star trek

Star Trek vive um momento especial na mídia. Vem aí um novo filme (Star Trek: Sem Fronteiras), sem falar na nova série Star Trek: Discovery na Netflix (via CBS All Access) em 2017. Não só isso: a série original completou 50 anos de sua estreia em outubro.

A série de Gene Roddenberry, mesmo durando apenas três temporadas (entre 1966 e 1969), se tornou uma das obras mais influentes do século XX. Star Trek alcançou feitos que diversas séries e filmes copiaram.

E é disso que esse post trata.

O teletransporte

 

Esta é uma das inovações mais famosas de Star Trek. Todas as naves contavam com uma cabine de teletransporte, baseada na dissolução molecular de seus corpos, sua transformação em energia para ser transportado ao seu destino, onde seus átomos se recompunham de novo.

Cientistas tentam comprovar se o teletransporte quântico é possível, mas o mais interessante é ver como a série “inventou” esse meio de transporte como uma necessidade. Era caro gravar uma miniatura da Enterprise para gravar sua aterrizagem e decolagem, de modo que construir um único set da cabine de teletransporte e jogar um efeito fotográfico era sinônimo de economia de tempo e dinheiro.

 

O motor de curvatura

 

A teoria da relatividade de Einsten e os estudos em física quânica de Max Planck permitiram à Star Trek introduzir na TV o que é hoje conhecido como motor FTL (Faster Than Light). O hyperdrive, ou motor de curvatura (warp drive), permitiam a programação de viagens com as naves a uma velocidade mais rápida que a luz.

Como? Curvando o espaço adiante e atrás no tempo, permitindo saltar a restrição de que nenhum objeto com massa pode mover-se mais rápido que a luz. Hoje, temos um modelo teórico de um motor que pode utilizar essa curvatura do espaço-tempo para saltar o hiperespaço.

 

O papel de Uhura

uhura

 

As séries de TV mais populares dos Estados Unidos na década de 1960 eram protagonizadas por homens brancos. As mulheres negras que apareciam nessas séries eram, ma imensa maioria dos casos, as empregadas, a não ser nas comédias que se centravam em famílias afro-americanas.

Quando Star Trek estreou, Uhura foi uma revolução.

Nyota Uhura (Nichelle Nichols) era a oficial de comunicações da Enterprise, e mesmo em uma série protagonizada por Kirk e Spock, a negra teve um papel muito importante para uma comunidade que, em 1966, lutava pelo reconhecimento dos seus direitos civis.

De fato, o próprio Martin Luther King convenceu Nichols a não deixar Star Trek no final da primeira temporada, ao afirmar que “ela não tinha um papel negro, mas sim um papel igualitário”.

 

As relações interraciais

 

Um aspecto de destaque de Star Trek foi o seu desejo de ver diferentes tipos de pessoas representadas de forma mais ou menos equitativa. Não apenas com Uhura mas também com Sulu (George Takei), piloto da Enterprise de ascendência japonesa, e a relação entre todos eles de tolerância e amizade.

Esta relação chegou ao seu ápice na terceira temporada da série mostrando aquele que seria o primeiro beijo interracial da TV norte-americana.

Kirk beijou Uhura sob a influência de alienígenas maléficos. O beijo aconteceu em 1968, alguns meses depois do assassinato de Martin Luther King, e sua filmagem foi rodeada de reticências por parte do diretor do episódio e dos chefes da NBC.

Esse beijo é muito relevante e, ainda assim, é muito difícil ver hoje casais interraciais nas séries norte-americanas.

 

A relevância de Spock

 

spock

 

Star Trek mostra um futuro para a humanidade onde prevaleceram nossas melhores qualidades, e as diferentes raças e culturas podiam conviver e trabalhar juntas pela paz.

Um dos melhores exemplos disso era a presença de Spock (Leonard Nimoy), um vulcaniano que era o oficial científico da Enterprise, que se tornou o melhor amigo de Kirk (William Shatner), sendo uma inovação na figura do sidekick das séries de TV.

Kirk era o herói valente e galanteador, mas Spock era quem questionava suas decisões, algo muito lógico e racional, controlando suas emoções ao ponto de passar a sensação de ser levemente robótico. Era mais inteligente que Kirk, e sua lógica para resolver todos os problemas levava Star Trek para um caminho mais intelectual.

 

Os “camisas vermelhas”

 

Os episódios de Star Trek contam com a mesma estrutura: a tripulação da Enterprise descia em um planeta a ser explorado, e com os protagonistas sempre seguiam vários tripulantes rasos, vestidos com camisas vermelhas.

No primeiro contato com o local, quase sempre algo inesperado acontecia, uma situação de perigo onde um dos “camisas vermelhas” acabava morrendo.

Isso se popularizou entre os fãs dando a entender que o #redshirt era um personagem destacável, pensado apenas no aumento de sensação de risco para os protagonistas, que por sua vez não viviam nada grave.

A teoria é tão difundida na cultura pop, que até motivou uma paródia em forma de livro, “Redshirts”, de John Scalzi, que levou um fã da série a analisar se os redshirts.

 

O impulso do fan fiction

star trek kirk spock

 

Um dos legados de Star Trek é sua dedicada e numerosa comunidade de fãs, os trekkies. Eles expressam o seu amor pela franquia, escrevendo suas próprias histórias e relatos para uma fan fiction ou fan fics que encontram nesse formato uma maneira de dar asas à imaginação.

Os trekkies foram os primeiros a colocar em pé muitos dos aspectos da cultura fã atual. Incluindo o shipping, ou o apoio para quem desenvolve uma relação romântic entre dois personagens, ainda que a série nos leve por esse caminho.

Star Trek contava com Kirk e Spock como seus personagens centrais, que eram escritas por seus seguidores, que optam por criar os seus próprios relatos

O MCU de Star Trek

 

O MCU de Star Trek basicamente motivou o pessoal da Paramount a criar uma nova série da franquia na década de 1980. Star Trek: A Nova Geração, deu continuidade aos filmes da série, e os novos personagens assumem o protagonismo, e todos entendem a abordagem também com a tripulação original da Enterprise.

Assim, tanto cinema como TV estariam integrados em um mesmo universo, algo que a Marvel faz as suas séries e filmes.

 

Uma série sobre explordores

 

O gênero de séries com viagens pelo espaço tinha uma preferência por contar histórias onde os seus protagonistas humanos tinham que enfrentar alienígenas hostis. Em Star Trek, a paixão de Gene Roddenberry nas novelas de exploradores marinhos do século XVIII ficava evidente. Haviam batalhas entre as naves, mas as missões sempre tinham como objetivo principal a exploração de outras terras.

As influências, somadas com o clima de otimismo que os Estados Unidos enfrentavam no começo da década de 1960 e do auge pela corrida espaical, fizeram com que Star Trek mostrasse uma Humanidade com afã explorador, e não conquistador, além dos temas de respeito à tolerância e outras raças.

Fato é que Star Trek segue atraindo muitos fãs, e este é o maior legado da série.