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Durante a exibição da final de MasterChef Brasil (Band), algumas das pessoas que se manifestavam nas redes sociais levantaram uma questão pontual: “se a final do programa era ao vivo, por que não fizeram a prova final do programa ao vivo também?”. Como não existe pergunta ruim nesse mundo (tá, existe, mas não é bem esse caso), decidi fazer esse post para ajudar a responder a questão.

Em via de regra, os realitys competitions trabalham muito com dois fatores que determinam o seu sucesso: produção e edição. A produção de MasterChef Brasil, apesar de ser muito menor que de uma novela ou série, é consideravelmente grande e complexa, e dentro de sua estrutura algumas coisas impedem que uma prova final seja realizada ao vivo. E a produção é um dos mais importantes deles.

No caso da final (ou semi-final e final, já que elas foram gravadas no mesmo dia), a produção de MasterChef Brasil teve que trabalhar com um fator que não foi utilizado ao longo da temporada inteira: os cardápios pré-definidos pelos finalistas para aquela prova. Raul, Izabel e Jiang (esta última eliminada na semi-final) determinaram os cardápios para prepararem a entrada, prato principal e sobremesa para essa prova final. Tanto, que esses ingredientes estavam disponíveis no supermercado do programa. Convenientemente.

Esse trabalho de produção requer tempo e antecedência, e MasterChef Brasil tem como um dos seus grandes pontos positivos a produção. Mas esse nem é o motivo principal para não acontecer uma final ao vivo. É apenas um dos fatores.

A edição é o que faz todo e qualquer reality ter a sua graça. É o coração pulsante desse gênero de programa televisivo. Sem edição, ele vira um Big Brother (e até mesmo o Big Brother usa de MUITA edição para se tornar minimamente interessante e atraente). E nenhum reality competition abre mão disso. E não haveria por que MasterChef Brasil ser diferente. Outras competições culinárias (Hell’s Kitchen, Top Chef, etc) e realitys de outros gêneros (The Amazing Race, Survivor, etc) também não realizam a final ao vivo, pelos mesmos motivos. No máximo tem o anúncio do vencedor ao vivo, e só.

Nem vou falar do tal ‘caso do cartório’ que rolou nas redes sociais. O grande risco que todo programa pré gravado possui hoje na era da internet é ter os resultados vazados na web. Não é a primeira vez, e não será a última. Logo, relaxem crianças. Se até a Band ‘brincou’ com isso (divulgando a vencedora no Twitter antes da TV), é sinal que a vida vai seguir bem desse jeito.

Outros fatores foram determinantes para a escolha em não realizar a prova final ao vivo. A Band queria um grande evento para o final da segunda temporada de MasterChef Brasil, e seria colocar tanto Raul como Izabel em uma situação de pressão extrema desnecessária fazendo os dois cozinhar os pratos de suas vidas em um cenário completamente diferente daquilo que foi a competição inteira.

Pense: você, cozinhando para vencer algo que vai mudar a sua vida, com 200 pessoas no estúdio gritando, toda a pressão de lá de fora, a Ana Paula Padrão falando coisas desnecessárias… se só com os familiares eles já queriam matar todo mundo para ficar em silêncio, imagine com esse povo todo?

Sem falar que a maioria das pessoas não iriam aguentar ver todos o processo de preparo dos pratos do começo ao fim. Se aguentassem, o Programa da Palmirinha não teria intervalos comerciais. Ou você quer ver 10 minutos de batedeira e liquidificador funcionando?

E aí voltamos ao tema da edição, que é o que dá ritmo ao programa (e é por isso que vocês gostam dele).

Além disso, a Band precisa trabalhar com o fator segurança. Se alguma m*rda grande acontece (alguém se ferir com gravidade, uma eventual briga entre os finalistas, a cozinha explodir…), eles nem exibem. Há interesses comerciais elevados demais que fazem com que o canal se proteja de eventuais problemas que resultem em perdas comerciais.

Os únicos realitys que se permitem a ter uma final ao vivo é mesmo nos programas do tipo A Fazenda e Big Brother (onde as pessoas que estão lá não precisam apesentar qualquer tipo de talento), nos realitys musicais (onde por toda a competição os competidores passaram pelo mesmo ambiente que eles vão enfrentar na final, com uma óbvia pressão maior), e na franquia O Aprendiz (onde é um cara que decide o vencedor na hora e, mesmo assim, a prova final é pré-gravada).

Logo, não há motivos para reclamações. A temporada de MasterChef Brasil foi excelente (apesar de programas com 2h30 de duração e Ana Paula Padrão…), mesmo sem ver os finalistas cozinhando ao vivo. Aceitem que dói menos, e esperem pacientemente pelo dia 20 de outubro, data de estreia de MasterChef Júnior Brasil.