sing

 

“Todos os seus medos desaparecem quando você simplesmente começa a cantar”.

Sou suspeito para falar, mas não é difícil de imaginar que tendo a gostar de praticamente tudo o que envolve música no cinema. Mas Sing: Quem Canta Seus Males Espanta precisa ter uma certa dose de paciência por parte dos mais exigentes. Digo isso porque o filme leva algum tempo para engrenar. Mas quando engrena… deixa o seu recado. E bem claro.

Produzido pela Illumination Entertainment (a mesma da franquia Meu Malvado Favorito), o filme começa morno, e quase no final decide mostrar a que veio, oferecendo um bom entretenimento para crianças e adultos.

 

 

Roteiro básico e de fácil compreensão

 

 

Sing é um filme feito para as crianças. Tem roteiro essencialmente pensado nelas, mesmo combinando elementos de cultura pop, principalmente na sua trilha sonora, que é um festival de megahits da cultura pop.

Daqui a pouco falo do elemento musical.

Como disse, o roteiro é de fácil compreensão e identificação para crianças e adultos. Não há nada muito elaborado, para não deixar ninguém perdido. Sabemos que o protagonista é o coala produtor, um fracassado que tenta de tudo para salvar o seu teatro.

A sua última grande ideia é criar um show de talentos em formato de competição de canto, no estilo American Idol, The Voice, The X-Factor e outros do gênero. Um monte de gente talentosa aparece, principalmente quando por um erro o prêmio oferecido é muito maior do que aquele que nosso protagonista pode pagar.

Porém, o coala vai com a cara e a coragem, pois não desiste do seu sonho, e quer fazer com que seu projeto siga em frente, custe o que custar.

E o filme se desenvolve a partir dessa premissa.

 

Crianças, ignorem as barreiras idiomáticas

 

Um dos detalhes que Sing pode eventualmente dificultar a vida dos mais novos está no fato da maioria das músicas estarem no seu idioma original. Porém, esta é a melhor escolha que a versão brasileira poderia fazer.

As músicas aqui apenas são o apelo de cultura pop que roteiristas propõem para o filme, e são facilmente identificáveis pela maioria das pessoas. Aliás, a trilha sonora do filme é excelente, combinando na medida certa megahits atuais da cultura pop com clássicos da ópera e da música contemporânea.

A única música que foi adaptada para o português é a única canção original do filme, interpretada por Wanessa Camargo (ela ainda tem o Camargo no nome artístico?) e, mais uma vez, esta é uma sábia decisão do estúdio, pois a canção, no momento em que é apresentada, se alinha perfeitamente com o que é proposto no filme naquele momento.

A direção de dublagem no Brasil também foi competente, com uma boa adaptação dos diálogos e interpretação dos personagens. Ou seja, mais uma vez fica provado que é possível sim ter uma boa dublagem no Brasil.

 

 

Apesar de ter um roteiro meio morno na primeira metade do filme, Sing engrena e até empolga na sua reta final. E consegue esse efeito porque mostra, de forma clara, qual é o real objetivo daqueles que amam a música: transformar pessoas.

Fazemos música porque amamos. Não importa as adversidades, os desafios, problemas e aborrecimentos. O que realmente importa é entregar a sua arte para quem está disposto a ouvir, deixando a voz do coração sair e ser ouvida pelo maior número de pessoas.

Com isso, Sing passa no teste. É um bom programa de férias de janeiro para crianças e adultos. Na pior das hipóteses rende a alegria de ver o seu filho cantando os hits de Katy Perry e Taylor Swift.

E, quem sabe, você não sai cantarolando algumas coisas também.