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Todo herói tem seus temores. Seus traumas. Seus fantasmas no passado. Todo herói é humano por causa disso. Porque ser herói é superar os seus maiores medos em prol do bem estar do próximo. E assim como qualquer mortal, todos os heróis precisam evoluir. Sabe, Os Vingadores 2: A Era de Ultron é um baita filme. É talvez o enredo mais bem estruturado da Marvel Cinematic Universe. E deixa várias lições para que você possa refletir sobre tudo o que presenciou.

Temos aqui um ótimo filme de um time de heróis que mais uma vez precisam salvar o mundo de uma ameaça “alienígena”. Bom, de certo modo sim. Até porque elementos de fora da Terra voltam a se fazer presentes em um enredo que tem como mote principal o fato do ser humano ainda não estar pronto para lidar com coisas que não conhecem. Mesmo que esse ser humano seja Tony Stark, um dos caras mais inteligentes do planeta, e com recursos financeiros praticamente ilimitados para criar o que quiser.

Inclusive um androide que pode efetivamente acabar com a Humanidade.

Uma das grandes sacadas do filme é mostrar essa dualidade que está presente não só em Tony Stark, mas em praticamente todos os Vingadores. Mostrar que em cada um deles existe o poder de construir e de destruir. No caso de Ultron, isso fica bem evidente, ainda mais pelo fato da dita inteligência artificial ser guiada pelo o que existe de pior na personalidade de Stark.

Porém, nem todos são completamente maus nessa vida. Todo mundo tem um lado bom. E, como vocês bem sabem, Tony Stark tem o tal 1% de moralidade que o impede dele ser um idiota completo. Talvez ele se torne esse idiota durante a Guerra Civil (contra o Capitão América), mas até lá, vamos perceber claramente que o mesmo Tony Stark que liberou um algorítimo que absorveu o pior de sua personalidade, é aquele que entende que aquele software que absorveu tudo o que ele tinha de benéfico vai ajudá-lo a resolver a bagunça criada.

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A dualidade dos Vingadores é exposta. Na prática, todos os personagens se humanizam diante da discussão ética de ‘brincar de Deus’, na tentativa de criação de um androide perfeito para nos proteger de mais uma invasão alienígena. Quando na verdade a principal ameaça da Humanidade são os próprios seres humanos. E Ultron sacou isso rapidinho.

Cada um dos Vingadores passa pelo processo de ver seus medos, traumas e inseguranças. De ter que lidar com isso. Buscar respostas para superar essas mazelas da alma. E, quando não encontram respostas, lutar assim mesmo pelo bem comum. Essa é a grande essência do herói: superar os seus maiores medos pelo bem comum. Provavelmente os heróis da Marvel nunca tiveram que se deparar com isso de forma tão enfática.

Outro ponto abordado em Os Vingadores 2 foi a questão do trabalho em equipe. Para muitos, o filme marca ‘o início do fim’ da formação clássica dos Vingadores. E isso pode ser considerado um fato. O novo time começa a sua formação, em um cenário onde a S.H.I.E.L.D. como conhecemos definitivamente não existe, e os próprios heróis assumem o controle das suas decisões.

Porém, ainda não vemos um time. E acho que jamais veremos. São personalidades muito diferentes, com objetivos de vida muito diferentes, com visões de proteção da Humanidade completamente difusas. Mesmo assim, eles ainda precisam buscar o elemento que unifique tudo em prol do bem comum. Alguns desses elementos apareceram ao longo do filme, de modo que esse ‘senso de equipe’ se torne mais funcional.

O resultado prático é que em A Era de Ultron, todos os Vingadores passam a ter um papel efetivo na resolução do grande problema. Não precisou tudo ficar nas costas do Homem de Ferro (que jogou uma ogiva nuclear em um alienígena, dentro de um buraco para outro universo no primeiro filme) para a resolução dos problemas. Todos foram essenciais para que o caos fosse contornado.

Até porque vocês mesmos verão que não tinha muita escolha. Ou era isso, ou eles seriam aniquilados.

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O filme faz algumas conexões com os outros filmes da saga, mas em pontos muito sutis. Também abre portas para alguns dos futuros filmes (um exemplo bem claro é no caso das referências ao Pantera Negra), e deixa as sementes para o caminho que está a seguir no Marvel Cinematic Universe. Indo de Guerra Civil até Guerra Infinita, temos as referências que tornarão essas histórias viáveis dentro do novo cenário criado.

Aliás, um dos grandes méritos de Joss Whedom nos filmes dessa série é saber amarrar todas as pontas abertas, mesmo dentro da história do próprio filme. Tudo tem uma explicação que, dento do cenário apresentado, faz todo o sentido. Poucas coisas ficam sem explicações plausíveis, e a resolução final do filme para cada um dos Vingadores é coerente com a proposta geral apresentada.

Os Vingadores 2 tem de tudo: muita ação (bem mais que o primeiro), comédia (mais que o primeiro), romance (onde muita gente vai gostar do novo par que se formou), drama (onde conhecemos facetas de alguns membros do time dos Vingadores que levantam questões que até então não foram abordadas em nenhum filme)… enfim, como produto de entretenimento, é um dos melhores filmes que você pode assistir no ano.

Na minha modesta opinião, é um dos melhores filmes de heróis que eu vi em 36 anos de vida.

Não é um filme exclusivamente feito para os nerds ou fãs dos quadrinhos da Marvel. É um filme com uma estrutura acessível para todos que estão dispostos a se divertir no cinema por 142 minutos. É um filme que passa mais rápido que o primeiro, pois é mais ágil e direto na sua proposta. Talvez algumas pessoas fiquem saturadas com tantas cenas de luta na parte final do filme, mas entendo que talvez não poderíamos esperar algo muito diferente se levarmos em consideração que estamos falando de uma ameaça do porte do Ultron.

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Para resumir? Os Vingadores 2: A Era de Ultron é o melhor de todos os filmes da Marvel Cinematic Universe até agora. É diversão garantida. E sem forçar. Questiona a humanidade do herói, os seus objetivos, e mostra claramente que a solução dos males da Humanidade não está na sua destruição, e sim na evolução da espécie.

A grande mensagem de A Era de Ultron é que a Humanidade como um todo pode e precisa evoluir. Não apenas na área tecnológica, mas nas questões éticas e morais. O ser humano não será extinto por conta de um alienígena que quer destruir o planeta, mas sim por conta de sua própria incapacidade de evoluir como um todo. Construir máquinas para tentar nos proteger de nós mesmos é algo muito fácil. E perigoso, como o filme bem mostra.

Vai lá! Aproveite o novo filme dos Vingadores. Você vai ver muita porrada na tela, vai dar algumas risadas, mas vai pensar em algumas coisas tratadas nesse texto. E fazer a audiência pensar é algo sempre muito bom.

Bom filme!