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Cuidado ao olhar diretamente nos olhos dessa mulher…

Quem é George R.R. Martin perto de Shonda Rhimes no que se refere a matar personagens que o povo ama? O velhinho barbudo tem que aprender com Shondão como realmente provocar a ira e o ódio dos fãs de suas séries. Mas não estou aqui para falar disso. Quero falar sobre como essa pessoa fofa trabalha com a vida e a morte nas suas séries. Até porque as últimas horas envolveram isso em duas de suas séries. E de forma embasbacante para muitos.

Menos para mim, que já estou vacinado contra os truques baratos dessa mulher.

Não é a primeira vez que Shonda Rhimes mata personagens queridos pelo público e de forma repentina. Essa tática pode ser usada de tempos em tempos pelos roteiristas. Isso é válido. Porém, Shondão eleva isso a níveis que outros não conseguem. Enquanto George R.R. Martin descarta os personagens amados de Game of Thrones com o objetivo de dar uma dinâmica maior à série (e mostrar aos fãs que o seu personagem preferido vai morrer de qualquer jeito), Titia Shonda usa a morte em suas séries praticamente como uma ferramenta terapêutica para ela mesma.

Ou para ser mais claro: é uma ferramenta de vingança para quem não está com ela na sua aventura de escrever histórias baseadas ‘na vida real’ (anham… sei…).

É claro que Grey’s Anatomy é a série onde Shondão mais explora o seu lado perverso de ser. Até porque é o ambiente propício para isso. Estamos diante de uma série onde a relação entre a vida e a morte está diretamente ligada ao plano de fundo da trama. Até porque o hospital é um dos locais onde a vida e a morte são praticamente protagonistas o tempo todo. A luta pela vida – ou pela manutenção da vida – é uma constante em todos os quase 250 episódios exibidos da série. Tudo bem, os dramas pessoais dos personagens sobrepõem essa luta constante de tempos em tempos.

Mesmo assim, é o cenário perfeito para trabalhar essa dualidade da existência humana. Na maioria dos casos, se alguém morrer, fica justificado pela própria fatalidade, ou pelo fato de que os médicos são humanos, e não podem salvar vidas o tempo todo.

Porém, nessa semana, Shonda Rhimes colocou essa relação entre vida e morte em uma espécie de ‘crossover’ das suas próprias séries. Mais: despistou todo mundo, evitando que um grande e devastador spoiler de Grey’s Anatomy viesse à tona antes do tempo. Seu plano diabólico deu certo e, nesse momento, tem muita gente muito p*ta da vida por causa dessa senhora.

Sabe, não me incomoda muito o fato de personagens importantes e queridos morrerem nas séries de Shondão. O problema é que a moça faz isso como um ‘ato de vingança’ contra alguns dos seus atores. Há uma ‘tradição’ que nunca foi oficializada, que indica que todo ator que pede para sair de Grey’s Anatomy acaba morrendo na série.

Temos duas exceções: Sandra Oh (Cristina Yang), onde a própria Shonda reconhece que muito do sucesso de Grey’s Anatomy foi por causa dela, e Katherine Heigl (Izzie Stevens), que na série é dada como desaparecida, e no mundo real também – o que é a mesma coisa de ter morrido nos dois casos (convenhamos: alguém aqui acredita que State of Affairs será renovada? Eu não!).

Isaiah Washington (Dr. Preston Burke) não conta: ele foi expulso da série. E Kate Walsh (Dra. Addison Montogomery) ganhou um spinoff só pra ela (Private Practice).

Os demais? Todos  morreram. George O’Malley (T.R. Knight), Adele Webber (Loretta Devine), Mark Sloan (Eric Dane), Lexie Grey (Chyler Leigh), Heater Brooks (Tina Marjorino)… sem falar no Denny Duquette (Jeffrey Dean Morgan), que nem era do elenco fixo, mas foi uma morte tão sentida, que a Izzie morreu junto.

Somando todos os personagens que são nomeados (ou creditados) em 11 temporadas de Grey’s Anatomy, já são 92 mortes computadas.

E essa lista aumentou no episódio exibido nos EUA ontem (23)…

ATENÇÃO! A PARTIR DE AGORA, SPOILERS DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS DE GREY’S ANATOMY E DE SCANDAL! SE VOCÊ NÃO QUER SABER, PARE DE LER O TEXTO AQUI! SE SEGUIR, SERÁ POR SUA CONTA E RISCO!

 

…com o nome de Derek Shepherd (Patrick Dempsey).

McDreamy morreu. Quase de forma ‘descartável’. Pior: Sheperd nem foi socorrido no Grey/Sloan Memorial Hospital, e foi vítima de decisões desastradas de outros médicos. É quase irônico ver que não foi nem a irmã dele que tentou salvá-lo.

A morte de Derek já era algo ‘esperado’. Dempsey já havia manifestado no passado que não queria passar da décima temporada na série. Aceitou renovar para a temporada 12 se a sua participação na série fosse reduzida – algo que aconteceu nessa temporada -, e por último, o ator passava por problemas pessoais que foram a gota d’água para ele pedir a sua saída da trama.

Shondão, com sua sede de sangue (e necessidade de destruir o seu ‘castelinho de cartas perfeito’ que ela constrói a cada temporada), matou Derek, para que ele nunca mais volte. Tal como ela fez com outros tantos.

Para completar o ‘plot twist da vida’, semanas antes da fatídica noite de ontem, a própria Shonda afirmou na imprensa que ‘um importante personagem iria morrer’, ou em Grey’s Anatomy, ou em Scandal. Pois bem, na semana passada, Jake (Scott Foley) foi mortalmente ferido em Scandal, e todos pensaram ‘bom, eis a tal morte prometida por Shonda’.

Ok. Logo depois da citada morte de Derek… adivinha quem NÃO morreu em Scandal?

Isso mesmo. Jake está vivinho!

Shonda Rhimes, além de brincar com a vida e a morte – matando um e dando a vida de volta ao outro – ainda deu um uma sambada na cara de todo mundo, enganando imprensa, críticos e telespectadores. Ter tamanho controle sobre as pessoas é algo sensacional sim. É a arte da manipulação se apresentando da forma mais vil possível. Parabéns para Shondão e o seu pacto com forças desconhecidas. Ela venceu de novo.

Só que tem um detalhe muito importante.

Já deu no saco essa história de necessariamente ter que matar alguém para promover uma grande virada de argumento nas suas séries. E, no caso específico da morte de Derek, Shonda tem mais responsabilidade nisso, pois ela foi a roteirista do episódio.

Temporada após temporada, Grey’s Anatomy se vale da tática de ter uma grande tragédia no final de temporada para mudar o panorama da série. É gente atropelada por um ônibus, tornado, inundação, avião caindo, mortes, vírus mortal, mais mortes…. sabe, é legal uma vez. Duas, quem sabe. Todas as temporadas terminarem com uma morte ou grande tragédia? Isso beira à preguiça para encontrar soluções mais ‘normais’ para os finais de um ciclo na série.

Tem muita gente lamentando a morte de Derek. Muitos outros amaldiçoando Shondão pela decisão. Talvez muitos desses dois grupos simplesmente abandonem Grey’s Anatomy por conta disso, mas entendo que muita gente também vai ficar só para ver ‘o que vai acontecer depois’.

Eu? Só dou risada. Faz tempo que essa senhora não me engana.