carros 3

O passado e o futuro se encontram na linha de chegada.

O que dizer de Carros 3? Que eu fui um dos que questionei sobre a necessidade desse filme, que os promos davam a entender que o filme tinha se modernizado demais, e que duvidei que a Disney/Pixar poderia se reinventar de forma eficiente e convincente. Talvez eu tenha me esquecido de trazer em mim a certeza que as crianças sempre tiveram nessa franquia, que já soube se reinventar em Carros 2, e fez de novo nesse último filme.

Em uma trama que volta a se centrar no Relâmpago McQueen, podemos efetivamente constatar não apenas a evolução de um personagem, mas uma personalidade que foi se moldando ao longo desses filmes, para se tornar um mestre. Ao mesmo tempo, nosso protagonista mostrou que não era mais novo demais para acompanhar a evolução do tempo, mas ao mesmo tempo não era velho demais para não aprender coisas novas.

McQueen é sim um carro de corridas, mas desatualizado. As novas tecnologias e os simuladores de corridas dominaram as pistas de corridas, e os novos carros se valem desses recursos para serem mais rápidos e aptos a vencer corridas. São verdadeiros computadores sob rodas. E Relâmpago, com todo o seu legado, se depara com o triste cenário de um fim de carreira, que um dia chegaria.

Ele se recusa a aceitar que virou passado. Ele sente que pode produzir mais. Mas começa então a olhar para o passado do passado dele. Viu como Doc Hudson foi descartado pelo novo quando teve o seu mais grave acidente, algo que recentemente aconteceu com McQueen. E ele não queria ter o mesmo destino. Queria ter o direito de escolher quando parar, como todo grande campeão tem o direito de fazer.

McQueen queria ter o controle do próprio destino. E teve a chance. Aliás, foi além disso.

Ao conhecer a sua nova treinadora, ela viu a oportunidade de passar adiante tudo o que aprendeu. Teve a oportunidade de fazer com que seu legado se perpetuasse, assim como ele fez com que o legado de Doc Hudson se tornasse longevo. Teve a chance de se transformar em mestre.

Nesse momento, passado e futuro se encontram, de forma perfeita. E tudo em um único ponto comum: o desejo de realizar os sonhos nas pistas.

 

 

Carros 3 é excelente. Tecnicamente impecável, consegue apresentar uma evolução ainda maior nas técnicas de animação. Algumas cenas são tão bem renderizadas, que consegue simular imagens reais, ou pelo menos com um aspecto visual muito próximo da realidade. Sim… mais uma vez temos um filme bem colorido para atrair os pequenos para as salas do cinema, que vão sair da sessão querendo comprar o carro vermelho 95 na primeira loja de brinquedos. Sem falar que, mais uma vez, o filme volta a ter um elenco de peso. E, dessa vez, com vários pilotos reais dublando alguns dos carros. Incluindo o Lewis Hamilton, que empresta a sua voz para o computador de bordo de Cruz Ramirez.

Também faço destaque especial para a trilha sonora do filme. Uma quantidade muito menor de músicas de artistas do pop e country e uma maior quantidade de temas instrumentais ajuda a muito em um maior envolvimento emocional do telespectador com a história que o filme conta.

E as lições desse filme? São várias!

Em um roteiro mais conciso do que o do segundo filme, Carros 3 tem MEIA HORA A MENOS que o primeiro filme, e consegue ser mais empolgante, objetivo e bem resolvido. O que mostra que a Disney/Pixar aprendeu como contar histórias dentro de um tempo que não canse as pessoas no cinema. Além disso, os dois filmes serviram muito bem para que o telespectador crie a empatia necessária com os principais personagens. Logo, você se vê torcendo para McQueen e sua equipe.

Mas isso não é o mais importante.

Carros 3 lembra para todo mundo, mais uma vez, que o importante não é vencer. E, nesse caso, nem competir. Mas sim não desistir dos seus sonhos. Mostra que, para compreender o presente, temos que voltar nossos olhos para o passado. Mostra que respeitar o passado é um claro sinal que você tem caráter e personalidade. Mostra que, de tempos em tempos, temos que nos reciclar, até mesmo para redescobrir o que existe de melhor dentro de nós. Mostra que não podemos matar os sonhos dos outros, mas sim, incentivar o sonho alheio. Mostra que sempre acreditar que se é capaz de fazer qualquer coisa te ajuda a ser um vencedor.

E mostra que, quando envelhecemos, nos tornamos mais lentos sim. Mas também nos tornamos mais sábios, mais inteligentes, mais perspicazes. Nem sempre vence aquele que é o mais veloz, mas sim aquele que melhor sabe lidar com os obstáculos na estrada, ou negociar ultrapassagens com os demais pilotos.

Ou aproveitar o vácuo deles.

 

 

Carros 3 é o que melhor se comunica com os sentimentos de crianças e adultos, por motivos diferentes, mas com um equilíbrio maior em um roteiro que conversa melhor com o público de todas as idades. O final, mais uma vez, empolga, com mais um plot twist coerente (quem está por dentro dos paranauês da NASCAR sabe que aquilo é sim possível de acontecer em uma corrida da categoria), e o desfecho da trama tem total coerência para uma conclusão lógica desse filme e do conjunto de três filmes.

Não sei se veremos um Carros 4. Só sei que, depois de ver os três filmes em sequência, eu me tornei fã do McQueen.

Um grande carro de corridas. Com caráter, coragem, personalidade e, acima de tudo, um enorme coração!