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Uma forçada de barra. 14 anos depois.

Quando vi O Casamento Grego pela primeira vez em 2002, entendi que era um filme divertido, de uma história comum, mostrando como a família pode ser maluca, porém, é fundamental ela se manter unida para sua vida entrar no mínimo dos eixos. Na época eu já entendia que era um filme do tipo ‘Sessão da Tarde’, ou seja, que veríamos de tempos em tempos, mas sem ser um filme memorável. Só lembraríamos quando a Globo o exibisse eventualmente em uma tarde de terça.

Pois bem, 14 anos depois, Nia Vardalos decide convencer alguns produtores – entre eles Tom Hanks – de que o seu roteiro para O Casamento Grego 2 era bom o suficiente para receber investimentos e estrear nos cinemas de todo o planeta. Seja lá o que foi que ela fez, o truque funcionou, e eu fui assistir ao filme em uma tarde de domingo, o que achei oportuno levando em consideração que era um filme típico desses domingões que não queremos ficar em casa vendo esportes (e olha que era um final de semana com muita coisa na TV).

De qualquer forma, O Casamento Grego 2 mostra os eventos preparatórios de um casamento, assim como o casório em si, mas a partir de uma nova perspectiva. Dessa vez, são os pais de Toula que precisam se casar ‘pra valer’, já que o primeiro nem chegou a acontecer. Seu pai Gus descobre que sua certidão de casamento não foi assinada pelo padre, ou seja, o seu casamento com Maria nunca foi oficial. Agora, precisam fazer as coisas direito, e é justamente Maria quem decide endurecer as coisas.

Para a matriarca dos Portokalos, o casamento será a forma perfeita de não só refazer os votos de casamento com Gus, mas de dessa vez ter um casamento com tudo o que ela merece. E conta com a ajuda de Toula e toda a sua família (que mora toda no mesmo quarteirão) para ajudá-la nessa missão. Além disso, tem a filha adolescente de Toula e Ian, que vai entrar na universidade, e se vê um peixe fora d’água nessa família de gregos. Mas que vai se identificar com a paixão que os seus tem pelas tradições (e um pelo outro), aceitando seus parentes como eles são.

Some tudo isso à própria crise matrimonial que Toula passa, mas que precisa deixar de lado para atender as necessidades de seus familiares.

E temos um filme.

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O Casamento Grego 2 é bem inferior ao primeiro filme. Além de não contar com o ineditismo do primeiro no fator “família grega maluca, mas muito unida e adorável”, temos algumas coisas que ficaram bem avulsas no roteiro de Vardalos. A própria situação da filha adolescente é uma dessas premissas que pouco ou nada contribuem para a história. No final das contas, a filha é apenas a avulsa que vai para a faculdade. Ao longo do filme, ela não tem muita importância, nem mesmo para a família, mais preocupada com o casamento da avó.

A crise matrimonial de Toula e Ian é outra coisa que fica perdida no meio dessa confusão toda. Não que um casamento como o dos dois não sofra de desgaste depois de tantos anos (e com tantas influências externas). Porém, não serviu pra nada além de ser um pano de fundo para que os dois se reconciliassem sem sequer se separarem. Ou seja, passam por um momento difícil, mas nunca deixam de ser um casal. Não que eu quisesse isso. Mas se é para criar uma situação, que ao menos essa situação mostre alternâncias.

Além disso, um fator essencial para o sucesso de O Casamento Grego era justamente o fato de Ian ser um completo “estranho no ninho de gregos”, e todas as situações constrangedoras que ele teve que passar para se casar com Toula. Gus e Maria não passam por nada disso. É até legal a empolgação do casal de velhinhos se preparando para um casamento depois de 50 anos de união, mas não tem o mesmo peso cômico de um norte-americano se casando com uma descendente de gregos, e com toda a família dela por tabela.

A maioria das piadas não funciona, onde para variar as melhores tiradas ficam para a simpaticíssima Mana-Yiayia, avó de Toula, além da tia Voula, que também vai muito bem em seus plots. Entendo que toda família tem uma tia como ela, e todo mundo queria ter uma bisavó como Mana. Fora isso, tudo fica muito na média. Não que eu esperasse uma comédia espetacular, mas o fato é que O Casamento Grego 2 é um baita caça-níquel, sem sair de uma linearidade que beira o medíocre.

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De qualquer forma, o filme parece ter cumprido o seu papel de ser mais uma alternativa para o futuro da Sessão da Tarde (se é que ele vai existir no futuro). Com orçamento de US$ 18 milhões, O Casamento Grego 2 já faturou até o momento da produção desse post US$ 54 milhões. Não se compara aos grandes blockbusters do cinema, mas ao menos já se pagou três vezes. Ou seja, sucesso. Apesar de não ser um filme tão bom assim.

Não vou deixar de recomendar o filme. Ao menos ele deixa de novo a mensagem que a família é sempre aquele grupo de pessoas que vão te apoiar de forma incondicional, em todas as situações. É aquele porto seguro que você pode contar em momentos de dificuldades, e no caso dessa família em particular, são aqueles que vão transformar a sua vida em um eterno Big Brother.

E, nesse caso, conforme-se: é melhor ter uma família assim do que não ter esse povo todo por perto.