Robin_Williams

Caro senhor Robin Williams…

Eu estava a poucos minutos antes de entrar na sala de cinema para assistir ao excelente filme ‘Guardiões da Galáxia’ quando recebi a notícia. Poderia escrever sobre o filme, mas vou dedicar alguns minutos nesse blog para falar sobre o senhor. E sim, a notícia que recebi matou com metade da graça de assistir ao filme. Mas… enfim… vamos lá.

Em primeiro lugar… muito obrigado. Aliás, eu não tenho palavras para descrever a gratidão, o privilégio e o orgulho por ter acompanhado a sua trajetória profissional. Você fez parte da minha infância, adolescência e início de uma vida adulta, que se não é maravilhosa e feliz, ao menos teve momentos sensacionais diante da tela da TV e do cinema. Você, caro Robin, fez rir milhões de pessoas que hoje choram com sua partida. Contraditório? É claro! A vida é bem contraditória.

Diferente de muitos, não fiquei puto quando você disse que o Brasil (ou o Rio de Janeiro) só conseguiu sediar os Jogos Olímpicos de 2016 porque oferecemos prostitutas e cocaína para o COI. Vai ver foi isso mesmo. Aliás, falar bobagens era sua especialidade. Por outro lado, por diversas e diversas vezes, te entregaram textos maravilhosos, ideias malucas e mirabolantes, e diversos momentos que ficam mais na memória do que uma ofensa gratuita ao meu país.

Caro Robin… eu fico mais puto pelo fato de sua vida terminar da forma como terminou do que qualquer outra coisa! Sério mesmo que tinha que acabar assim? Tá, eu sei… viver é algo complexo e complicado (para a esmagadora maioria das pessoas), e nem sempre nos sentimos fortes para seguir em frente. Sim, eu compreendo. Temos fraquezas, mazelas, perturbações, vícios…

Mas você? Logo você?

Você me ensinou que era possível reinventar um marinheiro que só existia nos desenhos animados. Você mostrou ao mundo o poder do rádio em zonas de conflito, e o quanto um radialista poderia não só aliviar o estresse de uma guerra, mas ajudar a achar uma solução para a mesma. Você foi a voz de vários personagens que eram vivos em nossa imaginação, tornando nossa infância mais alegre e feliz. Caramba, Robin, você foi o gênio da lâmpada, Theodore Roosevelt e um pinguim!

Aliás, gênio é uma palavra que te define. Gênio da lâmpada, Gênio Indomável… aliás, você era ‘gênio’ e ‘indomável’. Combinou de forma impecável a capacidade de ser besta e bestial, sem ser estúpido. Mostrou que se recusar a crescer não era algo tão ruim assim, e que cada um de nós deve manter vivo a criança dentro da gente. Que essa criança não deve morrer. Pelo contrário: deve viver e derrotar o Capitão Gancho que aparece todos os dias do nosso atribulado cotidiano.

Eu queria ‘uma babá quase perfeita’ para cuidar de mim. Queria um pai teimoso e desastrado, mas que fizesse qualquer coisa para cuidar de mim, para estar por perto.

Você mostrou que a tal inteligência artificial pode ser uma das coisas mais naturais do mundo, e que acima dela está a alma humana. A essência humana.

E talvez as lições mais importantes que você deixou…

Que o amor é contagioso. Que no final das contas, o que o ser humano deveria ser mesmo era um especialista em amar. Vivemos em uma era onde olhamos apenas para nós mesmos. Que sentimentos mais íntimos e pessoais são vistos como frivolidades e babaquices de pessoas que se importam mais com os likes de uma postagem “em nome da zoeira” do que no simples detalhe que alguém está sofrendo em algum canto do mundo com a perda de alguém querido e amado.

Mas o amor é contagioso. O amor vai além da vida. Felizmente.

Mas confesso que sei o que é ser contagiado pelo sentimento de amor e fraternidade. Talvez eu não precisasse entender isso com você. Mas um certo Patch Adams me ajudou a não me esquecer jamais dessa lição.

Obrigado, Robin Williams. Obrigado pelas alegrias e lágrimas. Obrigado pelas horas de entretenimento. Que o grande legado do ‘Carpe Diem’ se perpetue não só nos fãs de cinema, mas em todos nós. Por conta de sua própria tragédia pessoal, podemos ter mais um momento de reflexão sobre nossas vidas. De aproveitar o momento presente. Aproveitar o hoje. A nossa vida. A preciosa vida.

Você partiu para ir muito além de ser bicentenário. Partiu para ser eterno, deixando uma obra inesquecível.