O mundo da séries norte-americanas perde mais uma de suas personalidades consideradas lendárias. O ator Larry Hagman faleceu na última sexta-feira (23), aos 81 anos de idade, vítima de complicações decorrentes de um câncer. O ator morreu ao lado de familiares e amigos mais próximos, após comemorar o feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos.

Segundo um comunicado familiar, Larry morreu de forma tranquila e ao lado das pessoas mais estimadas por ele, tal como o mesmo desejou. O ator é um dos raros casos daqueles que conseguiram ser mundialmente reconhecidos por pelo menos dois papéis na televisão, e em um caso em particular, um desses personagens perdurou por quase 50 anos.

O primeiro grande papel de Larry Hagman na televisão foi o do capitão/major Anthony Nelson, na série I Dream of Jeannie (ou Jeannie é um Gênio) (NBC). A comédia de cinco temporadas, criada e produzida por Sidney Sheldon, mostrava as idas e vindas do relacionamento do capitão Nelson, que cai acidentalmente em uma ilha, encontrando uma estranha garrafa, onde vivia o gênio das histórias das Mil e Uma Noites, Jeannie. Ela se apaixona por ele, ele se apaixona por ela, vivem altas confusões, e vida que segue.

Mas o personagem que coloca Hagman na história da TV é mesmo o de J. R. Ewing, em Dallas (CBS). Na primeira versão, estreada em 1978, Larry protagonizou um dos vilões mais amados da história. J.R. era corrupto, inescrupuloso, egoísta, manipulador, mas mesmo assim, atraente para as mulheres, sarcástico e bem humorado. E os americanos adoraram esse anti-herói. Nenhum outro poderia ter feito tão bem esse papel.

A série, que foi uma das primeiras da história a introduzir a arte do cliffhanger (recurso de roteiro utilizado na ficção, que é a exposição do personagem a uma situação limite, com uma solução dessa situação inesperada ou surpreendente, fazendo com que os telespectadores voltem para ver como aquela situação limite se resolveu), colocou J.R. Ewing naquele que é considerado o mais memorável cliffhanger da história das séries norte-americanas: “Quem atirou em J.R.?” Todo o país fez essa pergunta durante mais de três meses, e o episódio que revelou esse mistério teve uma absurda audiência de 83 milhões de telespectadores, com share de 76% de audiência. É a segunda maior audiência da história da TV norte-americana até hoje em horário nobre (primetime), só perdendo para a final de M.A.S.H., com 105.9 milhões de espectadores (77% de share).

O resultado disso? J.R. se tornou ainda mais amado pelos norte-americanos, colocando Larry na história da TV em definitivo. Recentemente, Hagman estava no elenco do remake da série da CBS, Dallas 2.0 (TNT), recebendo o mesmo destaque por “comandar” as ações maquiavélicas da trama, com sarcasmo e astúcia.

O ator era casado desde 1954 com a decoradora sueca Maj Axelsson, e deixa dois filhos.

Via The Guardian