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Por muito tempo, a audiência de um programa de TV no horário de sua exibição foi a única métrica para avaliar seu sucesso. Afinal, saber quantas pessoas estavam sentadas no sofá vendo aquele programa é interessante na hora de vender seus espaços de publicidade que, fundamentalmente, financia tudo isso. Entretanto, de uns tempos para cá, um outro fator entrou em campo: os espectadores que gravam o programa para assistir no horário que mais os satisfaz.

Para se ter uma ideia da importância desse fator, tome como exemplo a primeira metade da temporada de The Blacklist. Sua exibição tradicional, nas noites de segunda da NBC após The Voice, alcançou média de 9.3 milhões de espectadores. Na mesma noite da exibição ao vivo, mais 1.8 milhões de pessoas assistiram a série. Três dias depois, mais 4.8 milhões de pessoas e, uma semana depois, mais 1.3 milhões. Assim, 7.9 milhões de pessoas assistiram a série num período de uma semana em seus DVR. Isso representa uma aumento de 85% na audiência. No total, em média 17.2 milhões de pessoas assistiram Blacklist por semana, tornando a série um blockbuster de respeito (ainda mais no canal do pavão).

O fenômeno não é isolado. Se considerarmos a audiência total (somando-se a audiência dos programas ao vivo com as exibições dos DVR em até 7 dias) as 4 grandes emissoras de TV aberta dos EUA tiveram um aumento de 6% no total de espectadores em relação ao ano anterior. No total, mais de 20 programas dobraram suas demos (espectadores entre 18 e 49 anos) depois de somar a audiência dos DVR a seus números iniciais. E é aí que está o ouro da brincadeira.

O público jovem representado pela demo é o alvo principal da publicidade. Os DVR são aparelhos que representam o modo como esse público jovem entende o entretenimento televisivo. Não precisa ser muito esperto pra notar que uma mudança relevante no mercado está acontecendo. Hoje, as emissoras são pagas de acordo com a demo de um programa até 3 dias após sua exibição ao vivo (em eventuais reprises, por exemplo). Os executivos das emissoras querem mudar os acordos para receber de acordo com a audiência de 7 dias após a primeira exibição. Para The Blacklist, isso representaria um aumento de 3.1 milhões para 3.7 milhões, ou seja, quase 20% a mais de audiência (e, consequentemente, de receita). O CEO da CBS, Leslie Moonves, já chegou a sugerir que o pagamento deveria ser baseado na audiência em 30 dias.

Nessa temporada, teremos uma boa noção de como os DVR influenciam no total de espectadores dos programas de TV. A Nielsen, principal empresa de medição de audiência, irá incluir as exibições em DVR nas suas estatísticas oficiais de audiência. Assim, as emissoras passarão a receber também pelas exibições gravadas pelos usuários. Então, em abril, quando a bolha do cancelamento estourar, a audiência dos DVR pode salvar a pele de séries cujas audiências não são exatamente satisfatórias (abraço, agente Coulson).

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