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Ir ao cinema um pouco descrente sobre o filme que você vai ver é sempre algo desagradável. E eu fui ver Entrando Numa Roubada com a certeza que iria entrar em uma roubada. Em todos os sentidos. Mas… não sei se por conta do bom humor que eu estava no dia, mas o resultado final não foi de todo ruim. Bom, quero dizer, não é o filme mais edificante que você verá em 2015, mas em compensação você não fica olhando para o relógio para saber se falta muito para acabar os 77 minutos do filme.

A história de Entrando Numa Roubada é relativamente rasa e simples, onde tudo se resume nas palavras ‘traição’ e ‘vingança’. Uma turma de atores e diretores lança um filme que foi um retumbante fracasso. Todo mundo ficou na m*rda, literalmente. Menos um: Alex (Marcos Veras), produtor do filme, que passa a perna nos demais, pegando toda a grana dos (poucos) lucros gerados por esse filme para abrir uma igreja daquelas que só pensam em roubar dinheiro dos fiéis. E fica bem rico com isso.

A vida segue. Até que Vitor (Bruno Torres), um dos atores do grupo dos fracassados/enganados, ganha um concurso de roteiros, recebendo como prêmio um investimento de R$ 100 mil para a produção de um filme. Ele logo pensa em Walter (Lúcio Mauro Filho) para dirigir o projeto. O coitado é psicótico, que não soube lidar com os rumos que a vida tomou, e precisa de remedinhos que o tiram da realidade de tempos em tempos.

Walter não bota fé na coisa, e procura o único que tem interesses reais no projeto meia boca de Vítor: Eric (Júlio Andrade) que quer se vingar de Alex a todo custo. Com a presença decisiva da pseudo talentosa atriz Laura (Deborah Secco), Eric convence Walter que o filme de Vitor pode ser um plano de fundo perfeito para que eles saiam por aí cometendo uma série de assaltos em postos de gasolina, alegando ser este um método polonês de filmagem onde tudo é gravado em um take só, com elevado nível de realidade.

E tal iniciativa é apenas o pano de fundo para o grande plano de Eric: se vingar de Alex.

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Quando você lê a premissa de Entrando Numa Roubada, você não se empolga com o filme. Mas depois dos primeiros 15 minutos, você já começa a mudar de perspectiva. O trabalho de André Moraes combina o drama com doses de ação e toques de humor negro de forma equilibrada, o que deixou a história mais interessante. Na verdade, a trama segue em uma crescente envolvente, onde no final você efetivamente fica interessado em saber como será o desfecho de tudo.

O texto adotado para os personagens também funciona, com uma linguagem direta, sem rodeios. Ah, e não venham me encher o saco com o ‘o cinema nacional só tem palavrão’. E daí? Vários filmes indicados ao Oscar tem mais ‘fuck’ por minuto do que as garfadas que você dá ao comer o Miojo enquanto lê esse texto. Sem falar que a história contada fala dos caras que querem se vingar, e que no meio do caminho cometem crimes como bandidos comuns. Ou seja, não espere um ‘por favor, me dá o seu dinheiro’ com calma e educação.

A trama de Entrando Numa Roubada não exige do elenco grandes atuações, mas fico feliz que mais uma vez Marcos Veras mostra que não é apenas um dos caras engraçados do Porta dos Fundos. Lúcio Mauro Filho de novo está muito bem, Deborah Secco na média, e Júlio Andrade manda muito bem. Algumas participações especiais pontuais norteiam o filme, com destaque para Tonico Pereira (lembram de A Grande Família? Então…).

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Um ponto positivo do filme é a sua edição final, que tem ritmo, não deixando o filme cansativo. Assim como sua trilha sonora, que é bem pensada e imerge o telespectador no clima ‘quase western’ que o filme sugere em várias oportunidades.

No final das contas, Entrando Numa Roubada é um filme ‘ok’. No meu caso, que não esperava nada, teve um saldo positivo. Não me irritou, não me causou vergonha alheia, e progride com o avançar dos acontecimentos. Pode ser uma boa aposta para quem não sabe o que fazer no final de semana, e quer ver um filme nacional para se divertir. Até porque 77 minutos passam rápido.