É curioso eu escrever sobre outra mulher logo após escrever sobre o poder feminino em Game of Thrones (HBO). Aliás, faz um bom tempo que eu prego nesse blog que o mundo da TV é da mulheres, e só gente muito tapada não percebeu isso.

Aliás, só gente muito tapada ficou de mimimi com a escolha de Jodie Whittaker como a nova Doctor em Doctor Who (BBC).

A internet entrou em frenesi quando a BBC revelou quem seria a protagonista de sua principal série, algo que aconteceu logo após a final masculina do torneio de tênis de Wimbledon. Fica ainda mais importante e relevante esse anúncio se pensarmos que Doctor Who é uma série com alcance global, com fãs nos quatro cantos do planeta.

Os mais conservadores, para variar, protestaram. Foram de arrancar os pelinhos do braço, xingando muito no Twitter até gravar vídeos com discursos inflamados contra a decisão do canal, deferindo absurdos como “uma mulher jamais será capaz de manter o legado do personagem”, “já basta a companion ser uma lésbica, agora a Doctor precisa ser uma mulher?”, e outras sandices.

OK. Pra começar… menos… bem menos…. não sou obrigado a ler e ouvir tanta merda nas redes sociais por conta de uma decisão que já está tomada a algum tempo, e que tais xingamentos nada podem fazer para reverter tal decisão. Que, por sinal, não deve ser revertida. Tem que ser essa, e ponto!

Segundo: direitos iguais, meu povo!

Eu não me considero feminista, pois não acredito nesse tal feminismo que prega o ódio aos homens. Mas sempre entendi e apoiei que as mulheres tivessem as mesmas oportunidades que os homens. Que o mundo abrisse passagem para as mulheres mostrarem o seu talento e sua capacidade, independente da área profissional ou dos aspectos pessoais.

Eu tenho plena convicção que Jodie será uma ótima Doctor, podendo inclusive humanizar ainda mais o personagem, conquistando uma nova legião de fãs e oferecendo uma nova dinâmica e perspectiva para Doctor Who.

Além disso, uma coisa que os mais conservadores se esquecem é que esse lance de gênero é algo que ficou no passado, definitivamente. Hoje em dia, as pessoas são livres para serem e gostarem do que querem, gostem vocês ou não. Logo, o respeito às diferenças é algo fundamental para vivermos no mundo de hoje.

Por fim… aceitar o novo.

Em uma era onde a TV mostra o tempo todo que a criatividade está morta e enterrada, ver uma série com tanta longevidade como Doctor Who tentar se reinventar e apresentar soluções novas e mais alinhadas ao momento atual da sociedade e da humanidade é algo para se aplaudir de pé.

Em tempos onde os veículos tradicionais tendem a ser mais conservadores nas suas escolhas para evitar perder o dinheiro da publicidade, a BBC, um canal público, toma decisões ousadas, revolucionárias e surpreendentes. É uma coragem que eu gostaria de ver mais vezes na TV atual, mas que está se tornando algo cada vez mais raro.

Logo… aceita, que dói menos. The Doctor is SHE. SHE is the Doctor.

Seja bem vinda, Jodie. E boa sorte como a nova Doutora.