Eu fico loko

 

Os perdedores venceram!

Eu confesso que, como um ser velho da internet, nunca havia ouvido falar de Christian Figueredo. E confesso também que esse é um claro sinal que preciso me sintonizar mais com as novas tendências conectadas. Dito isso, Eu Fico Loko é um filme fraco que tem a sua validade para uma geração que se vê representada na tela por um adolescente como qualquer outro.

Ou excluído, como a maioria. Mas que dá a volta por cima, por ser ele mesmo.

 

O filme basicamente mostra o que motivou Christian a criar o seu canal de vídeos no YouTube, mostrando suas aventuras e dissabores de uma adolescência complicada. O rapaz era um nerd típico, que ficava na turma dos excluídos, que tentava encontrar o seu lugar no meio.

Nessas tentativas, se mete em várias encrencas típicas de adolescente. Mas a pior parte era sofrer o cruel bullying dos alunos mais populares do colégio. Tal situação só fazia com que Christian se voltasse ainda mais para o seu mundinho: os pais, a avó e, é claro, os vídeos de paródia de filmes.

Mas depois de começar a sentir o peso de tanta perseguição, de se envolver com as pessoas erradas, de perder a melhor amiga (a avó, que vem a falecer) e de perder os amigos por conta de suas escolhas impulsivas, Christian toma a melhor decisão de sua vida: expor quem ele é para o mundo.

O rapaz começa a gravar vídeos onde ele comenta sobre a sua vida, dividindo seus sucessos e frustrações com quem estivesse disposto a ouvir o que ele tinha a dizer.

O resultado disso? Um dos youtubers mais influentes e populares do Brasil.

 

 

Como filme, nos aspectos técnicos, Eu Fico Loko é fraco. Ele lembra uma daquelas típicas comédias adolescente sem sal que passam no SBT no dia de semana à tarde, como refugo de programação (quando o SBT não tem nenhuma novela mexicana para passar).

Em alguns momentos, o filme tem problemas de montagem e apresenta um roteiro linear… para baixo. Tudo bem, eu posso não ser o público-alvo do filme, mas como tenho que escrever o que achei do que vi, a minha opinião é que, como filme,  ele é bem desinteressante.

Mesmo assim, um filme como esse tem as suas validades.

 

Temos uma geração de jovens que vivem um contraste existencial. Para buscar o seu lugar no meio, o adolescente comum segue as tendências de grupo, se envolvendo nas panelinhas dos iguais. Ao mesmo tempo, buscam sua identidade e seu destaque dentro desse vasto universo de mesmice.

Hoje, se destacar em um mundo cheio de iguais é algo muito difícil. Na verdade, sempre foi. Mas hoje, com o advento da internet, é muito mais complicado ser original, receber notoriedade e marcar o seu lugar.

Pode até ser que daqui há 10 anos a gente nem se lembre mais quem é Christian Figueredo. Mas fato é que vivemos o hoje. O hoje é o que importa. O amanhã não nos pertence.

Logo, apesar da pouca idade, é compreensível que Christian já conte com três biografias e um filme contando sua história. Mesmo que no meu entendimento isso tudo seja um pouco “too much”.

 

De qualquer forma, Eu Fico Loko vale pelas mensagens positivas que passam para o seu público alvo: os jovens que alimentam os views dos vídeos dessa atual geração de youtubers.

Ter um cara como eles dizendo para eles coisas como “acredite nos seus sonhos, não desista, aguente firme, tudo vai dar certo” é algo muito válido. A mensagem não só chega de forma eficiente, mas o próprio sucesso do rapaz mostra a credibilidade desse discurso.

Nesse aspecto, o filme se salva.

Do mais, podemos dizer que é melhor que o filme da Kéfera.

E isso é um baita elogio.

Acredite.