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Não se iluda: estamos diante de uma história de amor. E de vingança. Mas principalmente de amor. Acredite, se quiser!

Acredito que muita gente ficou traumatizada com o que a 20th Century Fox fez com o filme Quarteto Fantástico no ano passado. Já outros simplesmente tiveram muita raiva em serem obrigados a testemunhar aquilo. De qualquer forma, desde o primeiro promo que vi de Deadpool, pelo menos para mim ficou clara a sensação de “agora vai”, ou “dessa vez não vão fazer cagada”. Muito bem, o filme chegou aos cinemas, e fico feliz em ter essas expectativas correspondidas de forma positiva.

Aliás, temos aqui confirmada uma máxima que estava evidente justamente com aquele lixo de filme citado no parágrafo anterior: é a 20th Century Fox que consegue ferrar com os filmes da Marvel. Quando a empresa que hoje é uma propriedade da Disney assume o controle de tudo, a coisa anda naturalmente. E tal teoria de “dedo podre” produtora da raposa se confirma quando ficamos sabendo que os executivos dessa mesma produtora chegaram a dizer NÃO para esse projeto.

Até entendo. Do jeito deles, até eu não iria querer. Do jeito da Marvel? Na minha mesa para ontem. Mas deixemos a parte burocrática da coisa, e vamos falar do filme, que é o que realmente nos interessa.

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Confesso que não conhecia absolutamente nada sobre esse personagem do universo dos quadrinhos, e não busquei nenhuma informação prévia para assistir o filme ou escrever essa review. Logo, todas as informações que tenho são baseadas em uma visão que é basicamente a mesma da grande massa de audiência que tanto a Marvel como a 20th Century Fox quer conquistar. Ou seja, não me peçam similaridades e inconsistências envolvendo a história que alguns fãs já conhecem, pois eu mesmo não saberei falar sobre isso (e nem me vejo com essa obrigação).

Toda a história de Deadpool é centrada em Wade Wilson (Ryan Reynolds), que é um ex-militar/atual mercenário. Um cara sarcástico e com o mínimo de senso de moralidade, já que ele prefere ferrar apenas com aqueles que são mais escrotos que ele. Imaginando que sua vida poderia acabar a qualquer momento por conta de sua vida desajustada, ele mal imagina que o amor pode mudar tudo. E mudou.

Wade conhece a stripper/garota de programa Vanessa (Morena Baccarin). Isso desperta o lado namorado fofo dele. Ele se apaixona, e durante um ano, Wade e Vanessa vivem a história de amor mais perfeita que o cinema poderia contar… depois de tantas outras. Muito amor, muita afinidade e muito sexo nas datas comemorativas. Por esse tempo, nosso amigo teve a vida que ele sempre sonhou. Ou que ele nem sonhava, mas que ao descobrir, viu que era tão bom que não queria mais perder essa vida.

Até que a realidade bateu a sua porta de novo. E entregou um pacote escrito “bem vindo de volta à sua vida de fudido”.

Wade recebe o diagnóstico de que está com câncer em estado terminal. Vendo que sua vida iria mesmo chegar ao fim, e desesperado para não perder a vida que vivia com Vanessa, ele encontra uma possibilidade de cura em uma experiência científica liderada por Francis Freeman (Ed Skrein). Porém, o que era a sua esperança para viver mais alguns anos se tornou uma viagem sem volta ao mundo do bizarro.

Wade recebeu genes mutantes, e foi testado/torturado de todas as formas, com o “objetivo” de fazer com que esses genes se manifestem no seu organismo, através de um elevado nível de estresse. Não podemos dizer que a experiência não funcionou. Nosso amigo foi exposto ao limite, e o resultado disso não foi só a cura do câncer em seu organismo, mas também o desenvolvimento da capacidade de se curar de qualquer coisa. Em contrapartida, sua aparência também foi afetada, com seu rosto e corpo ficando desfigurados.

