Sai-de-Baixo-2013-03

Eu sou um daqueles “velhos” que assiste as reprises de Sai de Baixo no Canal Viva. E era um daqueles jovens que assistiu a série entre 1996 e 2002. Assistia, gravava e revia ao longo da semana os episódios. O tempo passou, e hoje, vendo as reprises, eu compreendo que Sai de Baixo ficou datado, com piadas recicladas. Mesmo assim, eu sou um que engrossa a fila de que a série poderia voltar um dia. Onze anos se passaram, e ontem (11), o primeiro dos quatro episódios especiais (para comemorar os três anos do Canal Viva) foi exibido.

Uma das coisas que diferenciam o ser humano dos demais animais da Terra é a racionalidade. É por causa dela que conseguimos compreender os nossos sentimentos, e conseguimos identificar o que realmente significa a palavra “saudosismo”. E ver um episódio inédito de Sai de Baixo 11 anos depois do seu fim, pode entrar nessa simbologia. Antes de qualquer avaliação técnica sobre o episódio, a principal motivação para trazer essa família de volta ao Largo do Arouche é o desejo de reviver aqueles momentos. Elenco, público e audiência em casa.

Eu li em minha timeline que parecia “uma reunião dos amigos do colégio, depois de muitos anos”. Sabe, a gente pode achar um saco esse tipo de reunião. Porém, a alegria de relembrar alguns dos bons anos de nossas vidas nos motivam a buscar esse reencontro. E eu fiquei sim muito feliz ao ver aqueles personagens em cena. Não pelo fato deles terem participado de alguns dos melhores anos da minha vida, mas simplesmente porque me fizeram relembrar um pouco desse tempo, de forma positiva.

E a melhor parte: é um retorno curto. Apenas quatro episódios. Algumas séries britânicas fazem isso muito bem (Absolutely Fabuolous é mestre em retornos rápidos).

Sobre o episódio em si, ele teve altos e baixos. Referências ao momento atual do país, piadas com o preço do tomate (antes que digam que essa piada perdeu o seu prazo de validade, o episódio foi gravado na época que o quilo do tomate custava quase R$ 10 o quilo… e pra mim, ainda está valendo, pelo simbolismo), um “chupa, Feliciano” e todos os momentos de improviso ou “quebra da quarta parede”. Tal como já acontecia antes na série.

Por outro lado (e talvez por ter a intervenção de Miguel Falabella na redação final), algumas situações foram forçadas. O próprio motivo para que Neide Aparecida (Márcia Cabrita) voltasse a virar uma empregada e Magda (Marisa Orth) morando em um aeroporto foram histórias mal contadas. Aliás, Magda volta mais burra do que uma porta, e em alguns momentos mais irrita do que diverte. Sem falar em Caco Antibes (Miguel Falabella), que não pode mais dizer que é gostoso com uma barriga daquela. Aliás, barriga essa que virou motivos de piada nas mãos de Cassandra (Aracy Balabanian).

Mesmo assim, vale pelo desejo de rever esses personagens juntos. Talvez para quem não viu o original (ou para quem acha Pé na Cova e Zorra Total programas “geniais”), a volta de Sai de Baixo não vai significar muita coisa. Para quem acompanhou as seis temporadas da produção, vale, e muito. Mesmo que seja pelo único desejo de ouvir um dos bordões mais memoráveis da história da TV brasileira…

…CALA A BOCA, MAGDA!