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A Netflix tem bem claro que o seu futuro passa pela sua Netflix Originals, ou pelo conteúdo próprio. Em janeiro desse ano, eles anunciaram que a plataforma alcançaria 600 horas de conteúdo original (entre séries, filmes, documentários, animação e programas humorísticos) em 2016, dobrando o número de títulos próprios em relação ao ano passado.

A aposta das produções originais não param por aí. A ideia da Netflix é obter 50% do seu catálogo de produções originais e conteúdos exclusivos. Os outros 50% são aqueles cujos direitos são adquiridos por outras empresas.

E a empresa alega que eles não estão tão longe de alcançar esses 50% de conteúdo próprio. Segundo seus responsáveis, a Netflix já estaria na metade do caminho desse objetivo.

Também afirmam que nem todos os seus programas precisam ser um sucesso, desde que o seu custo seja proporcional com o que aportam ao serviço. Afirmam que os custos de produção de conteúdo baixaram, mas também aumentou o número de títulos disponíveis e de interessados na visibilidade.

 

Netflix: o Google de Hollywood?

O que a Netflix não fala é que também existe a possibilidade de redução do catálogo de terceiros para alcançar os tais 50%.

Em curto prazo, é pouco provável que isso aconteça, até por conta da competição que existe no segmento VOD. Mas em um futuro a médio prazo isso é possível.

Vários executivos do setor criticam a estratégia da Netflix, e muitos estúdios começam a temer que a empresa se transforme em um “monopólio audiovisual”.

O formato de distribuição de conteúdo da Netflix é muito rentável e gera dinheiro rápido para o estúdios. Se essa mudança acontecer como previsto, a própria Netflix pode impor suas regras e seus preços.

A preocupação do setor também se reflete na produção dos conteúdos originais. Os canais pagos não são os únicos a oferecerem liberdade e bons acordos: a Netflix aposta alto nos seus projetos, encomendando uma ou várias temporadas adicionais de suas principais séries, e resolvendo a questão da distribuição fora dos Estados Unidos, ao adquirirem os direitos globais das séries.

Logo, produtores, criadores e atores se beneficiam a curto prazo, com um importante investimento. Mas… e a longo prazo?

Alguns estão preocupado que a Netflix obtenha uma posição dominante, e que no futuro passe a pagar menos pelos direitos ou limitar a liberdade criativa dos seus projetos. Não se descarta que no futuro a empresa passe a produzir no lugar de comprar as produções originais dos outros.

Fora dos Estados Unidos, outras redes de TV e grupos midiáticos se planejam para fazer frente contra a gigante. Nesse caso, a questão das produções originais não é tão problemática, mas por enquanto a vantagem na Netflix é tremenda na hora de impulsionar os direitos globais dos conteúdos de terceiros.

Produções originais como terreno seguro

E o que você tem a ver com tudo isso?

A aposta nas produções originais porque isso faz sentido, e por dois motivos.

O primeiro é o mais óbvio: conteúdos exclusivos nos respectivos países, e esta é uma clara vantagem contra a concorrência.  Afinal de contas, você só vê Stranger Things (de forma oficial) onde mesmo?

O segundo motivo pode ser uma precaução.

No futuro, os estúdios e redes de TV podem não ver com bons olhos os direitos de suas séries nas mãos da Netflix.

De fato, a HBO nunca liberou, e a Netflix já teve problemas no passado (Starz) antes de apostar nas produções originais.

Como estratégia comercial, os movimentos fazem todo o sentido do mundo.

Via Variety