Baywatch

 

Talvez o problema está em esperar alguma coisa de Baywatch, que ao longo de tantas temporadas na TV, nada apresentou. Porém, era justo esperar que o filme protagonizado por Dwayne Johnson e Zac Efron pudesse rir de si mesmo de forma mais competente.

Baywatch chega para ser mais um daqueles filmes do verão norte-americano para tentar ser o passatempo de final de semana quando chove e não dá para ir à praia. Esse cenário é o melhor efeito prático para assistir a um filme que não acrescenta absolutamente nada de novo na vida das pessoas. E nem deveria. Ele só deveria servir para efetivamente divertir e render boas risadas.

Pena que escorrega um pouco nessa tarefa.

Não estou aqui dizendo que o filme é ruim. Ele não é. Obviamente, não é uma maravilha, mas isso já era mais que esperado. O problema é que Baywatch perde ritmo na sua segunda hora, abandonando o sistema de comédia semi escrachada da primeira hora, o que deixa um contraste que o torna cansativo do meio para o fim.

Sem falar que a parte promocional do filme entrega muito do que o filme poderia ter de melhor. Você já chegar ao cinema sabendo quase todas as melhores piadas entre os protagonistas não ajuda em nada, pois o filme poderia explorar bem mais a relação dos dois, já que este é um plot onde o filme tenta se vender.

Baywatch tem um roteiro raso e básico, o que também era esperado. E o grande problema de ter um roteiro assim é que sua trama se torna previsível, com soluções que são as mais óbvias para aqueles que estão mais atentos na sua narrativa. E é justamente isso que torna o filme cansativo e sem ritmo.

Ou o filme mantinha a aposta de se uma comédia non sense da primeira hora, ou abraçava a proposta de ser um filme de ação com toques de comédia da segunda hora.

Isso fica evidente nos destaques dados aos personagens ao longo do filme. Por exemplo, a tensão sexual envolvendo Brody e Summer, algo minimamente explorado na primeira hora, foi totalmente descartada na segunda hora, quando tudo foi focado na investigação envolvendo o tráfego de drogas na praia.

Outro claro exemplo da inconsistência da história está na mudança ao destaque à Ronnie, um dos melhores personagens do filme. Seu respectivo interesse em C. J. Parker faz com que algumas das situações mais engraçadas da primeira hora do filme recaiam sobre ele. E na segunda hora, ele é mais um dos personagens a entrar na lista dos esquecidos.

De qualquer forma, Baywatch é um filme bem produzido. As cenas são bem feitas, e a computação gráfica é muito bem aplicada. Uma das cenas de ação mostra isso muito bem, com uma qualidade técnica que chama a atenção.

Sem falar que todos os elementos que fizeram a série de TV ser um sucesso estão lá: um salva-vidas que é o herói de todos, mulheres salva-vidas com biquinis enfiados na bunda e com decotes generosos, correndo em câmera lenta, belas cenas de praia… enfim, está tudo lá.

Porém, do mais, é um filme que chega a decepcionar, de certo modo. De novo: eu não esperava um filme espetacular, mas sim um filme com coerência. Isso, infelizmente faltou. Mas Baywatch vale para sair de casa e dar algumas risadas.

E sim… temos David Hasselhoff e Pamela Anderson no filme. Sem esses dois, Baywatch simplesmente não existe!