Homem-Aranha: De Volta Ao Lar

Seja bem vindo, Peter Parker! Seja bem vindo, Homem-Aranha!

Homem-Aranha: De Volta Ao Lar traz o herói de volta ao mundo onde ele originalmente pertence: ao núcleo dos Vingadores. Ele estava de fora dessa estrutura narrativa desde o começo do projeto da Marvel Cinematic Universe, já que a Sony estava com os direitos do herói. Na verdade, ainda mantém esses direitos, mas é a Marvel agora quem manda nos destinos do personagem. E essa foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Não me entendam mal. As outras duas trilogias envolvendo o Homem-Aranha até me divertem, mas cometeram erros grosseiros. Nem falo tanto dos dois protagonistas, já que Tobey Maguire até me era simpático, apesar de fazer um Peter Parker perdedor. E muita gente elogia Andy Garfield no papel, apesar de particularmente achar ele velho demais para o papel.

Com Tom Holland, temos o primeiro erro corrigido. O ator tem apenas 19 anos de idade, ou seja, temos tudo para ver a sua evolução com o personagem por alguns anos. Podemos finalmente ver o Homem-Aranha se desenvolver e se tornar um verdadeiro Vingador, com todas as letras. Aliás, isso fica bem claro ao longo de todo o filme. Todo o enredo principal está calcado nessa necessidade clara de mostrar ao mundo que o Homem-Aranha existe, mas ainda não é “O” Homem-Aranha que vai lutar ao lado dos Vingadores na Guerra Infinita.

Outro erro cometido pelas outras franquias que (graças ao bom Deus) Homem-Aranha: De Volta Ao Lar corrige de forma sábia é: não vamos ver a origem do herói sendo retratada nas telas!

 

 

Sério, eu não aguentava mais ver a cada reboot como Peter Parker se tornou o Homem-Aranha. Acho isso um problema sério dos reboots de heróis famosos. Batman e Superman caíram nesse erro na nova fase da DC Universe nos cinemas. Afinal de contas, todos esses personagens que citei são mundialmente conhecidos, e a grande maioria das pessoas já sabem a história da origem deles de trás para frente. É diferente do Mulher-Maravilha, que apesar de ser uma personagem conhecida, nem todos sabiam a origem dela (e, nesse caso, temos um grande acerto).

Logo, você já começa o filme com o Homem-Aranha como uma realidade. Ele já existe, já enfrentou parte dos Vingadores, e agora precisa aprender a ser um herói na essência.

Uma coisa que me deixava preocupado antes de ver o filme é: que não seja um filme onde o Homem de Ferro/Tony Stark rouba a cena para ele. E, de novo, graças ao bom Deus, isso não acontece! Tenha a certeza que você vai aos cinemas para ver um filme do Homem-Aranha, onde o Homem de Ferro aparece em momentos pontuais. E digo mais: sem ele, o filme seria bom do mesmo jeito. Sua participação é importante para a trama, mas não decisiva.

Aliás, temos aqui um ponto bem interessante de sua estrutura narrativa.

 

 

Ao mesmo tempo em que os eventos que culminaram na história central do filme estarem diretamente conectados ao universo dos Vingadores, o filme está totalmente voltado ao maior aprendizado de Peter Parker como Homem-Aranha: ser herói não é ter uma roupa ultratecnológica. Ser herói é o que está dentro de você.

Nesse quesito, Tony Stark é mesmo o melhor tutor que Peter Parker poderia ter. É o mais apto dos Vingadores para lidar com a rebeldia da juventude (mesmo porque Tony mantém esse espírito rebelde até hoje) e entender o afã de Peter em querer salvar o dia e queimar estágios na sua escala evolutiva na tentativa de se tornar o mais depressa possível o grande herói que ele ainda vai ser, sem falar que Tony sabe muito bem o que é ser um herói sem poderes, precisando superar a si mesmo para o bem comum (fez isso claramente em Homem de Ferro 3, lembram?). Tony entende muito bem essa essência e, talvez por isso, se tornou o Homem de Ferro que hoje é muito mais capaz e poderoso do que aquele que conhecemos no primeiro filme da MCU.

Dito tudo isso, Homem-Aranha: De Volta Ao Lar é um filme com roteiro bem honesto. Precisamos sempre lembrar que esse projeto foi enfiado à fórceps na linha de tempo da Marvel Cinematic Universe, já que esse filme originalmente não estava programado para acontecer. Era um projeto de risco em vários níveis, incluindo o fato de que seria o terceiro reboot do personagem em pouco tempo. Além do possível desgaste da imagem do personagem, o filme tinha tudo para ser um erro catastrófico, podendo arranhar a imagem de um projeto que, até o momento, tem mais acertos do que erros.

Mas não é o que acontece. Estamos diante de um filme bem estruturado na sua narrativa, coerente na sequência lógica de acontecimentos, bem alinhado com a saga que já estava em curso, com um bom ritmo, sem cansar quem está assistindo, e com um começo, meio e fim que condizem com a ideia principal de mostrar a primeira grande missão de Peter Parker como Homem-Aranha.

A narrativa também mostra em como ele está mesmo um degrau abaixo dos Vingadores. No começo dessa saga, o vilão interpretado por Michael Keaton facilmente seria enfrentado por Tony Stark. Mas depois do Homem de Ferro derrotar ameaças alienígenas e um androide maluco que ele mesmo criou, um urubu metálico é fichinha, e o novo garoto do bairro pode resolver a questão sem maiores traumas.

 

 

Tom Holland é mesmo um bom Homem-Aranha. Totalmente conectado ao universo jovem atual, algo que a Marvel precisava ter entre os seus heróis principais se quisesse seguir adiante com o seu projeto nos cinemas. A conexão com as novas gerações de cinéfilos é fundamental para obter uma longevidade no arco principal. Mesmo porque Guerra Infinita marca o fim de um ciclo, e alguns dos heróis que começaram a saga Vingadores devem dar adeus para sempre depois dos dois filmes.

Para concluir, Homem-Aranha: De Volta Ao Lar é mais um acerto da Marvel. Salva o personagem dos desastres que foram os últimos filmes produzidos de forma solitária pela Sony, e integra bem o personagem no universo que já estava em bom funcionamento sem ele.

O filme é diversão garantida. As referências de cultura pop são muito bem sacadas. É um filme leve, divertido, bem produzido, bem roteirizado, com bom elenco (com algumas voltas pontuais)… o que mais você pode pedir da vida?

Ainda mais em se tratando de um filme que foi feito “às pressas”…