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20 de setembro de 1984. Era um sábado, como é hoje. Pela primeira vez na história, uma família afro-americana era protagonista de uma sitcom no horário nobre da TV norte-americana. The Cosby Show não é apenas um marco na TV por ser uma das mais bem sucedidas comédias de todos os tempos, mas por ser uma quebra de paradigma importante na cultura televisiva.

Ok, a série The Jeffersons (NBC) já existia, e tinha protagonistas negros. Outras produções da própria NBC também apostavam em colocar negros como personagens centrais antes de The Cosby Show. Porém, a comédia idealizada e protagonizada por Bill Cosby era a primeira a mostrar uma família negra de classe média, em uma história focada na relação entre pais e filhos, envolvendo não apenas os valores culturais, mas principalmente, os familiares.

Não era uma série que enfatizava de forma mais explícita a importância da cultura negra dentro de uma família de classe média norte-americana, como já fizeram Fresh Prince of Bel-Air (NBC) e que hoje Black-Ish (ABC) quer fazer. The Cosby Show apostava na proposta de mostrar uma família comum, no esquema ‘papai sabe tudo’, mas com uma fórmula de textos ágeis, de comunicação direta com o telespectador, e principalmente, com personagens carismáticos.

The Cosby Show é uma série que entrega a minha idade. Eu assisti vários episódios da produção na TV Bandeirantes (na época em que as pessoas ainda não chamavam o canal de Band) nas décadas de 1980 e 1990. De forma proposital (talvez), o canal brasileiro exibia a série de Bill Cosby em dobradinha com “Um Amor de Família” (Married… With Children, Fox), talvez para mostrar o contraponto entre as duas famílias: a primeira, com um pai presente, organizada, centrada nos valores familiares, enquanto que a segunda era “gerenciada” por Al e Peggy Bundy. E o mais legal é que eu gostava das duas séries.

Aliás, The Cosby Show era aquela série que eu assistia com o meu pai. Era a série que minha família inteira assistia, pela simples identificação com as situações retratadas. Não que a minha família fosse perfeita naquela época, mas entendo que todos na época se identificavam com aquela proposta de família harmoniosa, de pais dedicados. Talvez todo mundo na época queria se inspirar nessa proposta.

The Cosby Show durou oito temporadas e 202 episódios, sendo exibida entre os anos de 1984 e 1992. Por cinco temporadas (entre 1985 e 1990), foi ‘apenas’ a comédia mais vista dos EUA. Fez parte da ‘era de ouro’ das séries de comédia da NBC, e hoje é lembrada por gerações de fãs de séries pelo seu pioneirismo em quebrar paradigmas e iniciar um caminho pavimentado de produções protagonizadas por negros na TV norte-americana. Além disso, foi muito bem sucedida pela simplicidade da proposta, que alcançou telespectadores de todas as idades, sendo este um dos maiores sucessos da história.

30 anos depois, Bill Cosby quer apostar nessa proposta de comédia familiar na TV atual. Ele acredita que é isso o que está faltando na TV de hoje: histórias que podem ser vistas por pessoas de todas as idades. O sonho de Cosby é reunir novamente as famílias diante da TV para contar histórias que, em muitos casos, são as histórias de suas próprias vidas, com situações que podem acontecer com qualquer família, em qualquer lugar.

Particularmente, torço para que Bill Cosby alcance o seu objetivo. De certo modo, a TV precisa disso. Aliás, a prova que Cosby não está tão errado assim é o simples fato da ABC dedicar as suas noites de quarta-feira para as comédias familiares. As chances dessa aposta dar certo são enormes.

E temos muito a agradecer para The Cosby Show por isso, e muito mais.