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Não podemos negar que o a cultura pop vive muito em função de tendências. Desde que eu me entendo por gente dito racional e inserido nesse mundo do entretenimento, eu vejo esses modismos irem e virem o tempo todo, mudando e levando milhares de fãs para frente da televisão e cinema, consumindo produtos licenciados e multiplicando essa tendência aos quatro cantos do planeta.

Vivemos hoje no momento “zumbi”. Momento esse em que uma das maiores audiências de televisão é a série The Walking Dead, que todas as semanas bate recordes de audiência, tem um dos quadrinhos mais procurados das lojas especializadas, e possui uma legião de fãs que vão desde a amiga patricinha até o colega de turma gótico que não sai de casa durante o dia. O sucesso de The Walking Dead é tão grande, que uma nova indústria ressurgiu (zumbis já foram tendência no cinema trash da década de 1980), e os zumbis estão transitando por todas as mídias.

Com essa máquina de dinheiro em potencial funcionando, não é de se estranhar que surjam mais produtos do gênero, e o mais recente deles foi a série Zombieland, baseada no filme homônimo de 2009, que foi um dos mais divertidos filmes sobre zumbis que eu assisti, E com essa expectativa, segui esperando um pouco menos pelo piloto produzido pela Amazon (a maior varejista online do mundo, que agora está produzindo seriados originais, seguindo a estratégia da Netflix). Porém, a decepção foi de proporções maiores do que a audiência de The Walking Dead.

O principal fator para o fracasso da série foi, com certeza, o elenco. É impossível não comparar o resultado da série de TV com o filme. No cinema, o elenco contava com  nomes como Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin e Bill Murray. Com um elenco desse, e um diretor afiado, quem precisa de grandes orçamentos? Infelizmente, o elenco da produção da Amazon é um grupo de avulsos que não conseguem a sinergia necessária para fazer o piloto valer a pena.

O episódio piloto de Zombieland (da Amazon) tem clichês do início ao fim. E eu não estou pedindo que  uma série de zumbi tenha “miolos”, mas os clichês precisam ser ao menos engraçados e bem aproveitados para funcionar. No final das contas, a Amazon entregou ao público um produto que parece ter sido gravado em um celular,  por adolescentes desocupados. E isso repercutiu de forma tão negativa, que o projeto voltou pra gaveta do executivo. De onde jamais deveria ter saído.

O público massacrou o episódio, com críticas negativas das mais diversas. A opinião dos usuários foi para que, em quase sua totalidade, o seriado fosse simplesmente expulso do planeta Terra, tanto por causa do roteiro, quanto pela falta de presença do elenco original. E essa reação na minha opinião era esperada.

Quando se adapta um filme onde sua assinatura está na alta qualidade de elenco e roteiro, fazer isso sem esses elementos é um tiro no pé, e isso ficou bem claro nas suas críticas. Mas parece que o produtor da série, Rhett Reese, não contava com tamanha desaprovação, e disparou no Twitter a seguinte frase: “Nunca vou entender o ódio veemente que o piloto recebeu dos fãs radicais de Zombieland. Vocês conseguiram que o ódio tirasse o programa do ar”.

O mundo está cheio de fãs radicais, mas o fracasso de Zombieland se deve ao fato que nem sempre adianta aproveitar a tendência do momento para sair lançando seriados, achando que o público está aí pra engolir qualquer coisa. No final, prevaleceu o bom senso do público. Menos uma série medíocre no ar. Ou sej,  modismo só funciona se tiver alguma qualidade. Caso contrário, o melhor é esperar pela nova temporada de The Walking Dead.