão intensa e profunda.

Jack Bauer, Don Drapper, Walter White e Jackie Peyton. Em comum, todos esses personagens contam com personalidades complexas, conflitos existenciais e um certo ar de “anti-herói”, que conquistou o público de imediato. Não são personagens que existem “por existir”. São universos relativamente complexos, que instigam o telespectador a questionar as suas opiniões, comportamentos e atitudes. Todos eles são “filhos” de Tony Soprano nesse aspecto.

Quando penso em The Sopranos, eu penso em uma das melhores séries de todos os tempos. Um divisor de águas na HBO e na TV norte-americana. Quando eu penso em Tony Soprano, eu penso na síntese de tudo isso. É o símbolo de um novo movimento de televisão, que perdura até hoje, e que deve prevalecer durante muito tempo. Tony Soprano é aquele tipo de personagem que a maioria gostaria de ter inventado: um personagem que será eterno.

Gandolfini partiu, mas deixou a sua marca no mundo das séries. Poucos serão lembrados por fazer um personagem tão memorável. Se ele vai fazer falta? Não tenho a menor dúvida disso. A boa notícia é que sempre poderemos lembrar dele nos DVDs e Blu-rays, e ter aquele sentimento de gratidão, por entregar ao mundo um Tony Soprano inesquecível.