Foi uma longa espera até o mês de fevereiro. O que tornou essa espera mais longa foi o fato do último episódio de The Walking Dead antes da pausa ter entregado toda a ação e tensão esperada pelo telespectador, criando uma atmosfera de ansiedade em todos que gostariam de ver como aquela história iria continuar. Pois bem. Agora que sabemos o que aconteceu, podemos dizer que “é, foi bom… mas…”.

Não é uma crítica, mesmo sendo. Dizer que “poderia ser melhor” o episódio de retorno de The Walking Dead (S03E09 – “The Suicide King”) pode soar como uma grande ofensa para os ouvidos mais “puristas”, por assim dizer. Mas o fato é que raramente uma série consegue ter todos os episódios da temporada acrescentando elementos e informações novas ou relevantes para o seu desenvolvimento, e é natural que, em uma temporada mais longa da série dos zumbis, alguns episódios não acrescentassem muita coisa. E foi isso o que aconteceu nesse episódio.

Eu sei. Muita gente esperou um episódio que explodisse cabeças (de zumbis, de preferência), com viradas espetaculares no enredo, e uma batalha sem precedentes pelo controle do local (ou dos locais, já que agora temos dois cenários a serem conquistados). Calma. Isso só vai acontecer lá na frente (até parece que você nunca viu nenhuma série que não precisasse encher linguiça). Por outro lado, entendo a frustração de quem não gostou de algumas situações apresentadas no episódio. Mas isso já é típico da narrativa mais lenta de The Walking Dead, e compreendo que seja assim. Apesar de não gostar muito disso nesse caso.

O exemplo mais claro do que estou falando está no personagem do Governador. Diante de um cenário onde estranhos simplesmente estragam com todo o seu plano de “cidade perfeita”, inclusive expondo Woodbury novamente aos zumbis, seria mais do que natural ter uma reação rápida e implacável. Mas não. Nosso amigo Governador ficou um episódio com cara de ódio, sem fazer nada, atirando na cabeça de um e outro dentro da cidade que ele mesmo disse ser segura, e ficou por isso mesmo. Ficou por conta da Andrea, que já não está mais tão confiante do lugar que está, controlar os populares.

A volta dos irmãos Dixon (Merle e Daryl) ao modo “somos nós dois contra o resto do mundo” também decepcionou em partes, ainda mais pelas circunstâncias envolvidas. Depois de Rick e os outros se arriscarem para voltar e resgatar Daryl, ele simplesmente resolve seguir com o irmão dele rumo ao desconhecido. Tá, tem o conceito de “family first”. Mas em um cenário pós-apocalíptico, você fica com as pessoas que te ajudam a sobrevier. Não quem pode te ferrar a qualquer momento.

De fato, nada de realmente importante aconteceu. Por outro lado, alguns esboços do que pode acontecer no futuro já foram plantados. O principal deles é o início da loucura/delírios de Rick Grimes. Não sabemos se isso é pura falta de sono, ou se realmente ele começa a enlouquecer com todo o cenário que ele mesmo já não consegue contornar mais. Talvez essa seja a informação mais importante do episódio.

Fora isso, Michonne dorme tranquila… aliás, eis uma personagem que não fez nada de muito importante até agora, e quando fez, quase ferrou com a vida de todos da prisão. Ah, ela deixou o Governador caolho. Beleza. Por causa disso, todo mundo teve sua fuga de Woodbury prejudicada. Mas, fora isso, nada de muito relevante. Mas, por enquanto, estou tranquilo. Não há porque reclamar muito desses acontecimentos. Pelo menos para mim, The Walking Dead tem mais créditos do que débitos.

Para concluir: o retorno não foi bombástico e impactante como muitos queriam. Foi “ok”, mas não vejo motivos para grandes preocupações. Ainda segue sendo (na minha opinião) a melhor temporada de The Walking Dead desde a sua estreia, e acho que o grande confronto ainda está por vir. Muita água vai rolar por debaixo da ponte da série, e muitos zumbis serão mortos nesse meio tempo. O mais importante a ter em mente é que, definitivamente, a série mostra que o telespectador precisa se centrar na premissa que é apresentada desde o primeiro episódio: “os perigosos são os humanos, e não os zumbis”.