minha mãe é uma peça 2

 

“Família precisa brigar de vez em quando. Quando a família para de brigar, é sinal que ela acabou”.

Eu confesso que fui assistir Minha Mãe É Uma Peça 2 com zero de expectativas em encontrar um bom filme. Eu estava traumatizado depois de ver Paulo Gustavo vestido de mulher e gritando de forma descontrolada por duas horas. Logo, não esperava nada do filme que estreia hoje (22) nos cinemas brasileiros.

Mas, como em tudo nessa vida, o monstro da expectativa é o que destrói as coisas. E não criar expectativas pode surpreender positivamente.

Foi o que aconteceu em Minha Mãe É Uma Peça 2. Não é um filme espetacular, mas ao menos é melhor concebido do que o primeiro. E até levanta reflexões interessantes sobre a convivência familiar.

E, pasmem, em um filme protagonizado pelo Paulo Gustavo.

Vejam vocês…

 

 

O ser humano é um animal que evolui em diferentes níveis…

 

 

Este filme pode ser definido por uma palavra: evolução.

Apesar de apresentar um roteiro raso e previsível na maior parte do tempo, Minha Mãe É Uma Peça 2 consegue sim ser melhor que o primeiro filme nesse aspecto. Principalmente pelo fato da historia ir além de mostrar as excentricidades de Dona Hermínia com seus filhos e a sociedade.

Agora que nossa heroína é um sucesso na televisão, era preciso mostrar o que vinha a seguir. Ao mesmo tempo, mostrar que Hermínia tinha problemas mais próximos de qualquer mãe, além de expandir o seu universo familiar, indo além da sua convivência com os filhos.

Trazer as irmãs da protagonista oferece um dinamismo maior nas situações apresentadas, sem falar que todas foram bem aproveitadas no contexto geral da história.

Ao mesmo tempo, os filhos da Dona Hermínia também evoluíram. Ofereceram um sentido que vai além de serem alívio cômico através do sobrepeso ou da propensão sexual. Aqui, todos receberam situações que são próximas daquelas que acontecem em qualquer núcleo familiar que conhecemos.

E isso é o suficiente para tornar a continuação melhor que o primeiro filme.

 

…e toda evolução requer enfrentar dificuldades!

 

 

Minha Mãe É Uma Peça 2 é mais elaborado justamente por falar de problemas, deixando de lado as esquisitices.

Se o primeiro filme é visto como uma grande “homenagem” de Paulo Gustavo para a sua mãe (e com o seu roteiro com os dois pés na peça de sua autoria), o segundo filme pode ser visto como um reconhecimento de Paulo como um membro da família, e em como ele reflete sobre os momentos de mudança que toda família passa.

Em situações pontuais, o filme trata de assuntos como a “síndrome do ninho vazio”, algo que muitas mães passam quando os filhos saem de casa, a ausência dos irmãos que vivem em pontos distantes, o luto, por perder um ente querido…

Enfim, todas essas temáticas mostram um maior cuidado e elaboração no roteiro do filme. As situações são menos jogadas, deixando o filme em um ritmo mais suportável que o primeiro.

 

É claro, tem o Paulo Gustavo com alguns de seus exageros. Mas até ele está mais contido como Dona Hermínia, o que deu resultados positivos ao meu ver.

 

Por fim, Minha Mãe É Uma Peça 2 é um filme melhor que o primeiro. Você pode não achar um filme espetacular – eu mesmo não acho -, mas pode ser interessante para aqueles que estão meio distantes de suas famílias, com briga entre irmãos, ou que se sentem sozinhos sem os filhos em casa.

Para quem curte o Vai Que Cola, é diversão garantida.