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Muitos brasileiros entendem que o certo é viver na Lei de Gérson, ou no “brasileiro tem que levar vantagem em tudo”. Eu entendo ser uma pessoa de bem, e sou contra essa regra. Por outro lado, alguns segmentos de consumo no Brasil não ajudam em absolutamente nada para que essa filosofia mude. Um desses segmentos envolve o de TV por assinatura e os canais que exibem séries de TV por aqui. Não me entenda mal: eu gosto de ver TV paga. Só acho que os assinantes pagam caro demais para ter um serviço que, no final das contas, não se paga.

Acompanhamos com uma certa distância o que aconteceu ontem (18) durante a exibição da série Once Upon a Time no Canal Sony. Basicamente, a programadora “pulou” três episódios da segunda temporada, talvez porque algum estagiário lá dentro do canal não olhou o cronograma direito.

Afinal de contas, era para ser exibido o episódio S02E15, mas foi exibido o S02E18. Erro de estagiário? Talvez, se fosse um caso isolado. O Canal Sony repetiu algo semelhante com as exibições da atual temporada de Saturday Night Live, onde o canal anunciou a semana inteira um episódio com Daniel Craig, mas “se esqueceu” que antes desse tinha o episódio com Joseph Gordon Lewitt. Sem falar que SNL tem uma exibição única no Canal Sony.

Entendo que esse é o menor dos problemas, porque envolve exclusivamente o erro humano, e normalmente não é o do “humano que decide”. Os maiores problemas dos canais pagos hoje são a desorganização de sua grade e, principalmente, o delay de exibição dos episódios em relação ao que é exibido nos seus países de origem. Eu juro que tento acompanhar algumas produções que gosto nos canais pagos, mas em alguns canais, a coisa se torna algo impraticável.

Exemplos: em uma das temporadas de The Amazing Race Latinoamerica exibida pelo Canal Space, durante semanas eles exibiram apenas o segundo episódio da temporada. E isso, no horário onde deveria ir ao ar um episódio inédito. A grade do Canal Warner é uma bagunça, onde existem tantas reprises de duas ou três séries, que fica impossível saber quando é um inédito ou quando é uma reprise.

Eu tentei acompanhar The Walking Dead na Fox, mas as janelas de tempo de exibição do episódio nunca batiam com aquilo que era exibido em meu receptor de TV paga, e nem agendando a gravação do episódio eu conseguia assistir o episódio na íntegra.

Isso tudo ainda é “passável”. Agora, atraso de três temporadas em um reality show, ou de quatro semanas em uma série regular? Na era da internet? Isso é simplesmente inaceitável!

Não dá mais para pagar caro por TV por assinatura para assistir séries que estão com uma defasagem gigante em relação aos Estados Unidos. É simplesmente inconcebível isso. Tudo bem, eu compreendo que existem acordos comerciais entre as produtoras de origem e as distribuidoras de canais, e que tais acordos precisam ser cumpridos. Mas tem que haver um jeito para agilizar isso.

A HBO consegue fazer isso muito bem com Game of Thrones, que hoje é exibida no Brasil no mesmo dia e horário que é exibida nos Estados Unidos. O grupo Fox consegue algo semelhante, exibindo The Walking Dead e American Horror Story poucos dias depois de sua exibição nos Estados Unidos (e agora, trazem Da Vinci’s Demons e Defiance na mesma regra).

Ou seja. É possível sim. Basta querer fazer. Eu só citei alguns exemplos.

O assinante paga caro para ver os canais pagos. Logo, merecem um serviço de qualidade exemplar. Eu hoje quase não vejo séries nos canais pagos. Pago pela TV por assinatura basicamente para ver esportes, notícias e documentários. No meu caso, os problemas de grade de programação se amenizam com o uso do DVR (Digital Video Recorder) fornecido pela minha operadora de TV por assinatura. Ou seja, eu monto a minha grade e assisto os programas quando eu quiser (e puder). Porém, pago caro por isso. E sei que a maioria não faz isso por uma questão financeira, pura e simples.

Ou seja, ficam reféns das programadoras. E ninguém quer isso.

E isso porque não falei dos abusos de alguns canais com a tal “Lei da Ancine” (que somos contrários à sua existência, mas já que ela existe, que ao menos seja cumprida de forma proveitosa), onde me cansei de ver reprises de filmes como Carlota Joaquina e Cazuza, ou frustrado por me deparar com uma grade onde poderia sim ser exibida uma produção original, mas no lugar, encontro um filme da Xuxa ou do Didi. Pior: filme com Paquitos já foram exibidos em canais pagos. Qual o propósito disso?

Eu penso da seguinte forma: se querem combater o download de séries via internet, os canais pagos precisam criar opções para que o assinante se mantenha diante da TV e não vá para a internet atrás de sua série. Na verdade, é uma obrigação, uma vez que estamos pagando. Os problemas listados nesse post se tornam mais críticos a cada temporada, já que a tecnologia não para, e alguns canais pararam no tempo. Como consequência, cada vez mais vejo amigos e familiares desistindo da TV paga para buscar outras opções para assistir suas séries preferidas. E essa é uma tendência cada vez mais presente.

Resumindo: antes de reclamarem de quem faz download de séries, que os envolvidos com os canais pagos no Brasil ofereçam opções e serviços melhores. Afinal, tem muita gente pagando (e caro) por isso.