meu malvado favorito

Eu decidi que para escrever sobre Meu Malvado Favorito 3 com justiça, eu tinha que rever os dois primeiros filmes, e escrever sobre eles. Logo, esta é a resenha sobre o primeiro Meu Malvado Favorito, de 2010.

Mas… falando nisso… quem é bom e quem é mau nessa vida? Quais são os motivos que nos levam a ser pessoas boas ou ruins? Por que vale a pena ser legal com as pessoas?

Meu Malvado Favorito consegue levantar essas questões, e entrega algumas respostas. Em uma animação infantil centrada em um personagem adulto, que é sim engraçado, irônico e atrapalhado, mas que levanta questões mais sérias, entendo que temos aqui um bom produto de entretenimento, que consegue alcançar crianças e adultos com finalidades diferentes.

 

 

As crianças vão se simpatizar com Gru, que na verdade não é o que podemos chamar exatamente de malvado. Ele é um babaca escroto e chato, que não tem amigos, não tem grandes aspirações na vida, e tem uma auto estima lá no pé, já que cresceu com uma mãe que nunca deu a mínima para o seu interesse pelas ciências. Aliás, Gru só se tornou “malvado” justamente por conta dessa infância com a já citada desconexão emocional com a mãe.

Até que um belo dia três meninas cruzam o seu caminho. Com o objetivo de usá-las para realizar aquele que seria o seu maior crime (roubar a lua), Gru adota as pequenas. Seu plano até que funciona, mas durante o processo, ele se dá conta do quanto vale a pena ter a companhia daquelas crianças, e o quanto ele se tornou mai feliz com elas no seu dia a dia.

Gru descobre que ser bom também é legal. Que fazer as coisas boas apenas e tão somente para ver o sorriso de uma criança vale muito a pena. Mesmo que para isso ele tenha que explodir a barraca de um jogo de parque de diversões, só porque a atração estava passando suas filhas para trás.

No ápice do filme, Gru mostra que aprendeu o que era ser um bom pai, mesmo que por linhas tortas. Quando as meninas ficam em perigo, ele deixa de lado suas aspirações e objetivos pessoais, e só pensa no resgate delas. Ali, ele já entende que ama aquelas crianças, de forma incondicional.

No final das contas, Gru entende que o grande legado que ele pode deixar em vida está justamente nas coisas boas que ele pode fazer por alguém. Nos gestos de amor e fraternidade por pessoas que amam ele do jeito que ele é. Curiosamente, a maior façanha da vida dele foi amar e cuidar daquelas crianças.

 

 

Meu Malvado Favorito ainda funciona em 2017, apesar de ser um filme que, ao meu ver, leva um tempo para engrenar. Os primeiros 30 minutos do filme são meio insossos, mas depois disso a trama pega ritmo, e os últimos 30 minutos conseguem te prender dentro da situação proposta, e te convencem a ir até o fim.

Aliás, os últimos 30 minutos do filme basicamente justificam uma renovação.

Mesmo com o problema já comentado um pouco antes, é um filme que tem mais acertos do que erros. É um roteiro simples, descomplicado e alinhado. Conta a sua história de forma que qualquer um que está assistindo entenda as motivações e aspirações dos personagens.

Na parte técnica, é um filme irretocável. Várias técnicas de animação se combinam, criando uma ambientação lúdica e imersiva dentro do tema proposto. É um filme que aposta muito no colorido, que apesar de um tanto quanto carregado, acaba sendo agradável aos olhos na maior parte do tempo.

Sem falar que o elenco de Meu Malvado Favorito é de peso: Steve Carell, Jason Segel, Russel Brand, Will Arnett, Kristen Wiig, Miranda Cosgrove, Ken Jeong, Mindy Kalling, Danny McBride, Jack McBrayer e até Julie Andrews, como mãe de Gru.

 

 

Meu Malvado Favorito, no final das contas, diverte. Tem piadas boas, é um filme “família” (apesar dos tiros, porradas, bombas e piadas com popô), brinca bem com a inocência infantil combinada com a sagacidade que os adultos pseudo espertos procuram trazer dentro de si quando se acham melhores que os outros, e entrega as tais lições morais que servem para todo mundo.

É um filme que é diversão garantida… e vendas de Minions garantidas em diversos segmentos do mercado.