Eu demorei muito para ver o piloto de Bull, série jurídica que a CBS estreou no segundo semestre do ano passado. Mas até que gostei do que viu.

Apesar de ser mais uma série procedural de um canal especializado nas produções do tipo “caso do dia”, ela oferece alguns elementos que a diferenciam das demais produções do gênero, além de se esforçar em oferecer uma história principal que mostra alguma continuidade, levando a algo maior ao longo da temporada.

Não existe algo tão revolucionário em Bull que faça você chamar a série de genial. Na verdade, ela combina vários elementos de outras séries do segmento procedural para oferecer uma série completamente nova, mas com a sua ideia geral já batida: eles sempre vão ganhar os casos, o protagonista tem uma personalidade marcante/sarcástica, mas tem um passado nebuloso… mas nesse caso, conferir um piloto assim não foi uma completa perda de tempo ou resultou em dores de cabeça absurdos.

Temos aqui uma série que mostra um time de especialistas em análise comportamental do juri e dos seus jurados, chefiada por um psicólogo sarcástico que é o fodalhão de tudo. O cara se vale de toda a tecnologia possível para analisar o comportamento de jurados, testemunhas, advogados adversários e até do juiz para traçar os perfis dos envolvidos para assim decidir qual é a melhor estratégia para vencer os casos.

Ele vai além: tem no seu time de profissionais hackers e advogados bem persuasivos para tornar o seu trabalho o mais próximo da perfeição, sem medir esforços ou pesquisas no Google (ou redes sociais, ou Snapchat) para obter as informações necessárias para realizar o seu trabalho.

Mas tudo tem o seu outro lado. Mexer com o psicológico das pessoas, induzindo jurados a escolherem aquilo que lhe favorece pode ser perigoso. E isso pode cobrar caro do nosso excêntrico Dr. Bull (que não lembra o Patrick Jane, para nossa alegria).

 

 

Bull combina elementos de The Mentalist, Lie to Me, Boston Legal, Scorpion e um monte de séries que já vimos por aí que combinam todas as temáticas já citadas. Mesmo assim, funciona.

Pode não ser um primor de originalidade, mas ao menos não peca pelo excesso. Não é uma série difícil de acompanhar, e a linha de raciocínio apresentada tende a ser a mais lógica possível, apesar de parecer um pouco fantasiosa essa combinação de altíssima tecnologia com análise de comportamento e postura de cada jurado, somado com o histórico de vida de cada um deles.

Aliás, nem sei se por lei é permitido fazer isso, mas como estamos diante de uma história de ficção que pode ou não ser baseada em fatos reais, não vamos aqui discutir a veracidade dos fatos.

 

De qualquer forma, eu quero ver mais de Bull. Me interessou ver até onde essa trama pode chegar, e conhecer um pouco do passado do psicólogo protagonista.

Ou saber por que é importante perguntar para as pessoas como é que elas pegam um resfriado.

Algo me diz que isso pode ser muito útil no futuro.