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Demorei, mas assisti Pixels. Primeiro, porque desde o momento do anúncio do projeto, eu tive vontade de ver o filme, apenas por conta do conceito geral. Segundo, porque é um filme que dividiu opiniões, ou dois mundos: o dos críticos ‘especialistas’ e daqueles que só queriam se divertir. Bom, fico feliz em ter ficado no segundo grupo.

Eu mesmo tenho aversão aos filmes do Adam Sandler, pois faz tempo que ele só sabe fazer o bobão da vez. Dessa vez não é muito diferente, fazendo o nerd bobão/instalador de TVs de tela plana. Mas também não dá pára esperar mais nada dele, e é um erro sair de casa e ir ao cinema esperando que ele faça algo melhor do que já sabemos. Logo, desencane sobre isso, pelo amor de Deus.

A mesma regra vale para Peter Dinklage, Kevin James e derivados. Esqueça a atuação de todos eles. Aliás, esqueça o crível nesse filme. Pixels é totalmente calcado no  lúdico, na viagem nostálgica que revisa o mundo dos videogames do passado, e no absurdo dos campeões decadentes desses videogames salvando o planeta da invasão desses mesmos games.

Na verdade, mesmo sem fazer sentido, eles ao menos explicam como os videogames entram na jogada como exterminadores da raça humana. Depois de vidas inteligentes do universo encontrarem a tal cápsula despachada pela NASA na década de 1980 – que incluía várias referências da cultura pop, incluindo vídeos do campeonato de videogames que nossos protagonistas participam -, esses mesmos alienígenas entendem que estavam sendo desafiados para uma grande partida de videogame. E decidem ‘jogar o jogo’.

Como todo mundo hoje joga Call of Duty e Battlefield, o governo dos Estados Unidos – cujo presidente é um dos nerds que jogava videogames – convoca os ex-campeões dos games clássicos para resolver a parada.

Ou seja, nada com que você não possa conviver no dia a dia. Ainda mais para você que assiste Game of Thrones, não é mesmo? #ironic.

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Pixels é o filme da zoeira. Nada tem que fazer sentido mesmo. E é por isso que é legal.

Talvez o que faz mais sentido nisso tudo é o arsenal de referências do mundo dos games e da cultura norte-americana de 30 anos atrás. É quase certo que a galera mais nova não entendeu metade das referências que apareceram em forma de personagens da TV e do cinema, políticos e principalmente dos jogos clássicos. E talvez por isso Pixels tenha mais chances de dar certo junto ao público mais velho mesmo.

Por outro lado, é um filme acessível, para quem está disposto a simplesmente ir ao cinema para se divertir, dar algumas risadas e relembrar o poder que uma ficha tinha em um fliperama. Sabe, quando vemos um tipo de filme com essa premissa, definitivamente temos que ‘desligar o cérebro’, e parar de ficar pensando no crível ou coerente. Muito menos imaginar que atores como Adam Sandler vão fazer algo muito melhor que aquilo.

Entendo que tem muita gente que já vai ao cinema com má vontade por conta desses fatores. Um conselho para essa turma: fica em casa. Não é um filme feito para você. Vá ver outra coisa.

Pixels é um filme que o 3D faz a sua razão de ser. Visualmente falando é bem legal, onde a proposta dos videogames pixelados se encaixa bem na proposta geral da trama e nas cenas do mundo real. O roteiro tem alguns problemas sérios, mas é como eu disse: como você vai pedir coerência em um filme como esse? Até porque é de se imaginar que um presidente dos EUA meio bobalhão daria uma festa enquanto o mundo está sob ameaça alienígena, certo?

E para não dizer que Pixels não levanta alguns pontos de se pensar…

O filme fala muito sobre padrões, ou seguir os padrões. É como os gamers do passado venciam os seus jogos. Hoje, tudo é mais intuitivo, passional e emocional. Às vezes precisamos apenas pensar que não queremos morrer, e agir como se realmente quisesse isso. Os games de hoje são mais intuitivos de um modo geral, e todo mundo precisa de vez em quando se munir de coragem para seguir sua intuição e enfrentar os problemas do dia a dia.

É claro que também temos que pensar que, quando trapaceamos no jogo, temos que pagar as consequências disso. Seguir as regras do jogo é fundamental. Caso contrário, o seu adversário pode dizer ‘game over’ para você.

Mas… chega de filosofia. Pixels me divertiu, e é isso o que importa. Críticas sobre roteiros coerentes ou não, atuações dignas de um Oscar ou de uma Framboesa de Ouro… tudo isso é uma grande perda de tempo. Vá ao cinema para ver esse filme, desencanar dos problemas cotidianos, e dar algumas risadas.