Selfie - First Look Promotional Poster

Dar um nome para uma série não é uma tarefa das mais fáceis. Você precisa fazer uma escolha que seja de fácil identificação com a audiência, mas que a o mesmo tempo, não caia no clichê. Algo original, mas que não seja ousado/agressivo. Convidativo, mas não alienativo. E quando olhamos para os títulos das séries da ABC, a impressão que dá é que eles fizeram um curso intensivo com o Sílvio Santos no assunto.

O ‘canal do alfabeto’ – como é conhecido nos EUA – conseguiu nos oferecer nas últimas temporadas os piores nomes de séries de todos os tempos. A seguir, provamos o nosso ponto (com alguns toques de ironia nos argumentos, algo que é sempre necessário avisar para algumas pessoas que acessam o blog).

 

12. How to Get Away With Murder: o novo megahit do canal não é um dos nomes mais horríveis que a ABC nos oferece. Porém, como Shonda Rhimes não considerou a possibilidade das pessoas abreviarem esse nome quando inserido em uma hashtag nas redes sociais (como em #HIMYM, de How I Met Your Mother), o #HTGAWM soaria até menos estranho que #HowToGetAwayWithMurder, que além de ser longo, pode perder o contexto dependendo da mensagem engraçadalha. Por que não #MurderABC? Ou #HowToGetAwayABC?

11. Black-ish: uma série com a premissa de um pai que vê a sua família perdendo a negritude de sua essência. Tá, a gente entendeu isso, ABC. Mas… Black-ish soa quase que como uma proposta desesperada e até apelativa para chamar a atenção. Seria o equivalente ao ‘Mas eu tenho amigos negros!’. Está pegando mal essa escolha.

10. Super Fun Night: a série era a Rebel Wilson e várias piadas com obesidade e gordinhas atrapalhadas. E não era nada engraçada. Não vamos aqui questionar o fator ‘o título precisa ser literal’, mas é a maior discrepância já vista entre título e resultado final de série que já vi. Aliás, Super Fun Night funcionaria muito bem como um filme ou uma sitcom de vida curta. E não, não vou usar como exemplo de sitcom de vida curta a igualmente fracassada Mixology (que é outro nome que, convenhamos… enfim…).

9. Black Box: vamos ser honestos… quem é que viu essa série? Enfim, a primeira vez que esse nome foi dito, muita gente se lembrou rapidamente de The Blacklist (NBC). Outros já se lembraram da queda de um avião (Lost, talvez?). Mas… não! Black Box aqui se refere ao cérebro, porque parte da premissa de uma brilhante e bipolar neurologista… que ama jazz. O título nebuloso é ruim o suficiente. A série? Também.

8. Selfie: Emily Kapnek (produtora executiva da série) defende esse nome por ser ‘provocativo, mostrando tudo o que está de errado com o nome’ (e, pelo visto, com a série). Para começar, Selfie não é uma palavra provocativa. É o oposto disso: é um termo que já sofre de superexposição, sem falar que é datado (pois uma hora essa moda das selfies vai passar) e específico apenas para a audiência que sabe o que quer dizer isso (geração Millennium). E nenhuma pessoa com respeito próprio quer ser pego por amigos com uma série chamada Selfie no seu DVR.

7. Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.: p*ta que me pariu, como eu odeio a p**ra desse nome! A Marvel tem um problema sério de narcisismo, só pode! A DC não precisa colocar a sua marca em todos os seus projetos. E sabem por que? Porque eles sabem que isso pode parecer chato pra c*c*t*! O que muda na vida desse mundo adicionar a marca Marvel antes do Agents of S.H.I.E.L.D.? Todo mundo sabe que a S.H.I.E.L.D. está 100% relacionada ao universo da Marvel. Sem falar que nós, editores de blogs/sites de séries, somos OBRIGADOS a escrever S.H.I.E.L.D., quando podemos muito bem escrever SHIELD. Cara Marvel, lide com isso: esse nome é uma b*st*.

6. Don’t Trust the B—- in Apartment 23: aqui, eu entendo. Não é permitido dizer ‘bitch’ na TV. Mas você não imagina que tem tanta gente alienada assistindo TV que não vai entender o que quer dizer esse ‘B’ cheio de traços, certo? Então… por que é preciso saber o significado dessa letra antes mesmo de você ver a série? Além disso, o nome ainda permite trocadilhos, com ‘butt’. Censurar o ‘bitch’ foi desnecessário.

5. Trophy Wife: se Trophy Wife algum dia foi boa, era por causa de qualquer coisa… menos pelo ‘troféu’ (nesse caso, a esposa). A ABC acreditou que eles poderiam conquistar a audiência fazendo piadas com o esteriótipo da ‘milf’ que se casa com o cara mais velho. Mas a verdade é uma só: um grupo muito pequeno da audiência realmente entendeu a ironia do título. Os demais simplesmente desligaram a TV antes de dar uma chance. Também, com um nome desses…

4. Cougar Town: provavelmente o nome mais infame e irônico que a ABC escolheu em sua história. Aliás, uma escolha que o canal se arrependeu rapidamente: mesmo com a série começando como ‘o refúgio das mamães gostosas’, seus caminhos foram se transformando de forma radical, chegando ao ponto de se tornar uma série que contava a vida de um grupo de alcoólatras no subúrbio, que passavam o dia bebendo vinho e falando mal da vida dos outros. Bom, ao menos conseguiu uma sobrevida no TBS, não é mesmo?

3. Cashmere Mafia: gente… a série se chama ‘A Máfia da Casimira’. Eu realmente preciso dizer mais alguma coisa?

2. How to Live With Your Parents (For the Rest Of Your Life): na boa, ABC, como vocês acreditaram que a audiência iria decorar um nome desse tamanho? Achou que todo mundo iria repetir o exemplo de 8 Simple Rules (For Dating My Teenage Daughter) – que depois foi reduzida para 8 Simple Rules?

1. GCB: nomes de séries podem ser adaptados ao longo do tempo. Só que o caso de GGB, eles esgotaram todas as cotas. Originalmente, a série se chamava Good Christian Bitches, mas como o canal já havia censurado o ‘bitch’ de Don’t Trust the B—- of Apartment 23, eles não poderiam cair na incoerência. Rebatizaram a série como Good Christian Bells. Tudo bem. Porém, de forma inexplicável, eles lançaram a série com a sigla GCB. Por que? Porque ‘GCB’ quer dizer ‘alguma coisa para a audiência’! QUE P**RA É ESSA, ABC?