“The End” será o último e derradeiro capítulo de uma fantástica série. Seis anos, 120 episódios, extras e centenas de teorias depois, a maior experiência televisiva da história dos seriados contará (ou não) como terminam os destinos dos sobreviventes do voo 815, aqueles lá da primeira temporada, quando começamos a participar de toda essa maluca jornada. Com certeza deve também render muito dinheiro para o canal ABC.

Cada inserção de 30 segundos na programação durante o capítulo final deve custar 900 mil dólares. O valor é cerca de quatro vezes maior do que o normalmente usado pelos anunciantes. E o mais incrível é que valerá cada centavo. Uma produção dessas não é fácil de criar e manter. Todo o universo da Iniciativa Dharma, com suas estações e vilas, os vários acampamentos, tanto dos Losties como dos Others. LOST não é apenas uma Ilha, é um mundo todo.

Tendo amor ou ódio pela série, todos falam dela. De misticismo à viagem no tempo, LOST chegará ao fim e deixará muitas pessoas com saudades. Saudades de pensar em como as coisas funcionam na Ilha, de participar tentando adivinhar caminhos e sendo respondido pelos produtores nas falas das personagens, de chorar de emoção quando sua personagem se vai ou quando não se pode mais mudar o que está feito, da grande alegria de ver uma grande produção.

Vários sãos os motivos de imensa saudade. Claro que nem tudo são flores. Erros de roteiro, de continuidade, personagens mal aproveitadas. Os produtores sabiam de tudo o tempo todo? Saberemos como tudo isso funciona? Eu acho que não. Mas alguém realmente se importa? É melhor termos mistérios ou termos todas as respostas? Com várias pontas soltas, dificilmente todas serão amarradas. Mas isso é ruim?

Ouvi uma vez num podcast, que quando você se torna muito crítico, se esquece de vivenciar aquilo que estão te propondo. Assim é com qualquer série. O que mais vale é a experiência de estar participando daquilo. O mais sensacional de se ver numa série como essa, é que os produtores e roteiristas nos apresentaram tudo que é mais bizarro. Comparando com nossas vidas, quem não gostaria de viajar no tempo? Ou então, estar numa floresta e dar de cara com um urso polar?

Esse tipo de sentimento que me prende nessas séries de ficção. O desconhecido acontecendo. Outro ponto interessante é terminar de ver cada episódio e nunca parar pra pensar nele. O que tudo isso significa? Com LOST, assistimos e logo em seguida estamos nos blogs e fóruns, esperando que algo que outras pessoas escreveram faça mais sentido do que a sua teoria maluca.

E depois de ler centenas de comentários, ainda conseguir elaborar um texto com suas idéias. Isso é o que LOST faz. Te faz pensar e participar. Para mim, este é o legado que a série nos deixa. E se pararmos pra pensar, este é o momento perfeito para que a série acontecesse. O mundo todo está usando cada vez mais as redes sociais, fazendo conteúdo em áudio e vídeo. Todo esse processo não aconteceria se LOST fosse transmitida nos anos 80, por exemplo.

Com tudo mundo envolvido, nasceram jogos, ARGs, wikipedia, um universo totalmente voltado para a série, algo que muitas vezes tem vida própria e permanecerá por muito tempo habitando entre nós.

Muito se especula sobre o final de LOST. Todos mortos no purgatório, Jack acordando e percebendo que tudo era um sonho. Claro que esses são os mais assombrosos e menos prováveis. Eu, sinceramente, não penso num final. Final místico ou científico? Quero ver o que eles propõem pra mim. Quero ser positivamente surpreendido. Mas claro que quero ficar satisfeito, afinal são 6 temporadas acompanhando esta série. Mas fazer finais é muito complicado.

Vi recentemente o final de Battlestar Galactica e até que gostei. É tudo nostalgia, dever cumprido. Cada um vai para o seu lado e finalmente descansa da jornada. Como Frodo e Sam voltando ao Condado (segundo Peter Jackson). Espero que tudo se resolva. Mesmo que isso signifique não ter todas as repostas. Sim, isso é provável. Mas é provável também que no DVD da temporada venham respostas para muitas coisas.

Com todas as informações que temos, podemos dizer que a Ilha é o início de toda a existência? A Luz seria algum tipo de divindade ou o próprio Deus? A fumaça preta o Mal encarnado no indivíduo Sem Nome? Sabemos o suficiente para dizer que tudo se resume à pessoas e suas escolhas. Jacob escolheu os seus possíveis sucessores, mas será que foi apenas ele que os arrastou para a Ilha?

Agora tentem imaginar o que o Sem Nome passou para poder estar hoje entre os sobreviventes da Ilha. Mais de 2000 anos aprisionado, esperando por possíveis saídas de um lugar que acha não ser o seu. Claro que agora não há mais tempo para levantar mais questões. Deixemos que tudo se resolva nas três horas que nos esperam.

Não perca! Namastê!