Logan

 

Uma jornada de 17 anos chega ao fim. Uma jornada que modificou muita gente. E eternizou Wolverine de forma definitiva na cultura pop.

Logan dá desfecho à trajetória de Hugh Jackman na pele de um dos personagens mais populares das franquias da Marvel, e o mais popular dentro da saga X-Men. Entre tantos erros e acertos que a 20th Century Fox promoveu na franquia da história dos mutantes ao longo dos anos, podemos dizer que o filme que conclui a história desse personagem (pelo menos até onde sabemos nesse momento) é um baita de um acerto.

Um acerto principalmente para os fãs, que é o que realmente importava.

 

Talvez Hugh Jackman vai ser eternizado por ter interpretado Wolverine por tanto tempo. Mas Logan não apenas entrega o desfecho da história individual desse personagem. Mas faz isso com dignidade, honestidade e verdade. Mostrou um protagonista fragilizado, quebrado, humanizado. Decadente.

Vemos o último ato de um Logan que não tem mais muitas forças para lutar, mas se nutre da principal virtude de herói para seguir lutando pelo o que ele acredita: de coragem. Ao mesmo tempo, o aspecto do anti-herói, de passar pelo limiar da moralidade para fazer o certo e o errado, a justiça pelas próprias mãos, mesmo que caminhando de forma solitária e independente da ideia de senso comum e de coletividade, algo sempre pregado por Charles Xavier quando reuniu os X-Men.

O “juntos vamos prevalecer” nunca fez parte da filosofia de Logan, que ao longo do tempo foi ferido, traído, enganado e ameaçado até mesmo por quem estava lutando ao seu lado em torno de um bem comum. Além disso, ele jamais lidou direito com as perdas da vida dele, principalmente aquela que custou salvar a todos, mesmo que isso matasse parte dele (aka Jean Grey).

Logo, o filme que estreia oficialmente hoje no Brasil é a síntese de toda essa jornada. O filme mostra um Wolverine em estado puro. Um personagem, como já destacado, marcado por todos os acontecimentos do tempo, mas que mostra o seu senso de moralidade se refletindo da sua forma mais visceral. Explosiva. Com raiva.

Provavelmente vimos o melhor Wolverine dos cinemas nos últimos 17 anos. Mas com certeza o Wolverine de Logan era a aquele que todos esperavam ver ao longo desses 17 anos.

Um anti-herói que ligou o f*da-se para tudo, e passou a ditar suas leis. Sem se importar com o rastro de sangue e destruição que vai deixar.

Sem deixar o mundo julgá-lo pelos seus atos.

 

 

Estamos diante do filme mais violento da história da Marvel, e não entenda que essa violência é desnecessária. Dentro da proposta abordada e do contexto já dissertado nesse texto, Logan é um dos filmes mais coerentes que você pode ver em 2017 nesse aspecto. Qualquer coisa abaixo disso poderia fazer com que o personagem parecesse descaracterizado de sua essência, perdendo assim parte do impacto emocional que a história queria passar.

Um roteiro muito bem construído, em uma história muito bem contada, ao mesmo tempo, em uma proposta simples. Aliás, a ideia de que “não existe um único Wolverine, apesar de Wolverine ser apenas um só” é algo bem interessante. O legado, o espírito do personagem e sua filosofia de vida pode se fazer presente em outras pessoas, em outros personagens. Não que Logan permanecerá ou vai reencarnar, mas a essência pode passar para outros mutantes.

Até porque os mutantes ainda existem.

A produção de Logan é outro ponto alto de um longa com várias cenas de externas. Tecnicamente, é um filme que agrada os olhos, com um resultado final ajustado para aquilo que se propõe a entregar.

Mas o mais importante de Logan é, sem dúvida, a história que conclui a história.

 

 

Provavelmente seus olhos vão terminar marejados quando os créditos começarem a ser exibidos. Você sente que realmente terminou essa saga, e que o fim vai deixar uma sensação de vazio. Ao mesmo tempo, deixa a imagem de dever cumprido, e a certeza de que acabamos de ver um dos melhores filmes de 2017.

Logan é diversão garantida. Agrada fãs do X-Men, fãs dos quadrinhos e fãs do bom cinema. Mostra o melhor do personagem, o melhor de Hugh Jackman e o melhor da história de Wolverine, que entra para a posteridade.

Talvez o personagem passe a ser um dos icônicos do cinema depois desse filme. Até porque precisava de um filme como esse para alcançar esse status.