Depois de se recuperar fisicamente de uma explosão que acabou com seu cativeiro/laboratório, Wade decide traçar um plano de vingança que, em paralelo, vai colocá-lo novamente na vida de Vanessa. Cria um alter-ego – Deadpool -, cira uma fantasia, se mune de armas e piadas absurdas, e vai à luta, com sede de vingança.

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Deadpool é um filme da Marvel, e essa é uma excelente notícia. Parece que alguém convenceu os executivos da 20th Century Fox que é melhor deixar na mão de quem realmente entende do riscado. O resultado dessa sábia decisão dos engravatados é um filme divertidíssimo, que não te cansa em nenhum momento ao longo de duas horas, e que tem ritmo para te manter envolvido nos acontecimentos. Alguns podem achar que é um filme que abusa demais dos absurdos cinematográficos, principalmente nas cenas de ação. Mas essa teoria cai por tela logo nos créditos iniciais.

Fico feliz da 2oth Century Fox ao menos ter reconhecido a derrota, ou se reconhecer como “da zoeira”. Deixar claro que o filme é um caça-níquel, revelando todas as estratégias mais que manjadas e adotadas nos últimos anos para fazer um filme de herói quebra imediatamente aquela impressão que esse filme precisa ser crível ou ser levado a sério por algum motivo. Deadpool é um filme escrachado, e deve ser encarado assim. Não sei se nos quadrinhos o personagem tem essa pegada (imagino que sim), mas ao menos no filme o objetivo principal de tornar o protagonista um sem-noção de marca maior foi alcançado com sucesso.

E sim… o filme tira uma na cara da própria Fox, da Marvel… de todo mundo.

O roteiro pensado para esse filme é bem conciso, apesar das transições de narrativa entre o tempo presente e os flashbacks. Em nenhum momento você fica perdido na narrativa, ou encontra pontas que não ficam bem explicadas. Tudo flui bem, mesmo que esse “bem” seja o confuso Wade narrando como sua vida chegou até aquele ponto. Sem falar nas diversas quebras de quarta parede que, pelo menos para mim, me agradam muito.

Boa parte da empatia que se cria rapidamente com o protagonista é responsabilidade direta de Ryan Reynolds, que está muito bem como mercenário sem noção. Aliás, o elenco do filme é bem equilibrado (incluindo Morena Baccarin, antes que vocês digam qualquer coisa), e o texto do filme ajuda muito, apesar da quantidade enorme de palavrões que o filme tem (só o Deadpool lança nada menos que 84 palavrões ao longo de todo o filme). Mesmo assim, a seção onde eu estava tinha várias pessoas não tão grandinhas assim, e todo mundo se divertiu muito com o filme.

Em termos de produção, o filme entra dentro do esperado para a sua proposta. Várias cenas de ação com efeitos digitais que maximizam acidentes e cenas mais impactantes. Não era para menos: estamos falando de um filme que é um filme de ação. Logo, é o que se espera. E o filme também manda muito bem nesse aspecto. Outro ponto que merece um registro é a capacidade do filme em fazer várias referências da cultura pop sem ser cansativo. São referências válidas e pontualmente divertidas.

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Deadpool pode não ser um filme incrível, mas é um filme que diverte e muito. Já se pagou com certa tranquilidade (orçamento de US$ 58 milhões, e no momento em que esse post é finalizado, a receita já ultrapassa os US$ 280 milhões), e tem continuação com sinal verde da 20th Century Fox. É diversão garantida para quem gosta do gênero e para quem não conhece esse personagem, que “faz parte” do universo X-Men. Bom, naquelas. Você tem até o Colossos no filme, mas tudo é tão zoado, que eu duvido mesmo que algum dia vão colocar nosso herói sem noção em algum filme da franquia principal.

Deadpool é o filme da zoeira. É o filme da galera do fundão. É o filme da Marvel que a 20th Century Fox não conseguiu ferrar com tudo. Graças a Deus!