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Caixas fortes, portas de acesso com leitor de digitais, contratos de confidencialidade, protocolos e certificados de segurança… poderíamos estar falando da segurança da CIA, mas estamos falando de algumas salas de dublagem e legendagem da série Game of Thrones (HBO).

Como é o processo que permite que 170 países do planeta assistam ao mesmo tempo a estreia da sexta temporada da série mais badalada da atualidade, ao mesmo tempo dos Estados Unidos?

Descubra nesse post.

 

O OK da HBO

Se você pensava que a rede HBO é bem restrita com o seu protocolo de segurança na hora de transferir os materiais de Game of Thrones, você esta 100% certo. A série estreia ao mesmo tempo em mais de 100 países, onde em alguns territórios é a própria HBO que se encarrega disso. Em outros países, são as redes locais que compram os direitos da série, e fazem todo o trabalho.

Para evitar os vazamentos dos episódios, uma vez que eles deixam as mãos da HBO, a rede que detém os direitos precisa seguir um complexo protocolo de segurança. Para permitir o simulcast com os Estados Unidos, tanto a rede como o estúdio de dublagem e legendagem responsáveis precisam cumprir determinadas medidas de segurança.

A HBO conta com um protocolo bem específico, que precisa ser implementado. Quando todo o material está pronto, as redes são avisadas, e um dos responsáveis pelo setor de segurança é enviado para realizar uma perícia completa nas instalações e em todos os elementos exigidos, para comprovar que tudo está do jeito que a HBO quer. Falaremos mais adiante sobre isso, mas adiantamos que elementos como caixas fortes e servidores de informática seguros são exigidos. Também é necessário que os profissionais que estarão em contato com esse material assinem restritos contratos de confidencialidade.

 

A HBO envia os episódios 10 dias antes

A HBO não manda um pequeno exército para proteger os episódios, mas falta pouco. Com tudo homologado para trabalhar com a HBO, eles armazenam em um servidor seguro do estúdio de dublagem e tradução uma primeira versão do episódio 10 dias antes dele ir ao ar. A versão “de trabalho” é bem diferente daquela que é transmitida para o telespectador: não é em HD, está em preto e branco, tem uma marca d’água gigante e elevado contraste, que deixam algumas cenas escuras ou com baixa qualidade visual.

Não é muito difícil de se imaginar por que eles fazem isso: em caso de vazamentos, os danos são menores com esse episódio do que com um com a versão final. Junto com o episódio, a HBO deixa também o roteiro em texto. Com esse material, começa o trabalho de tradução.

O estúdio de dublagem e legendagem faz o seu trabalho e, uma vez concluído, tudo é enviado para a correção, para que tudo tenha coerência com as traduções dos livros e da própria série. Se bem que no caso da sexta temporada haverá um material inédito, mas os passos serão basicamente os mesmos.

Quando essa fase é concluída, as legendas são feitas e incluídas no arquivo de trabalho. O estúdio de legendagem deixa tudo isso em um servidor seguro, para que eventuais correções finais possam ser feitas.

Paralelamente, começa o processo de dublagem. Se ajusta o roteiro traduzido (para adaptar as bocas dos personagens às frases traduzidas), e tudo volta para a supervisão. Uma vez aprovado, a dublagem em si é feita, assim como os seus ajustes de som.

Todo esse processo leva aproximadamente três semanas. Em alguns países, a primeira exibição do episódio é legendada e sem dublagem (com áudio original), e há um delay de pelo menos um semana para que a dublagem seja finalizada (os prazos podem variar de país para pais: no Brasil, por exemplo, a tendência é que tudo aconteça dentro dos dez dias, já que é a HBO que faz tudo).

 

O episódio, na sua versão final, chega sete dias antes

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A versão final do episódio, em alta definição, sem marcas d’água e sem contraste retocado, chega ao servidor seguro do estúdio de dublagem sete dias antes (terça ou quarta) da exibição nos Estados Unidos (domingo). Aqui é quando a HBO precisa ter um maior cuidado com esse conteúdo.

Com o vídeo que vai ao ar, o estúdio de dublagem prepara a cópia final que vai para o servidor seguro (até sexta). O material é armazenado dentro de uma sala com acesso restrito, onde poucos funcionários autorizados podem entrar com um cartão especial e com sua impressão digital.

Dentro da sala há uma caixa forte, onde é salvo o episódio legendado até o dia em que ele é transmitido. No dia da exibição, o supervisor da transmissão entra na sala, abre a caixa forte e acessa o material para deixá-lo pronto para a sua exibição. Uma vez que o episódio de Game of Thrones é transmitido pela HBO, são acionadas as medidas restritivas de segurança. Aqui, outras pessoas podem intervir, tornando os processos mais simples.

 

Vale a pena tudo isso por Game of Thrones?

Ao longo do processo, vários profissionais são envolvidos para que, em um tempo recorde, tudo seja entregue de forma correta e sem vazamentos. O processo é semelhante em todos os 170 países onde Game of Thrones é exibida simultaneamente com os Estados Unidos. Logo, em nome de todo esse esforço, é mais que compreensível que a HBO tome cuidados extremos com a segurança dos seus materiais.

A grande vantagem disso tudo é o “fator imediato”, tanto para Game of Thrones como para outras séries que estreiam simultaneamente com os Estados Unidos (Veep, Silicon Valley, etc), em uma estratégia anti-pirataria. Com isso, menos pessoas precisam recorrer ao download na internet para assistir ao episódio.

Não é de se descartar que todos os canais vão oferecer seus conteúdos desse jeito em um futuro próximo, mas ainda é um desafio para a maioria. Além do intenso processo de dublagem, também seria necessário rever as condições de segurança de cada distribuidora. O que descrevemos nesse texto vale para a HBO, mas com certeza cada produtora tem as suas regras.

 

Mas… o que aconteceu no ano passado?

Com todas essas medidas de segurança, como é que no ano passado vazaram quatro episódios de Game of Thrones antes de sua estreia?

Aqui está claro que não poderia ser as redes com os direitos, já que elas só recebem um capítulo por vez, dez dias antes, e com as condições já descritas. Logo, nesse caso em específico, a fonte de vazamento foi um screener para a imprensa. Por isso, a HBO decidiu não enviar cópias para os jornalistas nessa temporada. Não foi por isso que a HBO reforçou as medidas de segurança, já que o processo de homologação é o mesmo.

Pode ser que sejam medidas restritas e extremas, mas até agora tem funcionado: mais de 170 países recebem os episódios de Game of Thrones com antecedência, e em nenhum deles houve qualquer tipo de vazamento…

…até agora.