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Como já discutimos em posts anteriores, vivemos em uma era de novas oportunidades na TV paga brasileira. Ainda é impossível comparar as nossas produções com as americanas, porém, já engatinhamos para a emancipação dos seriados em relação à dependência das novelas. Agora, temos a opção de dar ou não a oportunidade para os conteúdos brasileiros. Mas será que já é a hora?

O GNT é um canal que quer provar que sim!

No último dia 8 de maio, o canal estrou duas séries de ficção, voltadas para explorar em sua narrativa os conflitos exclusivamente femininos. Com isso, ganhamos duas novas produções nacionais, com ótimo potencial, e demonstrando o investimento em alguns canais em produções de qualidade para o espaço qualificado definido pela “lei da Ancine”. A seguir, as minas impressões sobre as novatas.

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3 Teresas é uma série que acompanha a trajetória de três mulheres de gerações diferentes, mas com o mesmo nome.

A primeira (Teresa) é uma vitrinista recém divorciada, interpretada por Denise Fraga (Após ter séries rejeitadas pela Rede Globo, embarca em um projeto na TV Paga). Uma mulher que aparenta uma expressão de cansaço e arrependimento na vida (muito bem interpretada pela a atriz). É a velha história da mulher que deixou de viver seus sonhos para apoiar o marido, um artista que nunca chegou a ascensão. E Teresa acaba se dando conta que passou dos 40, e redescobre o desejo da busca de uma única oportunidade para assumir o controle da sua própria vida.

A segunda é Tetê, uma adolescente de 16 anos de idade, que como toda adolescente de séries é insuportável. Com seus conflitos a série tenta usar a personagem como um alívio cômico, mostrando uma menina que (acha que) sabe tudo. Porém, a personagem fica meio deixada à deriva, ficando deslocada em boa parte do episódio.

Por último, temos Teresinha (Cláudia Mello), uma viúva afundada em problemas financeiros, mas mergulhada nas perspectivas naturais de uma mulher da sua idade. Fala mais que a boca, é debochada com a vida, questiona todos ao seu redor e à si. Mesmo com o turbilhão de problemas que a rodeia, consegue ser tão descolada e original que as duas primeiras Teresas.

A história agora promete abordar com essas mulheres irão conviver juntas no mesmo espaço, e como o conflito de gerações entre essas mulheres irá afetar a vida de cada uma. A série tem 13 episódios produzidos para a primeira temporada, e é uma criação de Luiz Villaça (marido de Denise Fraga), Rafael Gomes, Sérgio Roveri, Leonardo Moreira e Carô Ziskind.

@canalgnt: quartas, 22h30

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Depois de imergir nos desafios enfrentados pelas as mulheres que anseiam encontrar os seus respectivos caminhos, somos apresentados à nova série de Fernanda Young e Alexandre Machado (Os criadores de Os Normais), Surtadas na Yoga.

A série aborda os defeitos femininos, explorados da forma mais histérica e caricata possível. Mostra a relação de três amigas, Ana Maria (Flavia Garrafa), Jéssica (Fernanda Young) e Marion (Anna Sophia Folchi), que frequentam aulas de yoga para encontrar a paz espiritual e se livrar do estresse da vida cotidiana (e como bônus perder uns quilinhos).

Porém as “amigas” passam o episódio inteiro criticando umas as outras,  sabotando as outras meninas da turma, além de fazerem as típicas artimanhas das mulheres loucas. A estrutura de episódio é idêntica a de Os Normais, com personagem de Young tentando ser uma Vani: esdruxula e politicamente incorreta. Jessica encontra na amiga Ana Maria o seu Rui, onde descarrega a cada minuto um conteúdo insano de “verdades”, carregadas de palavrões (TV paga, logo, está valendo)

Na realidade, o intuito da série é mostrar o quanto conflitante é um espaço predominantemente feminino. Se você gosta do estilo de série apresentado em Os Normais, vale a pena dar uma conferida. Mas não se esqueça: Os Normais deu certo muito em partes pelo talento e poder de improvisação improvisação de seus protagonistas, que realçavam o texto dos autores. Em Surtadas na Yoga, a história começa do nada, e promete ir pra lugar algum. E mesmo com uma mulher no comando da história, a série tem um conteúdo bem machista, mostrando mulheres barraqueiras, fofoqueiras, vingativas e manipuladoras para conseguir o que desejam. E talvez a ideia seja essa mesma.

Mesmo porque mulheres como as apresentadas nas séries existem no mundo real.

@canalgnt: quartas, 23h00