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Tony Soprano continua na mente de muitos fãs de séries, e de quem escreve séries também. A arte do roteiro é difícil de ser dominada, mas se existiu alguém nesse mundo que dominou esse touro chamado “roteiro” com maestria foi David Chase, criador de The Sopranos. A obra-prima da HBO foi eleita recentemente como a #1 entre as séries mais bem escritas da TV norte-americana, em eleição realizada pelo Sindicato de Roteiristas dos Estados Unidos.

A escolha de The Sopranos não me surpreende. A série beira à perfeição no seu roteiro, com personagens muito bem escritos, e argumentos que fazem com que você realmente se importe com aqueles personagens. Sem falar em um elenco primoroso, que soube dar vida a esses personagens. Principalmente com nomes como James Gandolfini, Edie Falco e Michael Imperioli, que eternizaram suas atuações com uma competência que enchem os olhos.

O Top 10 dessa lista do WGA pode ser controverso (como em toda lista que fazemos sobre TV), mas não é tão absurdo assim. Em um espectro amplo, podemos dizer que exisge um grande ponto de questionamento, e mesmo que você ache um absurdo que séries como Dexter e Breaking Bad não se posicionem nas dez primeiras posições, é importante lembrar que o mundo da TV não começou quando você começou a assistir TV, e que sim, existem roteiros melhores em mais relevantes.

Seinfeld na segunda posição é justo. A “comédia sobre o nada” (mesmo sendo uma comédia de situação) era ágil e inteligente, e mesmo assim, acessível. Contou com a genialidade da dupla Jerry Seinfeld e Larry David para criar uma experiência televisiva única, sendo esta a melhor comédia da história… (depois de Friends, na minha humilde opinião).

The Twilight Zone (Além da Imaginação) foi um marco da ficção na TV. Precisa ser uma mente muito criativa para criar histórias tão absurdas e bem construídas, para um público que estava começando a comprar a ideia de histórias que mostravam que a mente humana não tinha muitos limites. Sobre All in the Family (Tudo em Família),a comédia revolucionou o conceito de série familiar apenas por apresentar o pai mais preconceituoso e machista da história da TV, e mesmo assim, construir uma família feliz e harmoniosa. Piadas com ótimo timing, e temas que abordam assuntos relevantes para a família foram os pontos decisivos para o sucesso da produção.

M.A.S.H. possui, até hoje, o series finale mais visto da história da TV. Saiu de uma comédia que mostrava a vida de médicos na Guerra da Coreia para, no seu final, ser uma crítica aberta à política da Guerra Fria, questionando naquela época porque estamos mandando nossos soldados para uma guerra que não ia para lugar nenhum. É um dos finais de série mais espetaculares da história, e manteve por 11 temporadas um roteiro muito bem feito. E tem Alan Alda, que é gênio.

The Mary Tyler Moore Show é uma das comédias mais influentes da história da TV. Se séries como Murphy Brown e 30 Rock apareceram depois, foi por causa do sucesso da comédia da década de 1970, que mostrava uma jornalista moderna e independente, como uma das primeiras âncoras de um desajustado telejornal/programa de variedades. Com um elenco cheio de estrelas, quase todo mundo recebeu os seus spin-offs. E muito desse sucesso é graças à uma história que cativava o público de várias gerações.

Mad Men, a única série desse Top 10 da WGA que ainda está em exibição, não só se destaca pelo roteiro bem construído, com personagens sólidos, mas também pela impecável produção. Mas como o nosso assunto de hoje é o roteiro, temos que destacar que a série consegue reproduzir com alta fidelidade as situações e o comportamento social dos Estados Unidos na década de 1960 com uma riqueza de detalhes absurdamente elevada. Muitos que viveram a época afirmam que Mad Men é, praticamente, uma viagem no tempo em forma de série de TV.

Cheers foi uma comédia tão bem escrita, que fez com que todos os telespectadores criassem empatia quase que imediata pelos seus personagens. Mesmo em uma sitcom presa em um único ambiente (um bar), e mesmo com baixas sensíveis no seu elenco, Glen Charles, Les Charles e James Burrows sempre foram criativos o suficiente para não deixar o ritmo da série cair.

The Wire é, talvez, o grande ponto de polêmica do Top 10. Sempre li muitos elogios sobre a série, porém, ela nunca recebeu o reconhecimento das premiações. Não estou aqui dizendo que The Wire não mereça estar na lista. Só afirmo que o natural é que outras séries entrassem na lista justamente pelo fator “memorável”. The Simpsons, por exemplo, que ficou na décima primeira posição, poderia estar no Top 10.

Por fim, The West Wing. Aaron Sorkin mostrou que sabia o que estava fazendo quando contou a trajetória de um presidente dos Estados Unidos a partir da perspectiva da Casa Branca. Mesmo em uma série com um ritmo que lembrava mais um filme do que uma série, os seus personagens eram tão bem construídos, que era impossível você não acompanhar a trajetória de todos eles. Muitos sentem saudades da série até hoje. Eu, inclusive.

Clique aqui e veja a lista completa das 101 séries mais bem escritas da TV norte-americana, segundo a WGA.