Executivos da NBC, podem voltar a sorrir! A galinha dos ovos de ouro do canal do pavão está no ar novamente. The Voice entra na sua terceira temporada com alguns desafios a serem cumpridos. O primeiro é se manter como o programa de maior audiência da NBC. O segundo é confirmar que é mesmo o melhor reality musical da atualidade, superando o desgastado American Idol e, principalmente, batendo de frente com o seu adversário direto nessa temporada, The X-Factor USA, na Fox. Mas tudo indica que, por apostar na mesma fórmula segura que já vem dando certo, o programa seguirá a sua jornada de sucesso.

Diferente de The X-Factor USA, que passou por mudanças sensíveis em vários pontos do programa, The Voice praticamente não mudou, nem no formato, muito menos na edição, e especialmente, na sua proposta. Todos os jurados voltaram, apesar do clima tenso entre Adam Levine e Christina Aguilera no final da segunda temporada (por causa da performance polêmica de “99 Problems” em versão folk… que, de fato, não foi polêmica; Aguilera quis pilhar mesmo), e todos afirmam que os ânimos entre os dois estão “mais calmos”. E precisa ficar. Afinal, eles e muito mais gente estão ganhando grana e visibilidade com o programa, e eles não podem colocar tudo a perder por causa de briguinhas infantis.

Carson Daly, o apresentador do programa, conseguiu se livrar um pouco das críticas, e de uma provável troca com a segunda temporada. Bom, ao menos ele tentou fazer alguma coisa diferente do que falar com a boca torta do lado esquerdo. Espera-se que na terceira temporada ele melhore. Mas, para aqueles que ainda acham que ele é o ponto negativo do reality, apenas alguns toques: quando a MTV ainda passava videoclipes nos Estados Unidos, Carson era o “queridinho da América” por apresentar o programa de maior audiência da MTV nos anos de 1990/começo dos anos 2000, o TRL (Total Request Live). Isso fez com que ele garantisse um talk-show na própria NBC, o Last Call with Carson Daly, e a audiência do canal gosta do cara. Logo, tudo indica que ele não sai tão cedo.

A mecânica de The Voice segue a mesma, e o seu foco, também. Diferente de American Idol e The X-Factor USA, o reality musical da NBC continua apostando em priorizar os candidatos e suas histórias, focando todo o programa em mostrar a experiência de descoberta de um novo talento baseado apenas na sua capacidade vocal. Os dois realitys da Fox se apoiam no fator “diversão” em incluir em suas respectivas audições os candidatos “losers” ou fracassados, que realmente “se acham” ou acreditam que vão passar (por um motivo que só eles entendem), mas obviamente serão escrachados pelos mentores/jurados. No caso de The Voice, não. O foco é na escolha dos melhores mesmo. E, como nessa temporada, eles precisam escolher 16 candidatos cada um, é necessário correr um pouco com a exibição desses escolhidos. Até porque a parte divertida do processo está na suposta “briga” entre os treinadores para ficar com um determinado cantor.

A principal mudança de The Voice para essa terceira temporada está no resgate dos candidatos rejeitados pelos outros mentores. Já explicamos essa regra aqui no SpinOff, e essa nova regra promete aumentar a dinâmica da competição, tornando as escolhas ainda mais difíceis, e a disputa mais acirrada. Outra novidade está nas duas semanas adicionais que a temporada desse ano vai ter, com o Knockout Round, que vai fazer com que os treinadores reduzam a sua lista de cantores de 10 para cinco, em confrontos diretos. Ou seja, teremos 20 candidatos na fase de programas ao vivo, onde a votação popular começa.

Por isso, não vamos ver mudanças muito drásticas com The Voice até o término das Blind Auditions. E essa é uma ótima notícia. Ao meu ver, esse é o melhor reality musical da TV norte-americana hoje, e tudo indica que essa terceira temporada será a confirmação disso. E volto a repetir, sem medo de errar: acredito que The Voice vai ajudar a liderar a recuperação da NBC entre os canais abertos dos Estados Unidos.