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Acabo de assistir ao filme Homem-Formiga, nova obra da Marvel Cinematic Universe, que não só tem a missão de dar continuidade aos planos da Marvel em contar a sua história nos cinemas, mas também de apresentar um novo personagem para o grande público. Os fãs dos quadrinhos já o conhecem, mas o ‘galerê’, a grande massa consumidora, e metade da torcida do Flamengo foi apresentada ao personagem agora. Eu, inclusive.

Antes de ver o filme, conversei com alguns fãs que estão mais ‘por dentro dos paranauê’ do que acontece nos quadrinhos, e eles me explicaram que Scott Lang (Paul Rudd) é, na verdade, o segundo Homem-Formiga nos quadrinhos. O primeiro é Hank Pym (Michael Douglas), criador do traje que é capaz de reduzir um indivíduo mas mantendo a sua força e agilidade, o que o tornaria 50 vezes mais forte que um homem normal, só que em um tamanho diminuto.

Tal como acontece com uma formiga.

Isso é explicado no filme (felizmente), e isso deve acalmar os fãs mais revoltos. Sem falar que algumas conexões do passado de Pym com a história que já conhecemos no cinema podem recontar a história teoricamente perdida na saga Vingadores (onde nos cinemas Tony Stark e Bruce Banner ‘criam’ o conceito inicial do Ultron, e não Pym, como é originalmente nos quadrinhos).

De qualquer forma, isso tudo é teoria. Fato é que temos uma nova história, um novo herói que foi inserido dentro desse universo, e diferente do que eu mesmo poderia imaginar, o filme até que tem uma certa dose de ‘sentido’. Digo isso porque, na minha ignorância sobre o universo dos quadrinhos da Marvel, achava que esse tipo de filme não poderia dar certo. Mas até que funcionou.

Primeiro, você precisa ‘embarcar na viagem’. Tal como todos os outros, você precisa comprar a história que é contada na tela. Até porque vive-se em um mundo de fantasia quando se vê um filme desse tipo. Porém, fica mais fácil de comprar quando a tecnologia entra na história. Não que exista uma empresa que vai sair por aí encolhendo pessoas, mas a forma explicada é perfeitamente plausível, ou minimamente convincente para inserir o personagem na história.

Além disso, Homem-Formiga se vale mais uma vez de um roteiro minimamente bem feito. Não é impecável, mas não comete grandes furos. Talvez algumas torcidas de narizes por conta de alguns mais exigentes em alguns acontecimentos específicos. Mas nada que venha a estragar a diversão de quem está assistindo.

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De um modo geral, Homem-Formiga é um filme de regular para bom. É menos impactante que os demais filmes dos outros membros principais dos Vingadores, mas cumpre bem o seu papel de apresentar o personagem, inserir o mesmo dentro da história que já está em andamento, e divertir o público.

Seu começo pode ser mais arrastado e problemático. Até porque conta a história padrão do bandido que quer se regenerar para reconquistar o amor da filha. Isso não é nada original, muito menos interessante. Mas a partir do momento que Scott decide assumir a sua missão de ser o Homem-Formiga, o filme começa a andar. E deslancha.

É interessante ver o processo de desenvolvimento desse herói, como as formigas vão ajudá-lo para isso, e como até mesmo os seus atrapalhados amigos o ajudam na missão mais perigosa de todas, que é o motivo principal para o filme existir. E tudo em um bom ritmo de filme de espionagem. E isso ajuda a oferecer um saldo positivo para o filme no final das contas.

Paul Rudd está muito bem no papel de protagonista. Michael Douglas impagável no papel de gênio cientista/pai protetor. E Evangeline Lilly, apesar dos pesares, parece não comprometer – e deve garantir a sua sobrevivência nos próximos filmes -. E a melhor coisa de Homem-Formiga foi ter contado a sua história sem parecer algo ridículo. Sim, amigos… o filme facilmente poderia cair no patético apenas pela existência de um herói desse porte. Mas não: tudo é feito dentro de um equilíbrio na hora de contar uma história de fantasia, com várias doses de tecnologia, e as tradicionais pitadas de humor presentes nos filmes da Marvel.

Por fim, para os mais curiosos: são duas cenas pós créditos, e ambas falam sobre o futuro do Homem-Formiga e da saga Vingadores, dando gancho mais que direto e explícito para ‘Capitão América: Guerra Civil’. Resta saber como os roteiristas vão inserir o personagem nos próximos filmes, e principalmente Hank Pym, que nos quadrinhos, toma um caminho relativamente diferente do que teoricamente ele deve assumir nos cinemas. A conferir.

Homem-Formiga vale o ingresso sim. É diversão garantida. Os mais exigentes dirão que é mais fraco que os últimos vistos, mas isso já era esperado. O objetivo principal não era ser um filme tão impactante quanto ‘Capitão América: O Soldado Invernal’, por exemplo. Mas sim apresentar um novo personagem. Um novo herói que pode sim se encaixar perfeitamente no time dos Vingadores.

Parabéns, Marvel. Acertou de novo.