Com uma filmografia “estranha” e “bizarra”, David Lynch e Mark Frost produziram uma série que quebrou todos os paradigmas sobre televisão a famosa, aclamada pela crítica, Twin Peaks.

Antes de Twin Peaks todos os programas eram feitos com capítulos independentes, onde todos os episódios seguiam o mesmo plot, porém um não afetava o outro. Exemplos: Agente 86, I Love Lucy, Alfred Hitchcock Presents, etc. Posteriormente, Lynch trouxe para o mundo das produções televisivas um novo formato de exibição em que todos os episódios ao longo da temporada contavam uma mesma história. Muitas séries que assistimos hoje são baseadas no mesmo formato, como: Lost, 24, Sopranos, Dexter, entre outras séries atuais, que adotaram este padrão. Com isso foi definido no mundo dos seriados o “antes” e “depois” de Twin Peaks.

Exibida de 1990 e 1991, a trama começa com o assasinato de Laura Palmer que vivia na pacata cidade de Twin Peaks, uma cidade no interior dos Estados Unidos com cerca de 50.000 habitantes. Por ser um lugar tranquilo todos os moradores ficaram surpresos com a morte de Laura, uma das garotas mais populares da cidade, que além de ser muito bonita todas as pessoas a consideravam um exemplo por ser referência de comportamento. Para ajudar a resolver o assasinato o FBI envia o agente Dale Cooper,  interpretado por Kayle Maclachlan, que fica encantado com com cada detalhe da cidade. O agente é um personagem excêntrico que possui varias manias no mínimo estranhas, como: toda vez que está sozinho para refletir sobre o caso ele dialoga com seu gravador como se estivesse conversando com uma amiga Diane, ele utiliza de métodos de investigações nada convencionais, dentre outros. Porém cada vez que ele obtém mais informações sobre a morte percebe que a cidade não tem só moradores pacíficos e quase todos tem algo para esconder.

Além disso a série conta com uma gama excelente de personagens, nada comuns, que são desenvolvidos em varias subtramas que ajudam a resolver os mistérios da série. David Lynch, ainda faz um dos mais cômicos personagens na série como chefe de Dale. Todas as subtramas e personagens tem o papel significativo dentro da trama. A trilha sonora é outro ponto magnífico feita por Angelo Badalamenti, que trabalhou em varios filmes com Lynch, reproduz todos os sentimentos que devem ser passados pela série suspense, drama e um toque de humor negro em alguns episódios.

Embora pareça só mais uma história policial, Lynch usa de vários elementos surrealistas como na grande parte das suas obras cinematográficas como Duna (1984), Veludo Azul (1986) e outros. Para contar a história a série brinca com a dualidade entre o bem e o mal, o sonho e a realidade, o subconsciente. O sobrenatural é utilizado de forma inesperada e provoca o mesmo sentimento do personagem que está presenciando o sonho ou aparição, ora medo, ora surpresa. Vários personagens tem visões de pessoas que nunca tinham visto antes, o próprio agente Cooper tem sonhos que ajudam a resolver a grande pergunta da primeira temporada: “Quem matou Laura Palmer?”.  Até chegar ao ápice do último episódio da segunda temporada em que a realidade e o sonho se unem.

A primeira temporada foi um grande sucesso nos Estados Unidos. Tem 8 episódios excelentes, foi vencedor de três Globos de Ouro, de melhor ator para Kyle Maclachlan (Dale Cooper), melhor atriz coadjuvante para Piper Laurie (Catherine Martel), melhor série de drama, além de indicação para Angelo Badalamenti como melhor trilha sonora.

Já à segunda temporada, com 22 episódios, foi muito irregular, pois quando o mistério da morte de Laura é resolvido logo na metade da temporada muitas pessoas deixaram de ver então a audiência caiu muito. Há vários rumores que David Lynch deixou de trabalhar  na produção no meio da segunda temporada, pois os capítulos perdem todos os elementos de surrealismo e vira uma série de comédia com varias situações que não condizem com o restante da trama. Para os fãs de Arquivo X o ator David Duchovny faz uma participação especial na segunda temporada como um personagem nada comum. Só então nos últimos seis episódios Lynch volta para a direção da série com vários episódios fantásticos e um final de temporada surpreendente, porém a série não foi renovada devida a baixa audiência.

Em 1991 a série foi exibida no Brasil pela Globo até a metade da segunda temporada no domingo a noite e alguns anos depois a Record comprou os direitos e exibiu a série completa sem interrupções. E tambem foi um sucesso aqui, pois muitos que viveram nessa época ainda se lembram da pergunta “Quem matou Laura Palmer?”.

Twin Peaks não ficou só na televisão, foi para os cinemas  com Twin Peaks – Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992), que conta história de Laura Palmer antes da série. Apesar de todos já saberem o final da jornanda da garota, o filme não perde em nada para a série todo o suspense, surrealismo. Alem disso mostra uma outra visão da cidade, muitas pessoas não aceitam o filme pois ele mostra a cidade de Twin Peaks totalmente diferente muito mais sombria, muito diferente da que Dale Cooper tanto apreciava. Mesmo sendo um prelúdio o filme deve ser visto depois da série, pois conta vários mistérios da série.

Outro extra que foi lançada foi uma fita cassete com todos os diálogos entre Dale Cooper e seu gravador Diane,”Diane… The Twin Peaks tapes of Agent Cooper”, com cerca de uma hora de gravação conta varias reflexões do agente, as gravações vão desde Dale adolescente até o final do caso. Para ouvi-lo você deve ter visto o filme e a série devido ao fato de algumas gravações serem feitas antes dos eventos do filme.

Mesmo 19 anos depois do fim da série ainda se cogita em uma terceira temporada ou um novo filme, o que não sería nada mal depois do final da segunda temporada que já deixa o plot para uma terceira.



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