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Mad Men (AMC) iniciou a sua temporada final, e esse é considerado um grande evento. É uma das séries mais importantes dos últimos anos, e desde a sua estreia (agosto de 2007), a série ganhou quatro Emmy Awards consecutivos como melhor drama, redefinindo o gênero em vários níveis.

Mas para aqueles que não viram ou não se apegaram à série, a pergunta que vem à cabeça é: por que tanta gente está se importando com o final de Mad Men?

É verdade que a série de Don Draper não foi feita para todo mundo, e não chega perto da obsessão quase patológica pelo final de Breaking Bad, mas os fãs e críticos da história criada por Matthew Weiner querem dizer adeus da melhor forma possível.

Então… o que Mad Men tem para merecer toda essa atenção?

 

Mad Men, a série que colocou o AMC no mapa

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Um dos aspectos mais interessantes de Mad Men é como o seu sucesso inicial de crítica foi mais que suficiente para colocar no mapa um canal da TV a cabo dos EUA que de pacote básico, mas muito conhecido pelos seus filmes de terror no Halloween, pelo Fearfest e… só. O AMC estreava a sua primeira produção original em séries um ano depois do fim de The Sopranos na HBO. E deu sorte que ninguém encontrou outra série no mesmo nível para tomar o seu lugar.

O ‘vazio’ aproveitado pela AMC veio de um ex-roteirista de The Sopranos, Matthew Weiner, que apresentou o projeto primeiro para a HBO, que recusou. Com sorte, ele encontrou um canal que queria construir uma imagem de marca diferenciada dos seus concorrentes, através de produções originais, tal como a HBO fez no final da década de 1990.

Weiner teve total liberdade e controle criativo para fazer a sua série, inciando uma nova era na TV norte-americana, que é conhecida hoje como a ‘era das séries de autor’.

Esse sucesso imediato do AMC, tanto com Mad Men como com Breaking Bad, fez com que mais e mais canais a cabo apostassem em produções originais, buscando se posicionar no mesmo patamar de canais como HBO, Showtime, FX e, mais recentemente, a Netflix, que por conta de House of Cards conseguiu a visibilidade de público e crítica (depois, com Orange Is the New Black).

Podemos dizer que o AMC representa a evolução do modelo de negócio da HBO, e que a Netflix é uma evolução do formato adotado pelo AMC. Mas falaremos sobre isso em outra oportunidade.

 

Quem é Don Draper?

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Mad Men começa contando quem é Don Draper, o gênio das agências publicitárias de Nova York na década de 1960. Os homens que trabalhavam na Madison Avenue se consideravam a elite, e acreditavam que, por direito, poderiam querer o que quisessem, e tinham pleno controle do chamado ‘sonho americano’. Draper encara perfeitamente esse perfil, pois é um homem feito de si mesmo, se reinventando de uma origem muito humilde para ser um vencedor.

Mas Draper, como o próprio ‘sonho americano’, guarda segredos, e um lado obscuro e conflitante, que vai se revelando aos poucos. Mad Men é a crônica de como o seu protagonista vai caindo lentamente, e como o tempo muda tudo com muita velocidade. O próprio Draper não é capaz de adaptar na mesma velocidade, e em determinado momento ele não é capaz de seguir vivendo de sua superficialidade e ideias felizes na hora de vender uma campanha para um cliente.

E o início do fim para ele é marcado pela ascensão de uma nova geração, representada por Peggy Olson.

Se Draper lançou ao estrelado um então desconhecido ator como Jon Hamm, Peggy fez o mesmo com Elisabeth Moss. Mad Men é, em boa parte, a história de aprendizado e evolução de Peggy, que saiu da tímida secretária da primeira temporada para a experiente publicitária da sétima, vivendo todos os passos da liberação feminina durante a década de 1960.

 

Mad Men e seus personagens

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Uma das críticas mais comuns à Mad Men é que ‘nada acontece na série’, ‘sua narrativa é muito lenta’, e que muitas vezes eles querem passar mais tempo mostrando Don fumando e olhando pela janela do que contar uma história interessante.

Vale a pena explicar que Mad Men é uma história sobre seus personagens, onde as capas de Don Draper são descobertas, e o telespectador é testemunha sobre como ele vai resistir a se deixar levar pela epítome daquela vida perfeita que ele vendia, ou na luta de Joan por ser respeitada e valorizada pelo seu trabalho, ou sobre a evolução de Peggy na sua carreira profissional.

Com o avanço da série, seus personagens femininos ganharam mais importância: as aspirações laborais de Peggy, o crescimento de Sally como uma adolescente rebelde, a Betty que se sentia atrapalhada na imagem de perfeição do ‘sonho americano’, que a limitava como um acessório do seu marido…

Betty, Peggy, Joan e Megan ganharam importância em relação aos homens da série, que se limitaram a ser fósseis do passado. E de propósito.

Se The Sopranos era a referência do começo da década de 2000 nas produções televisivas, Mad Men estabeleceu uma evolução nesse padrão. É uma série onde o formato (ambientação da época, fotografia, a forma de compor os planos de cena, etc) é tão importante como o conteúdo, onde Don Draper redefiniu o conceito de ‘anti-herói’ que Tony Soprano definiu tão bem, e que, ainda que não pareça, tem um ótimo senso de humor.

Uma coisa é certa: quando Mad Men exibir o seu series finale, a TV nunca mais será a mesma.