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Novos talentos nascem todos os dias. Infelizmente por falta de espaço nas emissoras e custos de produção, acabamos com um grande problema na televisão brasileira: ver os seriados escritos por autores de novelas. Nisso, acabamos assistindo aquela mesma história que a gente já viu dezenas de vezes, escritas pelas mesmas pessoas. E muitas vezes eles tentam adaptar o formato de novela nos seriados, o que prejudica o resultado final das produções nacionais.

Mas essa realidade parece estar mudando.  Alguns canais da TV paga brasileira (e nesse caso em especial, destaco principalmente o Multishow) estão dando espaço para seriados autorais, onde o protagonista participa ativamente da concepção do programa, ajudando no desenvolvimento e adaptação, dando sempre a sua cara à série. Ou seja, o protagonista é o seriado, e o seriado existe por causa do seu protagonista. A seguir, alguns destaques com tais características.

220

220 Volts: o segredo do sucesso é o programa ser reflexo da alma do artista

220 Volts: o seriado gira em torno de esquetes protagonizadas por Paulo Gustavo, que também é responsável pelo roteiro do programa. O ator, que antes da televisão trabalhava esses personagens no teatro (em peças como Hiperativo e Minha Mãe É Uma Peça), apresenta a cada episódio um tema, e em cada esquete, o tema é defendido pelo olhar do personagem interpretado na cena.

Além disso, o programa conta com alguns personagens fixos e inusitados, como Dona Hermínia, Sem Noção, Senhora dos Absurdos, Playboy, Gay, Nerd, entre outros, o que gera um grande debate sobre os diferentes comportamentos das pessoas, mas sem perder o bom humor.

@ Multishow – terças, 22h30, com reprises durante a semana, em horários alternados.

Estranhamente

Estranhamente: um humor tão singular, que só poderia ser bem recebido na TV Paga

Estranhamente: escrito e protagonizado por Fernando Caruso, o seriado mantém o formato de esquetes adotado em 220 Volts, mas alternando entre temas do cotidiano e situações que levam o espectador a experimentar o lado lúdico da coisa. A série pende para o lado experimental, pois o elenco é formado pelos alunos do workshop de comédia realizado pelo próprio Caruso, e é como se fosse uma espécie de Profissão Repórter do humor (com as devidas proporções respeitadas, é claro).

@ Multishow: quartas, 22h30.

 

Adoravel

Adorável Psicose: euem precisa de coadjuvantes com uma protagonista tão completa?

Adorável Psicose: era uma vez uma menina que tinha um blog, e esse blog virou série de TV. Essa é a história de Adorável Psicose, comédia  que é estrelada, escrita, editada e divulgada pela atriz Natalia Klein. A série conta a história de Natália, uma garota com sérios problemas psico-sociais. A cada episódio, vemos uma de suas consultas semanais com sua terapeuta, Dra. Frida, onde ela relata os seus dilemas vergonhosos, e como ela lida com eles (geralmente de maneira desastrosa e incomum).

A série está na sua quarta temporada, e confesso que a trama se perdeu um pouco, centralizando a história na protagonista e dando a impressão que estamos vendo um monólogo. Um indício dessa mesmice foi o estresse manifestado pela criadora da série nas redes sociais, afirmando que não houve queda de qualidade, mas sim “que o seriado foi feito para pessoas lúdicas e inteligentes”. (???) Da até para ver uma espécie de “síndrome de Lena Dunham nesse comentário).

@ Multishow: quartas, 22h.

O Multishow também existe várias propostas voltadas para realitys de viagens, programas voltados para o público jovem, música, programas de auditório, entre outros. Porém, o canal está abrindo novas possibilidades para que novos talentos apareçam, como atores, roteiristas e diretores. O mais o mais importante  é que o canal não tenta formatar o criador em seus moldes, e sim utilizar as qualidades desses artistas para criar seriados com o que eles sabem fazer de melhor.

No Brasil isso é importante, pois vivemos uma época onde os espaços na televisão para produtos nacionais estão sendo ampliados, e o seriado é uma boa opção para preencher esses horários. Com a descoberta de novos roteiristas, podemos ter no futuro produtos melhores e séries nacionais com cara de séries, e não um autor de novela escrevendo episódios sem começo, meio, fim e continuidade.