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Pouco falamos sobre CSI no SpinOff ao longo de sete anos de blog. Talvez porque a série nunca foi uma das mais populares junto ao público-alvo, apesar de ser por anos a mais vista do planeta. Entendo que algumas pessoas pegaram uma certa “birra”, por ser mais um procedural da CBS. Porém, agora que acabou – e depois de assistir ao seu episódio final -, fica aquela sensação de “não precisava ter acabado”.

A obra criada por Anthony E. Zuiker e produzida por Jerry Bruckheimer será eterna por vários aspectos. Antes dela, a TV americana – e o gênero “série dramática” era dominado pelas séries policiais. Várias delas ganharam o Emmy Awards de Melhor Série Dramática meio que “sem merecer”, porque os demais concorrentes da categoria também eram procedurais. Todos genéricos. Hoje, esse gênero caiu no lugar comum porque temos dramas mais interessantes e bem elaborados. Mas não é disso que quero falar nesse post.

CSI se diferenciou das demais porque, para começar, mostrou uma faceta mais interessante da investigação criminal. Veja bem: os procedurais genéricos tem o policial f*dão (ou a dupla de policiais badass), que segue as pistas mais evidentes, interrogam os suspeitos (em alguns casos, com muita coação física), para depois chegar ao verdadeiro bandido do episódio para dar voz de prisão.

Ou seja, tudo muito raso, superficial e acessível, correto?

Já em CSI, por se tratar da equipe que investigava a cena do crime, a perspectiva é outra. Muitas vezes era necessário compreender o perfil psicológico do criminoso para chegar até ele. Em alguns casos, montando o quadro geral do crime, através de ferramentas que ou envolviam a alta tecnologia, ou em alguns casos, envolvia técnicas inusitadas, que jamais seriam imaginadas pelo policial f*dão, que prefere usar as armas no lugar do cérebro na maioria dos casos.

CSI era uma série envolvente e inteligente. Aliás, é espantoso como uma série que, em muitos episódios, era difícil de se acompanhar o raciocínio da equipe de investigadores e, mesmo assim, conseguiu se tornar uma verdadeira febre junto ao norte-americano médio. Entre 2000 e 2015, a série foi um fenômeno, não apenas de audiência, mas de mobilização dessa audiência, que não perdia nenhum episódio, pelo simples fato de que, apesar de ser a série do “caso do dia”, a cada caso, a cada crime, uma perspectiva diferente era apresentada. Uma forma diferente de solucionar o crime era utilizada. E isso fez com que CSI se tornasse um caso único na TV norte-americana.

É claro que o tempo passa, e o gosto do telespectador muda ao longo do tempo. Hoje, séries procedurais contam com audiência cativa, mas não são aquelas que levam prêmios. CSI mesmo só levou prêmios Emmy nas categorias técnicas. Mas isso não importa. CSI tinha todos os elementos que a tornavam uma grande série. Além daquele item principal. Aquela peça que fazia toda a engrenagem funcionar.

Gil Grissom.

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O entomologista interpretado por William Petersen é um personagem que entrou para a história da TV, e sem chamar a atenção para os atributos físicos. O que tornava Grissom atraente para o público era sua inteligência única, sua capacidade de ver o que os outros não viam. E fazendo isso de forma discreta, sem estardalhaços. O “seu Grisso” era tão f*da, que assumiu a liderança da equipe de CSIs em Las Vegas nos primeiros episódios, e essa foi a melhor decisão que os roteiristas da série tomaram na época. Era a liderança discreta, firme, pontual.

O episódio final de CSI foi feito para os fãs que acompanharam as 15 temporadas da série, ou pelo menos boa parte dela (muitos afirmam que a série acabou depois da saída de Grissom). Trazer de volta Gil Grissom e Catherine Willows (Marg Helenberger) é uma forma de dar um final de série digno para os fãs. Mas o mais legal é que tudo foi feito de forma bem pensada, conectando passado e futuro dos personagens e da própria franquia.

Trazer de volta os personagens mais icônicos da franquia não era o suficiente. Eles trouxeram também Jim Brass (Paul Guilfoyle), o homem que foi substituído por Gil Grissom como supervisor do time de CSIs, e “Lady” Heather Kessler (Melinda Clarke), pivô da separação entre Gil e Sara Sidle (Jorja Fox). A relação entre Gil e Sara sempre ficou mal resolvida, e o episódio final tem como principal objetivo encerrar essa história.

E mesmo aqueles que não acompanharam toda a longa jornada televisiva de CSI vai identificar perfeitamente a genialidade que a série possui. No final das contas, vemos o crescimento de alguns personagens, a modificação de tantos outros, a mudança de D.B. Russell (Ted Danson), que foi para CSI: Cyber, e a volta de Catherine para Las Vegas.

Mas a grande modificação veio com Gil Grissom mesmo. O personagem, que antes não tinha fé alguma na humanidade, só acreditando naquilo que a ciência (e os cadáveres) diziam, admite finalmente que se abriu para os sentimentos por alguém. Entendeu que, nessa vida, não é possível seguir em frente sem se permitir ser mais humano.

Esse talvez é o grande prêmio para os fãs de CSI. Não que eles quisessem ver Grissom diferente do que ele sempre foi. Mas porque a máxima da evolução humana prevaleceu. As pessoas evoluem. E nessa evolução, elas mudam, e se transformam em algo melhor. Isso acontece com todo mundo. Inclusive com alguém que conversa com abelhas.

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Pode parecer clichê ou hipocrisia, mas CSI vai fazer falta. Nos resta o consolo que a franquia continua viva com CSI: Cyber, mas não acredito que a série protagonizada por Patricia Arquette terá vida longa. Espero estar enganado.

O legado que CSI deixa para a TV é oferecer uma série inteligente, que fazia o telespectador pensar, e que virou febre mundial por conta de sua inteligência. Oferecer um olhar diferente aos procedurais. Fazer com que o telespectador se viciasse em uma produção que estimulava o cérebro, apresentando soluções inusitadas e criativas. Por 337 episódios, CSI construiu algo que poucas séries conseguiram: um legado único.

CSI chegou ao fim, para ser colocada no lugar que merece: a imortalidade.