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Gerações mudam e isso é fato. Hoje, o homem tem um novo papel na sociedade. Papel esse que exige que ele seja bem sucedido, equilibrado emocionalmente e fisicamente, conectado com os problemas das mulheres, bem vestido e intelectual. Aquela história do “macho brucutu” ficou no passado.

Mel Gibson e Bruce Willis não são mais os melhores exemplos do que é ser homem. Afinal de contas, explodir uma cidade para salvar a dama não é algo muito sustentável para o planeta. As mulheres hoje desejam algo como Justin Bieber e Robert Pattinson, ou pelo menos homens que se preocupam mais com o seu corte cabelo e figurino de baile. Homens mais sensíveis e levemente afeminados, mas não necessariamente gays.

E no meio desse conflito de testosterona, surgiram várias séries que tinham como proposta explorar a “psique” desse novo homem. Produções como How to be a Gentleman, Man Up e Work It tentaram mostrar de maneiras diversas o “verdadeiro novo homem” e falharam. Talvez porque, na minha opinião (falando como um homem), usar uma fórmula que funciona muito bem para as mulheres, que tem mais necessidades de verem seus problemas refletidos e explorados na TV, foi um tiro no pé. Ao meu ver, o melhor caminho é seguir e o princípio básico de uma comédia, que é fazer rir.

Esqueçam essa história de que todo homem quer assistir um exemplo de imagem articulada e autoconfiante, ou assistir três caras jogando videogames ou vestidos de mulher para pagar o aluguel. O homem simplesmente vai jogar videogame, e não vai se vestir de mulher (talvez isso só funcione no Zorra Total). Ele cura as suas amarguras no futebol nas quartas, no happy hour com os amigos na sextas e no barulho dos motores dos carros fórmula 1 aos domingos (além do futebol de todo domingo, ou do futebol que eventualmente passa nas terças e quintas). Claro que não estou generalizando. Existem homens que leem a revista Nova para desenvolver a sua sexualidade (as vendas da revista Playboy despencaram nessa atual década) ou fazem análise com a sua psicóloga freudiana.

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sitcon é a nova (velha) coqueluche da televisão

Mas eis que no ano passado o mundo conhece Men at Work, comédia criada por Breckin Meyer (o Jon Arbuckle do filme Garfield), que tem como objetivo principal fazer rir, sem citar filósofos alemães e nem criar uma monografia sobre o complexo de Édipo em Star Wars. A série é muito simples, já que é uma sitcon tradicional (parece que voltar ao básico está sendo a melhor opção para as comédias), com aquelas risadinhas irritantes, com cenários simples e platéia ao vivo. Com situações que você já deve ter visto em todos os lugares, como nos livros do Arnaldo Jabor, álbuns do Bon Jovi e filmes do Matthew McConaughey.

Men at Work trata sua trama de maneira bem simples, com piadas prontas e “trollando” esse homem que não é nem Rambo e muito menos Eduardo (o vampiro, não o meu chefe aqui no SpinOff…). É esse homem que está vivendo sua vida nesse novo mundo e o quão ridículo ele pode ser. Não existe desafio intelectual e nem câmera de documentário. Existe uma simplicidade e obviedade, que confesso, me fazem rir.

Os personagens Milo (Danny Masterson, de That 70s’ Show) no papel de sua vida, ou seja, o mesmo de That 70s’ Show, Gibbs (James Lesure de Las Vegas), interpretando o malando mulherengo e aproveitador de moças indefesas, Tyler (Michael Cassidy de Smallville e The O.C.), o metrossexual com trejeitos gays, e Neal (Adam Busch de Buffy, a Caça Vampiros), o contador nerd, noivo da filha do chefe, que no fundo só quer ser um super-herói.

Esses personagens não têm nenhum objetivo de ser o espelho do espectador na televisão, nem de mostrar as amarguras do universo masculino. Complicar às vezes é desnecessário (pelo menos em uma sitcom) e tentar entender a profundidade e sensibilidade masculina não é a coisa mais engraçada do mundo.

No fim do dia, ligamos numa comédia para parar de pensar e rir do absurdo da vida é. Men at Work é uma boa pedida. É uma série que não vai te ensinar nada e nem vai apresentar um tom contemplativo, filosófico e genial. Para isso existe Girls e a Lena Dunham com sua série de estética requintada e de enredo vanguardista (é o que dizem por aí).

Men at Work é uma série Homer Simpson, para quem quer ser Homer Simpson por 20 minutos: um cara que chega do trabalho e liga a televisão, pega uma cerveja na geladeira e só quer relaxar, sem pensar muito sobre porque que ele é desse jeito, ou o porque da sua existência nesse planeta tão desumano e cruel.

Men at Work estreou sua segunda temporada no dia 04 de abril, e registra uma média de 2.7 milhões de espectadores por episódio (audiência satisfatória pra TBS, que é um canal a cabo) e provavelmente nunca ganhará um Golden Globe ou Emmy. Por isso, podemos dizer que a série é o spinoff de Girls. Ao contrário.