Guardiões da Galáxia Vol. 2

 

A família que você escolhe. Aquela pela qual você luta até o final.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 é mais um acerto da Marvel. Fato. Serei redundante se eu começar o texto assim. Mas é melhor dizer logo a verdade para depois me deliciar escrevendo sobre ele. Então, de forma simples e direta, é mais um filme desse projeto da Marvel Cinematic Universe que vale o ingresso, com diversão garantida para quem vai assistir.

Mas não posso me limitar a isso.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 consegue algo realmente muito difícil: tratar de temas sensíveis sem ser piegas, sem cair no melodrama, e sem querer fazer você chorar de forma desnecessária no momento errado. É um filme melhor estruturado do que o primeiro, apesar de ser um roteiro relativamente raso e previsível. Mas quem se importa com histórias previsíveis quando ela é bem contada?

Pois é.

 

Temos um filme que mostra um natural amadurecimento desses personagens. Suas personalidades estão mais definidas, permitindo assim dar margem para explorar seus sentimentos de uma forma mais identificável junto ao público. Isso era algo fundamental para um roteiro que tinha como plot principal abordar temas naturalmente mais sensíveis.

O resultado disso? Temos um Peter Quill mais sério, uma Gamora mais “humanizada”, um Drax como alívio cômico (definitivamente), e até um Rocket Raccon mais coerente dentro daquilo que ele era no primeiro filme. Aliás, a ação inicial que gerou todo o conflito que desencadeou os demais acontecimentos do longa mostra claramente como existe uma definição da personalidade de cada um, já que se vale da coerência para determinar essas ações.

O filme também tem o cuidado de mostrar mais da origem de Peter Quill, mas mostrando o outro lado da moeda. No primeiro filme, sabemos que ele é da Terra, mas fica muito claro que ele não é exclusivamente da Terra quando salva todo mundo ao tocar em uma das jóias do infinito sem morrer. Logo, era uma escolha natural que o segundo filme explicasse por que ele foi capaz de fazer isso.

E isso acaba se tornando uma verdadeira reflexão sobre o que realmente é a família para cada um de nós. E, de novo, eles fazem isso sem ser piegas: tudo acontece organicamente e, de novo, de forma até previsível. Mas funciona, por ser uma experiência imersiva demais para você deixar passar o fato que este é um roteiro que não surpreende em absolutamente nada.

Mesmo assim, é um filme que conta direito a história que se propõe a contar.

Guardiões da Galáxia Vol. 2, em idas e vindas dos seus personagens, fala sobre a importância de você identificar suas origens, e ter orgulho delas. Fala sobre o quão é importante você ter amigos na vida, e saber quando eles deixam de ser apenas os seus amigos para se tornar a família que você escolheu. Quando chega nesse ponto, você passa a não mais se entender pacificamente com aquela outra pessoa. Você só entra em entendimento com os amigos. Com a família, você xinga, grita, fala alto, reclama, protesta… porque é na família que entendemos a máxima “nós só brigamos com aqueles que nós amamos, porque queremos que essa pessoa seja sempre melhor”.

O filme também fala sobre perdão, de forma muito subliminar. O perdão familiar, e o perdão à si mesmo. Esse segundo é mais subjetivo, já que você pode simplesmente buscar o reconhecimento daqueles que você comandava, mas na prática também obter o auto perdão pelos erros cometidos.

Também mostra claramente que aqueles que te amam não te abandonam. Nunca. Independente das dificuldades. Tudo bem, você também acaba relembrando o ditado que “pai é quem cria”. Mesmo assim, um é derivado do outro. Um bom pai jamais abandona o seu filho. E principalmente: não ferra com a vida dos seus amigos.

E depois de tantas pequenas lições, veremos um grupo de Guardiões da Galáxia mais forte e mais unido. Peter está emocionalmente mais forte para enfrentar o que está por vir. E não estou falando de Thanos aqui: como os caras aprontam dessa vez (já que tem gente que sai da bandidagem, mas a bandidagem não sai de dentro da pessoa), os Guardiões acabaram encontrando sua treta particular. O próprio inimigo maior.

Será que estamos abrindo uma nova linha narrativa dentro dos filmes da Marvel Cinematic Universe? É cedo para dizer, mas não seria uma má ideia.

 

 

Tecnicamente, Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme muito redondo. Efeitos visuais incríveis, com cenas em plano sequência espetaculares. É um filme naturalmente colorido, com algumas tonalidades até bem mais carregadas. Mas em compensação, trazendo uma qualidade final dos efeitos que realmente funcionam dentro de sua proposta.

Já destaquei o roteiro linear e previsível, mas que funciona. Temos as piadas de sempre, mas em uma quantidade relativamente menor do que a vista no primeiro filme. Como disse, esse é um filme que naturalmente tem um tom mais sério, o que exige tal percepção mais madura.

E sim… a Awesome Mix Tape 2 é excelente!

Uma ótima trilha sonora embala as aventuras desse time, e com certeza ela vai parar na biblioteca de músicas do meu smartphone. Ah, sim… pegue lenços para os minutos finais. Especialmente para a última música.

 

 

Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um ótimo filme para começar a temporada de blockbusters. Até parece um filme que, por se descolar do arco principal dos filmes da Marvel, cria uma espécie de identidade própria. De novo: é como se já quisessem criar uma linha de tempo alternativa dentro da grande história principal. Mesmo porque bem sabemos que a saga Os Vingadores se prepara para o fim.

Porém, repito. É cedo para dizer.

Enquanto isso, vamos aproveitar mais um ótimo filme de fantasia. Com muita pipoca, por sinal.

Ah… antes que eu me esqueça…

São 2h20 de filme que passam rápido. No final, temos quatro cenas pós créditos. Nenhuma delas relacionada diretamente com o próximo filme dentro dessa linha do tempo (Thor: Ragnarok, já que quando Guardiões da Galáxia Vol. 2 começou a ser produzido, ainda não havia a confirmação de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, que foi enfiado nessa linha temporal), mas encontramos alguns easter eggs que fazem referência a esse filme.

Fiquem no cinema até o último minuto.