The Voice - Season 4

“Come together, right now… over me!” Assim começou a quarta temporada de The Voice US, para alívio da NBC, quem pode parar de passar vergonha na audiência. Eu sei, esse post está saindo bem atrasado, mas aproveitei o feriado para ver os dois primeiros episódios do reality musical, e só agora posso compartilhar com vocês as minhas impressões. Que, por sinal, foram as melhores possíveis.

Como regra, eu vejo os reality shows para essencialmente me divertir. E diversão não faltou nos primeiros dois episódios da nova temporada de The Voice US. Uma das preocupações/dúvidas de todos era como seria a interação entre os veteranos Adam Levine e Blake Shelton com os novatos Usher e Shakira, e ao meu ver, os resultados foram os melhores possíveis. A performance de “Come Together” na abertura da temporada foi simplesmente animal, e o entrosamento dos treinadores está excelente. Parece até que eles fazem isso juntos há três temporadas. Logo, uma preocupação a menos para fazer a temporada engrenar.

Outra preocupação (minha) está na duração dessa temporada. Como ela tende a ser mais curta, acredito que as Blind Auditions serão mais ágeis. Uma coisa que Mark Burnett (produtor do programa) deve ter sacado rapidamente é que dois programas de duas horas a cada semana não é algo que acaba dando ritmo ao programa. Uma das minhas (poucas) críticas à terceira temporada foi justamente uma Blind Auditions que durou dois meses, com dois programas por semana de duas horas. Por mais que a gente goste de The Voice, isso pode tornar o programa maçante. E, de fato, na última temporada, depois de dois meses de audições, eu queria mais era que o programa engrenasse para a próxima fase.

Pelo menos nessa primeira etapa, The Voice US não apresenta mudanças. Serão 12 selecionados para cada jurado, que deverão ser selecionados em mais quatro episódios de audições (duas horas nas noites de segunda, uma hora nas noites de terça). Aqui está a primeira grande diferença em relação à temporada anterior: uma hora a menos de programa, com audições que vão durar, no máximo, três semanas. Ou seja, dinamismo garantido nesses programas.

A quarta semana de The Voice US será marcada pelas já tradicionais batalhas (ou Battles). A regra do Steal permanece nessa temporada, e vai ser efetivada durante as batalhas. Depois disso, seguem os rounds eliminatórios para a fase final do programa, onde a audiência assume o controle.

É bom ver The Voice US de volta ao ar. Ri muito com os jurados, fiquei muito satisfeito com alguns candidatos, e constatei mais uma vez que American Idol segue na sua decadência de formato. Não só por causa da diferença dos jurados (ou treinadores, no caso do programa da NBC), mas mesmo pelo conceito geral do programa.

Diferente de Idol, The Voice US mais uma vez se vale do talento combinado com as boas histórias dos candidatos para atrair a atenção do público. Por selecionar os melhores, as chances de escolhas equivocadas (como mais uma vez aconteceu em American Idol nessa temporada) fazem com que o programa seja mais interessante naquilo que realmente importa: o talento musical.

É claro que eu quero me entreter. Óbvio que quero ver palhaçadas e micos na tela da minha TV (não é mesmo, Usher – que estupidamente chamou a cidade de Nashville de estado). Mas mais uma vez eu digo que esses treinadores estão avaliando pessoas que efetivamente acreditam que podem mudar suas vidas através do seu talento musical. Trabalham a sério nisso, e não estão lá apenas porque viram um aglomerado de gente na frente de um estádio. Esperam ser levadas a sério, e acreditam que aqueles astros da música serão influentes e relevantes nas suas carreiras.

Independente disso, tudo indica que o público norte-americano também sentiu falta de The Voice US nesses meses de pausa. A estreia na última segunda-feira (25/03) foi líder absoluta da noite, com sólidos 13.36 milhões de espectadores, com uma demo 18-49 anos de 4.7. O segundo episódio, exibido na última terça-feira (26/03), não liderou na audiência geral (perdeu para NCIS em número de espectadores), mas teve ótimos 12.02 milhões, e venceu na demo 18-49, com 3.9. Coincidência ou não, isso tudo aconteceu na mesma semana que American Idol teve a sua pior audiência na temporada, e em um programa de eliminação (na última quinta-feira).

Bob Greenblatt respira aliviado. Tudo indica que ele saiu do buraco, e finalmente pode dizer que a NBC venceu em alguma noite na semana, depois de 13 semanas sendo massacrada pelos demais canais. Até maio, The Voice US será a salvação da lavoura no canal do pavão. Sorte nossa.