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A morte pede carona, e não pede passagem. Tudo o que nasce, morre. É uma regra imutável, que você pode postergar, driblar algumas vezes, ou até mesmo ressuscitar em casos raros. Mas nasceu, tem que morrer (exceto quando você se chama Jon Snow). As séries de TV passam pelo mesmo processo, e desde a última quinta-feira (12), os cancelamentos foram dos mais diversos, marcando o fim da temporada 2015-2016 da TV norte-americana.

O festival de cancelamentos se fez presente onde já era esperado, na maioria dos casos. Séries com baixa audiência não podem mais gastar o dinheiro dos canais e o tempo dos telespectadores. Até mesmo a audiência precisa ser livre para ver outros programas. Logo, é preciso deixar morrer aquelas séries que pouco são apreciadas, seja pela baixa qualidade, ou seja porque ninguém dá bola para elas.

Alguns casos pontuais estavam na UTI a algum tempo, e só precisavam ver os seus aparelhos desligados. Dois exemplos bem emblemáticos: CSI: Cyber (CBS) e Nashville (ABC). Nada contra as duas produções, que até me eram simpáticas. Porém, as duas já causavam angústia por conta da baixa audiência obtida. Não se sustentavam na grade de programação nem pelo prestígio. Que dirá por conta de base de fãs ou audiência qualificada. Nos dois casos, a morte foi melhor.

O mesmo exemplo da regra anterior pode ser aplicado para Marvel’s Agent Carter (ABC), que era o amorzinho da audiência, mas que não tinha audiência alguma. Ao menos liberou a menina Hayley Atwell para fazer outra série na própria ABC. O duro é a ironia de ver sua personagem desaparecer do universo Marvel em duas frentes (já que Peggy Carter morreu em ‘Capitão América: Guerra Civil’.

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Aliás, a ABC mais uma vez fez a sua tradicional ‘limpeza’. Cancelou um monte de séries para estrear outras tantas que terão grandes chances de naufragar. Um destaque especial para as mortes que se tornaram bem óbvias de acontecer conforme a temporada foi avançando: Galavant teve uma segunda temporada simplesmente horrorosa; The Muppets, apesar de seu o meu ‘giulty pleasure’, não disse a que veio, sendo esquecida pela grande maioria da audiência; e The Family não teve a menor chance. E não teria mesmo. Foi melhor assim.

A grande exceção da regra da ABC foi o cancelamento de Castle, que só morreu por falta de grana mesmo. Sem Stana Katic, a série não seria a mesma, não faria muito sentido, e entendo que este é um caso que os fãs mais convictos da série até vão agradecer pelo fim. Ainda mais se houver alguma chance de Beckett sobreviver no final da série.

Ou seja, a última temporada de Paul Lee como CEO da ABC deixou heranças malditas de várias espécies.

A NBC também fez uma bela limpeza, cancelando várias séries obsoletas e desnecessárias na grade, mostrando que Bob Greenblatt também dá suas caneladas. Se bem que, nesse caso, cancelou o que tinha que cancelar no canal do pavão. As novatas que não deram em nada precisavam morrer e bem rápido, que é para as pessoas não se apegarem e não fazerem campanhas na porta do canal para que a série volte ao ar. Logo, ninguém vai sentir falta de Crowded, Game of Silence, Telenovela (ok, eu vou, mas é melhor assim: vocês não estão prontos para o humor bagaceira latino…) e, principalmente, Heartbeat, que prometeu ser o Grey’s Anatomy 2.0, mas foi quase um Off The Map 2.0, de tão sem sal que foi.

E até que enfim Greenblatt se lembro que tinha que cancelar Undateable, comédia que, mesmo sendo exibida ao vivo, ninguém se lembrava que ela estava no ar. Aliás, surpreendente como algo tão ruim conseguiu chegar na terceira temporada.

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Talvez The Mysteries of Laura cause uma certa comoção entre os leitores por conta do seu cancelamento. Por incrível que pareça, a NBC cancelou uma série que ganhou audiência no seu final de temporada. É possível que aqui a gente tenha um cancelamento prematuro, mas levando em consideração que Chicago Justice foi aprovada, ela ficou deslocada em uma noite que pode ser dominada por Dick Wolf, em uma nova série que pode render um ótimo crossover triplo, com Chicago P.D. e Law & Order: SVU.

Sem falar que a NBC aprovou The Blacklist: Redemption. Ou seja, por incrível que pareça, falta espaço na grade de programação do canal para tanta série. Alguma coisa tinha que ser assassinada entre as séries que estavam no ar.

A Fox foi outra que fez o que tinha que fazer. Cancelou as novatas The Grinder e Grandfathered, uma vez que ambas não davam audiência alguma. A comédia jurídica de Rob Lowe e Fred Savage foi mais uma que prometeu ser diferente, mas foi tão chata quanto tantas comédias exibidas pelo canal da raposa. Já a comédia protagonizada por John Stamos foi até uma surpresa no seu começo (justamente por ter John Stamos como protagonista e, ainda assim, ser assistível), mas se pensarmos que o parâmetro para qualquer comédia no canal é ter uma demo acima de 1.0, fica difícil renovar essa produção.

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E Second Chance, hein? Posso erguer a placa do ‘EU JÁ SABIA DESDE O PROMO QUE ESSA B*STA SERIA CANCELADA‘?

Eu bem que tentei avisar. E não falei por causa apenas da premissa, onde só eu que fiquei do lado de fora do mundo regado à drogas pesadas da fantasia entendi que era muito ruim para se manter no ar. A audiência de Second Chance foi ridícula, mostrando claramente que ninguém se importou com o código do Frankenstein.

Se bem que muita gente se agarrou na esperança criada por Sleepy Hollow, que não morre de jeito nenhum.

Ainda na CBS, Rush Hour também disse adeus. Mas, convenhamos: essa não precisava nem vir dizer ‘olá’ para a gente. O piloto foi bem fraco, e a audiência simplesmente não se importou com a série. Fica a lição: não adianta apostar em reboot e remake como se não houvesse o amanhã. Se não souber fazer, não vai engrenar. Não adianta apostar só na marca. Tem que ter qualidade.

Ah, sim… a CW cancelou Containment, onde fiquei sabendo que o vírus não é mais o foco da série. Mas era uma ‘limited series’, ou seja, nasceu para morrer rápido.

Enfim, a morte faz parte da vida. É um processo natural, onde sempre a última das cinco fases do luto é a aceitação. Esse post só teve como objetivo acelerar esse processo, e mandar um “aceita que dói menos”. Mesmo porque vem uma nova temporada de séries que vamos amar, odiar, amar odiar e desejar o cancelamento nos mais diferentes níveis.

Deixem a morte passar, para que novas vidas possam surgir no seu caminho. É o conselho que deixo para vocês.