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Corre, Tom Cruise… pode correr o quanto quiser, que a gente deixa! Missão: Impossível – Nação Secreta é o quinto filme de uma franquia que já tem quase 20 anos de vida (estamos ficando velhos…), mostrando a sua maturidade em vários aspectos. A melhor notícia que podemos dizer logo de cara é que Nação Secreta é diversão garantida, e não decepciona como um bom filme de ação.

O filme tem uma trama relativamente simples. A IMF será desmantelada, já que é considerada pelo governo dos Estados Unidos desatualizada e extremamente perigosa para as relações internacionais do citado país. Afinal de contas, tudo o que os agentes da IMF toca invariavelmente explode. Nesse meio tempo, Ethan Hunt (Cruise) persegue um dos mais procurados terroristas do planeta, e durante as suas investigações e caçadas, ele descobre que existe um grupo de influentes poderosos, líderes políticos de algumas das grandes potências mundiais e terroristas dos mais procurados envolvidos em uma organização que visa assumir o poder absoluto: o ‘sindicato’, ou a tal ‘Nação Secreta’.

Esse grupo descobre o paradeiro de Hunt e dos seus comparsas, e agora tem como objetivo único eliminar todos eles, com a manipulação do tal terrorista, que quer o dinheiro que a tal Nação Secreta possui para manter as suas atividades. E é aí que começa a típica corrida de gato e rato, onde Hunt coloca sua cabeça à prêmio em várias oportunidades, apenas pela manutenção e segurança do mundo livre.

No meio do caminho, Hunt precisa lidar com inimigos querendo ajudar (mas traindo ele algumas vezes), a arrogância da CIA (que acha que sabe tudo), e as situações de limite, que exigem medidas desesperadas por parte dele e de seus comparsas. Sem falar que Hunt precisa lidar com outro inimigo em particular: seu próprio ego. Não colocar tudo a perder apenas para capturar um inimigo pessoal, e saber ser um ‘jogador’ racional e equilibrado.

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Antes de falar sobre o que penso de Missão: Impossível – Nação Secreta, é preciso deixar claro uma coisa: estamos falando de um filme que se chama ‘Missão: Impossível’. Ou seja, se você quer algo crível, nem saia de casa. Se prepare para ver algo que, no mundo real, jamais poderia acontecer. E essa é a grande graça de ver um filme como esse. Entendo que é obrigação de quem compra o ingresso para ver um filme como esse ‘comprar’ a proposta geral do filme, e se divertir com a experiência. Senão, você não vai passar de um chato que não sabe aproveitar a vida.

Dito isso, Missão: Impossível – Nação Secreta tem tudo para ser o grande filme da temporada de verão nos EUA (ou da nossa temporada de blockbusters). Dentro do que se propõe a fazer, é simplesmente excelente. O roteiro é bem construído, e quase não se percebe barrigas ao longo de 130 minutos de filme (quem sabe uma cena ou outra que você pensa ‘mas ele não poderia ter feito isso antes?’). O filme como um todo é bem montado e editado, com um ótimo ritmo, sem ser cansativo.

Além disso, a produção é – mais uma vez – algo gigante. A Paramount investiu pesado nas locações, com várias externas em diferentes locais do planeta (será que é por isso que Tom Cruise só pode lançar um filme da franquia a cada quatro anos?), sem falar nos veículos de preços absurdos que são utilizados/destruídos durante as cenas de perseguição. Nesse caso, algo mais que oportuno, já que estamos falando de um filme que está dentro de uma atmosfera muito sofisticada e altamente tecnológica.

Aliás, é a tecnologia oferecida no filme – futurista até demais – que também me motiva a assistir aos filmes da série Missão: Impossível. Tudo bem, eles deixaram a Apple para serem explicitamente patrocinados pela Microsoft, mas… quem se importa, não é mesmo?

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Mas falando do que realmente interessa. Missão: Impossível – Nação Secreta é um baita filme de ação e espionagem. As absurdas cenas de ação que aprendemos a amar estão lá. Se em ‘Protocolo Fantasma’ eles ‘aliviaram’ nas cenas impossíveis, nesse filme eles decidiram ‘largar a mão sem medo de ser feliz’, onde você verá não só a emblemática cena do avião decolando (ondem tem quem jura por Deus que a cena externa aconteceu do jeito que todo mundo viu, e que Tom Cruise não usou dublê para aquela cena) ou a sequência onde Hunt entra em um dique com uma pressão de água absurda, mas outras sequências onde você sabe que aquilo é ‘impossível’ de acontecer, mas embarca na brincadeira. Porque é legal.

Sem falar que o filme consegue o equilíbrio perfeito entre a ação e o bom humor, com uma química muito boa da equipe da IMF (com a ajuda de Ving Rhames, Simon Pegg e Jeremy Renner), com piadas sutis mas muito bem colocadas. Aqui vemos o ponto mais explícito de maturidade da franquia, onde Tom Cruise – um do membros do time de produtores executivos do filme, ao lado de J. J. Abrams – compreendeu que todo bom filme de ação precisa combinar esses dois elementos com equilíbrio, e na dose certa.

Sem falar que mais uma vez temos a adição de elementos culturais no filme. Desde o começo, a franquia Missão: Impossível fez menções sobre obras clássicas do teatro, cinema e música. São referências que nem todos os fãs de filmes de ação conhecem, mas que criam uma conexão muito interessante com os acontecimentos da trama.

No caso de ‘Nação Secreta’, os mais atentos vão entender que a ópera ‘Turandot’, de Giaccomo Puccini, não foi colocada por acaso em uma das sequências. Não só mostra a importância da posição feminina na história (e mais uma vez temos uma mulher com um papel central muito relevante para a trama trabalhada), como também fala diretamente com o aspecto psicológico do próprio Ethan Hunt, que em parte do filme é visto como um ‘apostador’, desafiado a cumprir a sua missão a todo custo.

E, nessa ópera, também há uma ‘aposta’ ou ‘desafio’ memorável.

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Enfim, Missão: Impossível – Nação Secreta é um ótimo filme de ação. É o melhor filme da franquia até agora, e forte candidato ao grande hit desse verão. Como já sabemos que tem um sexto filme da franquia em desenvolvimento, podemos afirmar que não foi a última vez que vimos Ethan Hunt fazendo coisas absurdas para nos divertir. Aliás, Missão: Impossível nos faz lembrar que o cinema precisa sim de filmes desse tipo. Movimentados, impactantes e divertidos.

Oferecer o entretenimento com excelência. Tirar todo mundo da realidade, e imergir em uma atmosfera de alta qualidade técnica e conceitual. A maturidade apresentada por ‘Nação Secreta’ mostra que aquilo que muita gente criticou em 1996 – por desconstruir o papel de herói do protagonista da série original – merece aplausos pela evolução apresentada.

E por mostrar que Tom Cruise sabe correr em cena como poucos! :)